Tarja Turunen: Rock? Metal? Pop? Música clássica?

Resenha - My Winter Storm - Tarja Turunen

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Por Thiago El Cid Cardim
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Nota: 7

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Quando a musa metálica Tarja Turunen saiu – ou melhor: “foi saída” – da banda finlandesa Nightwish, foi justamente no momento de maior prestígio do grupo, quando eles finalmente ultrapassaram as barreiras do gueto dos headbangers e atingiram até a molecadinha mais pop da geração MTV, conquistando em cheio os fãs do Evanescence e congêneres. Que a moça ia continuar em carreira solo no mundo da música, não havia a menor dúvida. Mas o que os fãs queriam saber é: ela vai optar por que tipo de som? Rock? Metal? Pop? Música clássica? Ópera? O disco “My Winter Storm” traz a resposta para esta dúvida em uma mistura de tudo isso, com produção absolutamente impecável. Mas será que funciona – em especial para aqueles que esperavam uma continuação do que ela fazia no Nightwish?
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A resposta é “não”. Sinto desapontar aos fãs mais esperançosos, mas “My Winter Storm” não é um disco de heavy metal – não adianta forçar a barra e dizer que é “symphonic metal” ou qualquer outra denominação semelhante. Este é um Nightwish 2? Nops. Este é um disco da Tarja Turunen, ex-vocalista do Nightwish. Ponto.

Lembram-se de quando defini “Ghost Opera”, do Kamelot, como sendo algo do tipo “Andrew Lloyd Webber Metal”? Pois o que Tarja faz aqui é essencialmente extrapolar ainda mais este conceito, tornando as guitarras do metal apenas um elemento secundário perante as orquestrações de uma sonoridade que lembra claramente uma trilha sonora de uma grandiosa produção hollywoodiana, que busca diretamente as influências e os recursos da música clássica mas sem deixar de lado uma faceta “pop”, mais acessível e palatável para todos os públicos. Muito mais importantes em “My Winter Storm” do que guitarra-baixo-bateria - que ajudam a dar mais intensidade e peso nas composições deste disco - são o piano, violino, violoncelo e os corais, estes sim as verdadeiras estrelas e alma do álbum. E olha que a banda de apoio da moça conta com o ótimo baixista Doug Wimbish, do Living Colour.

Mas... não se descabele. Isso não faz de “My Winter Storm” um disco ruim. Aliás, muito pelo contrário.

As orquestrações conduzidas por James Dooley [que trabalhou em filmes como “Acampamento do Papai”, “Quando Um Estranho Chama” e da primeira temporada do reality show “The Contender”] são belíssimas, intensas, climáticas, envolventes. E nem é preciso dizer qualquer coisa a respeito da impressionante voz da vocalista, que continua afinada e afiada até a alma. E com um bônus: ela parece estar interpretando as canções com muito mais emoção e naturalidade do que, por exemplo, no recente “Once”, do Nightwish. Assim como Roy Khan em “Ghost Opera”, ela canta como se claramente fosse a personagem de um musical e/ou de uma ópera – e as canções de “My Winter Storm”, interligadas entre si, podem não fazer deste abertamente um disco conceitual, mas ajudam a dar a impressão de que uma única história com personagens em comum está sendo contada.

A guitarra nervosa e cadenciada que introduz “Lost Northern Star” serve apenas para preparar o terreno da impressionante subida orquestral, quase épica, uma espécie de John Williams e/ou Howard Shore respirando rock ‘n’ roll para o próximo filme de “O Senhor dos Anéis”. Acompanhada do violão de Kiko Loureiro [Angra], Tarja vai para um clima quase new age, etéreo, místico e profundamente dramático em “The Reign”. Em “My Little Phoenix”, uma canção quase graciosa e com a maior cara daqueles dramalhões do grande circuito da Broadway, tipo “O Fantasma da Ópera”. As muitas vozes sobrepostas em “Boy And The Ghost” chegam até a emocionar. E para encerrar um disco com ares de milionária produção blockbuster, Tarja surpreende e opta pela simplicidade, chamando Kiko novamente para uma baladinha quase intimista e acústica em “Calling Grace”.

Se você estava com saudades do Nightwish com os vocais de Tarja, pode tentar se contentar com o single “I Walk Alone” [um título que quer dizer muita coisa, por falar nisso], uma balada épica e soturna, ou quem sabe com as canções “Die Alive” e “Ciaran’s Well”, a mais porradeira e heavy metal de todas, que chega a ser tétrica e assustadora. As três, no entanto, não fogem do contexto geral do restante da bolacha e também se encaixam 100% no conceito “trilha sonora”, talvez até cabendo em um daqueles filmes de horror na linha “Resident Evil”.

Por falar nisso, a maior curiosidade de “My Winter Storm” é mesmo a releitura de “Poison”, do mestre do terror Alice Cooper. Os puristas que acharam que a moça ia destruir a canção original se enganaram. É claro que ela subverteu a atmosfera hard rock e imprimiu fortemente o seu próprio estilo na música, mas ela continua macabra e envolvente, com um refrão para cantar junto. É a música mais rock ‘n’ roll do disco, contando até com a participação do maninho mais novo, Toni Turunen, mas os corais não deixam que se perca a certeza do tipo de disco que se está ouvindo.

Esta é uma nova Tarja Turunen. Acostume-se com isso. Ou então, acostume-se com a Anneke e volte a ouvir o Nightwish. A opção é sua.

Line-Up:
Tarja Turunen - Vocal
Alexander Scholpp - Guitarra
Doug Wimbish - Baixo
Torsten Stenzel - Teclado e programação
Earl Harvin – Bateria

Participações Especiais:
Martin Tillman - Cello
Izumi Kawakatsu - Piano
Kiko Loureiro - Violão
James Dooley - Orquestrações
Lili Haydin - Violino

Tracklist:
01. Ite, Missa Est
02. I Walk Alone
03. Lost Northern Star
04. Seeking for The Reign
05. The Reign
06. The Escape of the Doll
07. My Little Phoenix
08. Die Alive
09. Boy and the Ghost
10. Sing for Me
11. Oasis
12. Poison (Alice Cooper Cover)
13. Our Great Divide
14. Sunset
15. Damned and Divine
16. Minor Heaven
17. Ciáran's Well
18. Calling Grace

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Sobre Thiago El Cid Cardim

Thiago Cardim é publicitário e jornalista. Nerd convicto, louco por cinema, séries de TV e histórias em quadrinhos. Vegetariano por opção, banger de coração, marvete de carteirinha. É apaixonado por Queen e Blind Guardian. Mas também adora Iron Maiden, Judas Priest, Aerosmith, Kiss, Anthrax, Stratovarius, Edguy, Kamelot, Manowar, Rhapsody, Mötley Crüe, Europe, Scorpions, Sebastian Bach, Michael Kiske, Jeff Scott Soto, System of a Down, The Darkness e mais uma porrada de coisas. Dentre os nacionais, curte Velhas Virgens, Ultraje a Rigor, Camisa de Vênus, Matanza, Sepultura, Tuatha de Danaan, Tubaína, Ira! e Premê. Escreve seus desatinos sobre música, cinema e quadrinhos no www.observatorionerd.com.br e no www.twitter.com/thiagocardim.

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