Sonic Syndicate: mal interpretado pelos fãs de Heavy Metal

Resenha - Love And Other Disasters - Sonic Syndicate

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Por Clóvis Eduardo
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Nota: 7


Uma banda com dois vocalistas. Tá aí uma coisa que não se vê todo dia. E não é questão de backing vocals ou participações isoladas. O que Richard Sjunnesson e Roland Johansson fazem no Sonic Syndicate é algo incomum, mas que se bem explorado, pode dar resultados incríveis.

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O visual, o estilo e até mesmo o som do Sonic Syndicate pode ser muitas vezes mal interpretado pelos fãs de Heavy Metal, tão acostumados às pesadas e morteiras bandas suecas, como In Flames, Soilwork, Opeth ou Dismember. Longe de ser uma novidade ou revelação, o Sonic Syndicate faz um som calcado na melodia, na habilidade da dupla de vocalistas em alternar tons urrados ou limpos e no acréscimo de partes de teclado ou sintetizadores mais destacadas que a própria linha de guitarras. De longe, lembra um pouco as bandas de Metal Core que aparecem aos milhares na América do Norte, mas com aquela depressão típica sueca que a gente aprendeu a admirar.

Tem muito peso e energia nesta banda! Os irmãos Richard, Roger e Robin Sjunnesson dão conta de criar as passagens marcantes, e desdobramentos ao longo das canções. Os dois últimos são os guitarristas do grupo, e apesar dos elogios, não são nada de espetaculares, até por que se você procura solos ou riffs inovadores, está no lugar errado. Mas vai ouvir uma seqüência de ritmos manjados e que combinam como a natureza melancólica e raivosa das letras, como mesmo induz o próprio título do álbum.

Para quem gostou de "Only Inhuman", disco antecessor, há motivo de ficar ainda mais orgulhoso do trabalho feito pelo Sonic Syndicate, pois a formatação das músicas está muito idêntica ao disco lançado no início de 2007. A gatinha com cara de malvada Karin Axelsson segue a linha simples no baixo acompanhando o baterista John Bengtsson em incursões rápidas nas viradas e nos bumbos, como em "Encaged", canção que abre o disco e já dá uma prévia do que é a grande sacada da banda. O refrão é de primeira, com a participação dos dois vocalistas, mas perceba como as guitarras ficam quase em segundo plano quando a harmonia de teclado entra em cena.

"Hellgate - Worcester" já começa mais intensa, mas lá pelas tantas o refrão descamba para o mesmo ritmo que os fãs já estão acostumados a ouvir. Duetos entre Richard (tom mais rasgado) e Roland (parte limpa) fazem de cada composição um momento singular. Mas no conjunto da obra, o Sonic Syndicate fez um álbum muito parecido, linear, apesar do bom número de baladas.

Mesmo com as repetições, o estilo que os suecos desenvolveram no trabalho ficou muito bom. É que quem souber aproveitar o máximo de opções em seu ramo, principalmente na hora de dividir os vocais, terá liberdade em aproveitar melhor cada música. E a banda, apesar de nova, já colhe frutos bem doces do trabalho, tendo participado de grandes festivais europeus, como o gigantesco Wacken Open Air, o sonho de qualquer banda que se preze. Só faltou darem crédito ao dono dos arranjos de teclado, afinal, ele merece!


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Sobre Clóvis Eduardo

Clóvis Eduardo Cuco é catarinense, jornalista e metaleiro.

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