Helloween: um dos melhores DVDs dos últimos anos
Resenha - Live On 3 Continents - Helloween
Por Ricardo Seelig
Postado em 25 de novembro de 2007
Nota: 9 ![]()
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"Live On 3 Continents" registra a turnê de "Keeper Of The Seven Keys – The Legacy", álbum onde os alemães do Helloween buscaram reencontrar a sonoridade das duas primeiras partes da saga, trabalhos clássicos lançados no final dos anos oitenta e que são considerados por muitos o marco zero de um tipo de música que iria ficar conhecido, mais tarde, como Heavy Metal Melódico.
Se a banda alcançou ou não o seu objetivo, isso é assunto para outro dia. O que importa aqui é o DVD "Live On 3 Continents", e, a respeito disso, não há dúvidas: estamos diante de um dos melhores vídeos lançados nos últimos anos.
O DVD duplo, gravado em São Paulo (e com cenas também de shows em Sofia e Tóquio) no dia 25 de março de 2006, é um marco na carreira do Helloween. Digo isso porque ele é a pedra final, a prova irrefutável, o registro inegável da força de uma formação que, desde a saída dos integrantes do line-up clássico do grupo – principalmente Michael Kiske, teve que provar o seu valor e o seu talento.
Os holofotes principais, como não poderiam deixar de ser, estão sobre o vocalista Andi Deris, e ele faz o seu trabalho de tal maneira que não deixa espaço para críticas, a não ser de viúvas saudosistas. Deris canta muito, com paixão, com garra e com técnica, leva a platéia na palma da mão e, muitas vezes, fica visivelmente emocionado com a recepção dada pelo público brasileiro ao grupo.
Rogerio Antonio dos Anjos | Luis Alberto Braga Rodrigues | Efrem Maranhao Filho | Geraldo Fonseca | Gustavo Anunciação Lenza | Richard Malheiros | Vinicius Maciel | Adriano Lourenço Barbosa | Airton Lopes | Alexandre Faria Abelleira | Alexandre Sampaio | André Frederico | Ary César Coelho Luz Silva | Assuires Vieira da Silva Junior | Bergrock Ferreira | Bruno Franca Passamani | Caio Livio de Lacerda Augusto | Carlos Alexandre da Silva Neto | Carlos Gomes Cabral | Cesar Tadeu Lopes | Cláudia Falci | Danilo Melo | Dymm Productions and Management | Eudes Limeira | Fabiano Forte Martins Cordeiro | Fabio Henrique Lopes Collet e Silva | Filipe Matzembacher | Flávio dos Santos Cardoso | Frederico Holanda | Gabriel Fenili | George Morcerf | Henrique Haag Ribacki | Jorge Alexandre Nogueira Santos | Jose Patrick de Souza | João Alexandre Dantas | João Orlando Arantes Santana | Leonardo Felipe Amorim | Marcello da Silva Azevedo | Marcelo Franklin da Silva | Marcio Augusto Von Kriiger Santos | Marcos Donizeti Dos Santos | Marcus Vieira | Mauricio Nuno Santos | Maurício Gioachini | Odair de Abreu Lima | Pedro Fortunato | Rafael Wambier Dos Santos | Regina Laura Pinheiro | Ricardo Cunha | Sergio Luis Anaga | Silvia Gomes de Lima | Thiago Cardim | Tiago Andrade | Victor Adriel | Victor Jose Camara | Vinicius Valter de Lemos | Walter Armellei Junior | Williams Ricardo Almeida de Oliveira | Yria Freitas Tandel |
Mas vamos falar do show. O próprio Keeper, vestindo manto e tudo, abre a apresentação, declamando um texto que serve de introdução para a banda. O guitarrista Sascha Gerstner surge em uma das colunas do palco, tocando a introdução acústica da bela "The King For A 1.000 Years", seguido por Deris, que canta a letra e conta com uma enorme participação da platéia, principalmente no refrão. Um início de arrepiar.
Para não deixar pedra sobre pedra, o grupo toca "Eagle Fly Free" já de saída, e um dos maiores clássicos do Heavy Metal Melódico ganha uma versão irretocável. "Hell Was Made In Heaven" vem a seguir, e mostra o porque de ser considerada por muitos a melhor faixa de "Rabbit Don´t Come Easy". Excelente composição.
Com um set list focado quase que exclusivamente nas três partes de "Keeper Of The Seven Keys", o Helloween toca clássico atrás de clássico. A faixa título da trilogia, com suas belíssimas linhas vocais e inúmeras mudanças de andamento, levanta o público, que é presenteado com "A Tale That Wasn´t Right", pequena jóia do primeiro volume da saga.
Após esse início absolutamente matador, a banda dá uma trégua, e o baixista Markus Grosskopf e o baterista Dani Loble resolvem duelar em pleno palco. Enquanto Dani usa como arma o seu imenso kit, Markus toca uma bateria infantil, arrancando risos da platéia. Depois dessa pequena brincadeira, o carismático Dani mostra todo o seu talento, deixando claro o quanto a banda acertou em colocá-lo como substituto de Uli Kusch e Ingo Schwichtenberg.
O restante da formação retorna ao palco para executar os hits "Mr Torture" e "If I Could Fly", muito bem recebidas pela platéia, principalmente a segunda, que levanta o público.
Chega o momento de Sascha, e ele não decepciona, mostrando-se muito carismático e levantando a platéia com seu solo. Mais uma vez a banda mostra o quanto o clima interno está ótimo, com o baterista Dani Loble empunhando uma mini-guitarra e duelando com Sascha. Risos garantidos do lado de cá.
A parte final do show tem início com "Power", uma das canções mais emblemáticas do Helloween, e que com o passar dos anos ganhou cada vez mais força, e hoje figura, sem dúvida alguma, entre os grandes clássicos dos alemães. A obrigatória "Future World" fecha a primeira parte do show, e, como você deve imaginar, deixa o público em transe coletivo, em estado de êxtase.
Após um brevíssimo intervalo, o Helloween volta ao palco com "The Invisible Man" e "Mrs God", que, apesar de serem executadas com perfeição pela banda e contarem com uma participação considerável do público, na minha opinião, apesar de serem boas composições, acabaram sendo encaixadas no lugar errado do set. As duas poderiam, e deveriam, estar no set list, mas nesse momento, após o catarse provocada por "Future World", são meio que um balde de água fria na platéia. No seu lugar, poderiam entrar mais alguns clássicos da primeira fase da banda e que foram deixados de fora, como a ótima "How Many Tears", por exemplo.
Fechando o show, o Helloween entrega o que o povo quer ouvir, com "I Want Out" e "Dr Stein", que só ratificam o quanto às canções dos dois primeiros volumes dos "Keepers …" eram boas e sobreviveram ao teste do tempo.
Individualmente, como já disse antes, o destaque é Andi Deris, que canta muito bem e transpira emoção em todas as faixas. A postura de Markus Grosskopf no palco também merece destaque, uma mistura entre atitude rock and roll e muito bom humor. Gostaria de citar também o guitarrista Sascha Gerstner, bastante talentoso e que serve de contraponto ao já veterano Michael Weikath, que em muitas partes do show parece estar de saco cheio de tudo.
No disco dois, destaque absoluto para "Halloween", gravada ao vivo na República Checa, e que poderia estar no set list principal. Neste disco há também um roadmovie com a banda, entrevistas e os vídeos de "Mrs God" e "Light The Universe".
Uma idéia legal que a banda teve, dentro do conceito central do DVD ("Live On 3 Continents"), é que, durante o show principal, gravado em São Paulo, várias canções podem ser assistidas também em apresentações gravadas em Sofia, na Bulgária, e em Tóquio, no Japão. Bem original, mostrando as diferentes atmosferas de cada um dos shows. Uma pequena ressalva: não sei se era algum problema no meu DVD player, mas sempre que eu selecionava essa opção demorava muito para a imagem entrar, o que dava uma quebrada no clima.
Finalizando, devo dizer que não esperava muito desse DVD, e, talvez por causa disso, ele tenha me surpreendido tão positivamente. O show é ótimo, o set list é matador (não acho que tenha canções longas demais, como algumas pessoas andaram reclamando), a banda está em perfeita harmonia, tocando com muito tesão e garra durante toda a apresentação. Um ótimo lançamento, daquele que é, com certeza, um dos mais importantes e influentes grupos da história do Heavy Metal.
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