Nightwish: o mais apoteótico disco da banda?
Resenha - Dark Passion Play - Nightwish
Por Ben Ami Scopinho
Postado em 03 de dezembro de 2007
Nota: 9 ![]()
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Saindo em versão nacional o novo CD do Nightwish, a banda que gerou tantos comentários nos últimos tempos pelo fato de dispensar sua carismática vocalista – considerada por alguns como o elemento fundamental do grupo – praticamente um ano depois de liberar o multi-platinado "Once" (04), que conseguiu a façanha de até mesmo atingir o difícil mercado norte-americano. Mas, considerando que o responsável pelo conjunto chegar ao ponto em que está é na realidade o compositor e tecladista Tuomas, então boa parcela do público nem se preocupou tanto assim com a saída de Tarja Turunen. Era só aguardar os acontecimentos, mesmo que com certa ansiedade.

E quanto à sucessora de Tarja? Bom, a sueca Anette Olzon (ex-Alyson Avenue) possui seu próprio estilo, fazendo com que o Nightwish não traga mais aquela marcante característica vocal que foi um dia tão apreciada. Sua voz é suave, agradável e versátil, mas o que realmente conta aqui é que "Dark Passion Play" é um trabalho tão complexo que a cantora, assim como qualquer outro músico, nada mais é do que uma simples peça que se encaixa a outras peças, sempre visando à obra como um todo. Ou seja, são músicas com certa preocupação em não se afastar da arte propriamente dita, mesmo sendo um produto de consumo.
"Dark Passion Play" é, com certeza, o mais apoteótico disco já elaborado pelo Nightwish, com parte de sua gravação realizada no Abbey Road Studios de Londres, além de o grupo ter a oportunidade de contratar a London Session Orchestra, o Metro Voices Choir, um coro gospel e diversos músicos irlandeses, resultando em nada mais, nada menos, do que o mais caro álbum já produzido por um conjunto finlandês até hoje. E isso tudo rendeu frutos, pois atingiu disco de platina em apenas três dias, isso somente em seu país natal.
Muito do que se escuta aqui é algo que sempre foi oferecido com muita classe ao público. Agora imagine tudo isso catalisado com a pompa de corais e orquestrações em doses generosas... Então, mesmo sendo um desenvolvimento óbvio de "Once", o fato é que este novo disco traz muitas características distintivas e até mesmo únicas. Embora muito da faceta metálica apresentada frequentemente em seus trabalhos anteriores tenha ficado em segundo ou terceiro plano, é inegável que há arranjos realmente pesados e tensos por aqui, intercalados a outros bastante acessíveis, momentos com toda a sensibilidade típica de Tuomas que poderiam se encaixar tranquilamente em trilhas sonoras de inúmeras produções cinematográficas.
O repertório é diversificado e muito consistente em sua mescla de distorção e melodias – "Amaranth" ficou ótima! – com a banda aparentemente não se importando (muito) com a pressão do mercado por canções de fácil assimilação, tanto que a abertura "The Poet And The Pendulum" é uma viagem que beira os 14 minutos e dividida em três etapas, repleta de orquestrações e coros, encerrando as expectativas de como será a voz de Anette, que conta com o apoio do baixista Marco Hietala fazendo um ótimo papel como segundo vocalista, em qualquer faixa que cante.
Há canções para todos os gostos, e várias fogem da sonoridade tradicional do Nightwish. Alguns dos pesos-pesados aparecem em "Cadence Of Her Last Breath" e "Master Passion Greed", e momentos acessíveis ficam por conta da já conhecida "Eva", bem simples para os padrões da banda, e da belíssima "For The Heart I Once Had". Há faixas inesperadas como a canção folclórica "The Islander", onde o clima gerado pelas vozes limpas de Heitala e Anette ficou magnífico, tendo como sequência uma bem encaixada fusão de Folk com Heavy Metal na instrumental "Last Of The Wilds" (mas que beleza de título, não?). A audição se encerra de forma irrepreensível com mais orquestrações e as muitas vozes de "Meadows Of Heaven".
Confesso que, mesmo estando entre os que acreditavam que o novo álbum dos finlandeses seria da mais alta qualidade, Tuomas e Cia conseguem superar as expectativas, somente fazendo aumentar o respeito que muitos sentem pelo grupo. E olha que "Dark Passion Play" já estava composto antes de se saber quem seria a nova vocalista...
Formação:
Anette Olzon - voz
Empu Vuorinen - guitarra
Tuomas Holopainen - teclados
Marco Hietala - baixo
Jukka Nevalainen - bateria
Nightwish - Dark Passion Play
(2007 - Spinefarm Records / Universal Music - nacional)
01. The Poet And The Pendulum
02. Bye Bye Beautiful
03. Amaranth
04. Cadence Of The Last Breath
05. Master Passion Greed
06. Eva
07. Sahara
08. Whoever Brings The Night
09. For The Heart I Once Had
10. The Islander
11. Last Of The Wilds
12. 7 Days Of The Wolves
13. Meadows Of Heaven
Homepage: www.nightwish.com
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