Jorn: autenticidade, talento e conhecimento de causa
Resenha - Lonely Are the Brave - Jorn
Por Ricardo Seelig
Fonte: Collector's Room
Postado em 11 de maio de 2009
Nota: 9 ![]()
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"Lonely Are the Brave", sexto álbum solo de Jorn Lande, é um ótimo disco de hard rock com algumas características de heavy metal, principalmente nos riffs da dupla de guitarristas Tore Moren e Jorn Viggo Lofstad. Explorando mais uma vez as influências que o acompanharam por toda a vida, o vocalista norueguês, considerado por uma parcela considerável de fãs como um dos melhores do mundo quando o assunto é a música pesada, compôs um CD impossível de não ser apreciado por toda e qualquer pessoa que curte o trabalho de uma das escolas mais influentes do hard rock; estou falando, é claro, do Whitesnake e do Rainbow, cujas sombras repousam sobre "Lonely Are the Brave" sem, contudo, transformar o álbum em uma mera imitação.

Jorn sabe aplicar as referências que possui quando o assunto são os grupos de David Coverdale e Ritchie Blackmore e fazê-las jogar a seu favor, construindo, peça por peça, nota por nota, uma música cativante e pra lá de competente. A abertura com a ótima faixa-título exemplifica bem isso. Nela, Lande atualiza para os nossos tempos aquela sonoridade que o Whitesnake cravou a ferro e fogo em nossas memórias durante a década de oitenta, mas faz isso com tamanha autenticidade, talento e conhecimento de causa que qualquer fã do gênero irá vibrar como criança. Aos que chiarem dizendo que não passa de mera imitação dos tempos áures da cobra branca, desconsidere, pois esses são chatos mesmo e não irão nunca se contentar com nada.
A cadenciada "Night City" e seu riff pesadão dão sequência ao CD, e a segunda faixa do álbum é daquelas que pede uma estrada à frente, feita sob medida para pisar fundo e sem destino. O peso fica ainda mais evidente em "War of the World", outra a contar com um riff inspirado que, somado à linha vocal nada óbvia de Jorn, pega o ouvinte pelo pescoço e o joga sem dó em um mundo onde, cada vez mais, fala-se muito e age-se pouco. O refrão dessa composição é sensacional, um dos melhores do disco na minha opinião.
Os saudosos fãs do Masterplan, banda para a qual Jorn Lande anunciou recentemente o seu retorno, irão se deliciar com "Shadow People", que parece ter sido composta sob medida para eles. Nessa faixa é possível inclusive perceber ecos de Helloween fase "Better Than Raw" - um dos melhores discos da banda, na minha opinião, e que não por acaso contava com Roland Grapow e Uli Kusch, que mais tarde convidariam Jorn a fazer parte do Masterplan - na estrutura da canção. Uma faixa muito boa, feita sob medida para o headbanging, e que irá tocar, especialmente, fãs do heavy metal executado nos anos oitenta.
Enquanto "Shadow People" nos leva em uma viagem ao passado recente, "Soul of the Wind" surpreende, e agrada, por trazer elementos novos ao som de Lande. Nessa caso, estamos falando de um clima sombrio e de riffs que parecem terem sido paridos pela guitarra do lendário Tony Iommi, mais conhecido como o homem por trás do Black Sabbath e, por extensão, de todo o heavy metal. Qualquer um, sem muito esforço, se pegará imaginando como essa faixa ficaria com os vocais de Ronnie James Dio, pode apostar. Destaque para o belo solo, repleto de melodia.
A apenas mediana "Man of the Dark" antecipa "Promises", essa sim uma bela composição, sombria, dona de um belo riff de guitarra e de um épico refrão na melhor tradição AOR, que bebe em fontes surpreendentes como, por exemplo, o Journey. Uma das melhores faixas do disco, fácil fácil.
Ouvindo "The Inner Road" tem-se a impressão que Jorn deixou para o final algumas de suas melhores composições. Mais uma vez contando com um ótimo riff, essa faixa talvez seja a que melhor exemplifique a sinergia entre o hard rock e o heavy metal a que me referi lá no início do texto. Seguindo um raciocínio elogiável na minha opinião, que é apostar mais no peso do que na velocidade, Lande entrega uma canção de andamento cadenciado, que incita ao banging inconsciente, cativando de imediato. "Lonely Are the Brave" fecha com "Hellfire", uma boa canção, épica, bastante pesada e com uma grande performance de Jorn.
Se você está atrás de um hard rock bem feito, repleto de inspiração e executado por músicos técnicos na medida certa, "Lonely Are the Brave" é uma ótima pedida. Encare sem medo porque vale a pena.
Faixas:
1 Lonely Are the Brave - 4:17
2 Night City - 5:27
3 War of the World - 5:32
4 Shadow People - 3:34
5 Soul of the Wind - 6:03
6 Man of the Dark - 5:10
7 Promises - 4:43
8 The Inner Road - 4:55
9 Hellfire - 6:12
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