Bruce Kulick: menos comercial que o Kiss em solo
Resenha - Audio Dog - Bruce Kulick
Por André Molina
Postado em 16 de junho de 2008
O lendário ex-guitarrista do Kiss, Bruce Kulick, é considerado por muitos fãs e músicos do gênero o mais virtuoso que assumiu o instrumento na bem sucedida banda de que fez parte. Além de colaborar com a formação de um gênero que o Kiss adotou na década de 80, Kulick induziu os demais integrantes a investir em um instrumental mais apurado. Os solos e as bases de guitarra apresentados nos discos Asylum (1985), Crazy Nights (1987) e Revenge (1992) colocaram o Kiss ao lado das novas bandas de Hard Rock, que surgiram em meados da década de 80 e início de 90.
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Ao lado de Mark St John e Vinnie Vincent, Kulick compõe a lista de guitarristas técnicos que ingressaram no Kiss para injetar mais virtuosismo na banda na década de 80 para seguir a tendência do mercado musical da época. Ele entrou em 1984 e permaneceu até 1997.
Na última passagem pelo Brasil, Kulick se apresentou como um integrante da família Kiss, mas não deixou de divulgar seu trabalho solo. Antes de subir ao palco do Ópera 1, em Curitiba, para exibir um repertório fundamentado na carreira da sua antiga banda, o guitarrista concedeu entrevista ao Whiplash (que já foi publicada) e me presenteou com um trabalho pouco divulgado entre os admiradores do Kiss: o disco solo "Audio Dog (2001)".
Alguns meses se passaram e a constante audição do obscuro trabalho se tornou mais esclarecedora. Nos primeiros contatos, as canções parecem mais complexas e menos melodiosas que as músicas do Kiss: o que não deixa de ser verdade.
Escutar os trabalhos solos de Kulick sem comparar com o Kiss não é uma tarefa fácil. Percebe-se que dificilmente os fãs da banda vão ter a mesma receptividade. As músicas lembram bastante o disco polêmico "Carnival Of Souls", que só foi lançado por causa da pirataria. Após ser engavetado, as gravações começaram a ser comercializadas ilegalmente e a banda se sentiu obrigada a lançar o trabalho.
Desmerecer a qualidade de "Carnival Of Souls" é injustiça. É fácil perceber que o disco foi deixado de lado pelos líderes Gene Simmons e Paul Stanley devido o envolvimento com o retorno da formação original do Kiss. O trabalho "sujo" ficou com Bruce Kulick e com o baterista Eric Singer, que se dedicaram mais ao processo criativo. Deve ser por isso que o disco é "renegado". Os membros originais Paul e Gene participaram superficialmente.
O disco
Os trabalhos de Kulick se assemelham a "Carnival" devido ao caráter "anti-comercial" e ao peso. Em "Audio Dog", Kulick é responsável por quase 100% do processo criativo. O músico se sentiu mais livre e executou bons temas instrumentais como "Pair Of Dice", "Monster Island", "Skydone" e "Liar". As canções chegam a lembrar temas de guitarristas como Joe Satriani, sem exibir tanto comprometimento com a técnica. As canções podem ser agradáveis também aos "não guitarristas".
Além de tocar guitarra, Bruce ainda chamou para si a responsabilidade de gravar o baixo e os vocais. A bateria é executada por Brent Fitz e Kenny Aronoff, que acompanhou Alice Cooper no disco "Dragontown". O sutil teclado ficou por conta de Curt Cuomo.
Em "Strange To Me", o vocal de Kulick chega a lembrar a voz do guitarrista original do Kiss, Ace Frehley. É incrível como os integrantes do Kiss apresentam influências entre eles. Kulick não faz feio como vocalista. No trabalho, ele demonstra que poderia ter contribuído mais à sua ex-banda como vocalista em algumas canções.
Nas faixas "Change is Coming" e "Need Me" percebem-se semelhanças com canções de "Carnival Of Souls". É impossível não estabelecer comparações com as músicas "Jungle" e "Hate".
O disco não segue somente uma tendência. Além de exibir riffs e bases pesadas, o trabalho também apresenta a balada "Please Don’t Wait", que lembra "We Are One" do disco "Psycho Circus", do Kiss. Outra balada interessante é "I Don’t Mind", que alterna momentos leves e pesados. O destaque como não poderia deixar de ser são os simples e breves solos, que lembram baladas das bandas oitentistas de hard rock.
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