Judas Priest: ao-vivo longe dos padrões da banda
Resenha - A Touch of Evil Live - Judas Priest
Por Fernão Silveira
Postado em 19 de janeiro de 2010
A combinação das palavras "Judas", "Priest" e "Live" sempre foi garantia de coisa boa, especialmente quando aplicada a um álbum. Mas para uma banda que estabeleceu o padrão de qualidade em discos ao vivo de heavy metal, graças a obras-primas como "Unleash in the East" (1979) e "Priest... Live!" (1986) – sem nos esquecermos dos bons "‘98 Live Meltdown" (1998) e "Live in London" (2003), ambos com Tim "The Ripper" Owens no vocal –, o lançamento "A Touch of Evil – Live" (2009) significa um retrocesso e tanto.
E para complicar ainda mais a situação da obra em análise, vale observar que ela consiste numa compilação de músicas pinçadas das turnês mundiais do JUDAS nos anos de 2005 (para a promoção do bom álbum "Angel of Retribution") e 2008 (na divulgação do prá-lá-de-duvidoso temático "Nostradamus"). Chega a ser triste pensar que o tracklist deste lançamento traga o melhor que a banda conseguiu reunir num universo de tantos shows.
É verdade que existe o álibi de que foram escolhidas para o disco apenas músicas que jamais haviam sido registradas ao vivo na voz de Rob Halford. Ainda assim não é suficiente. E mais: depois do que o IRON MAIDEN fez com "Flight 666 – The Original Soundtrack", lançar uma compilação de turnê mundial sem discriminar onde foram gravadas as faixas virou vexame.
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Talvez os maiores destaques do CD, em boa parte por causa do efeito novidade, sejam mesmo as músicas de "Angel of Retribution" e "Nostradamus" – cada um com duas contribuições: "Judas Rising" e "Hellrider"; "Death" (anunciada por Halford como "Messenger of Death") e "Prophecy". Todas satisfatórias e bem representadas, embora "Angel" (uma das melhores faixas de "Angel of Retribution" e ponto alto nos shows da turnê de 2005) tenha sido injustamente desconsiderada para a lista final.
Emblemático na discografia do JUDAS, "Painkiller" emplaca três faixas: "Between The Hammer & The Anvil" (em versão razoável), "A Touch of Evil" e "Painkiller", ambas em performances decepcionantes, que nos alertam para uma realidade difícil de ser assimilada por qualquer fã: a voz do "Deus do Metal" já dá sinais inequívocos de fraqueza. Fica uma pergunta: será que não havia versões melhores destas duas jóias para gravação no disco? Tenho certeza que sim.
Dentre os clássicos mais antigos, o registro de maior destaque é "Dissident Aggressor". "Riding On The Wind" e "Eat Me Alive", genuínos exemplos do speed metal que o JUDAS PRIEST ensinou ao mundo, carecem de punch. "Beyond The Realms Of Death", por sua parte, não compromete (mas também não salva a lavoura).
É natural que para uma banda como JUDAS PRIEST as expectativas sejam sempre grandes, e talvez por isso seja excessivamente rígido dizer que "A Touch of Evil – Live" é um disco ruim. Mas chamá-lo de ótimo, à altura do que se poderia esperar de Rob Halford & Cia. no palco, também é forçar a barra. O fato é: se você apertar o play tendo em mente todas as premissas enumeradas anteriormente – como foi o caso deste cronista -, a decepção será líquida e certa.
"A Touch of Evil - Live" – JUDAS PRIEST
1 - Judas Rising
2 - Hellrider
3 - Between The Hammer & The Anvil
4 - Riding On The Wind
5 - Death
6 - Beyond The Realms Of Death
7 - Dissident Aggressor
8 - A Touch Of Evil
9 - Eat Me Alive
10 - Prophecy
11 – Painkiller
Gravadora: Epic/Sony Music (nacional)
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