Resenha - Burden of Truth - Circle II Circle

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Por Maurício Dehò
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Nota: 7

O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.


Ainda bem que os órfãos do Savatage agora têm o Jon Oliva’s Pain. Porque se dependesse da evolução do Circle II Circle, a coisa estaria um pouco complicada. Depois de “Watching in Silence”, de 2003, e “The Middle of Nowhere”, dois anos mais tarde, chegou a vez da banda liderada pelo vocalista Zachary Stevens lançar seu terceiro álbum, “Burden of Truth” (Rock Brigade/Laser Company). Um detalhe importante é que pela primeira vez o grupo alçoou um vôo solo para compor suas músicas, sem Jon Oliva dando uma mãozinha e Zak assinando ou co-assinando quase todas as faixas.
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Com toda a pompa de ser um disco baseado em livros como “Código da Vinci”, de Dan Brown, e “O Santo Graal e a Linhagem Sagrada”, de Michael Baigent, e toda aquela polêmica sobre herdeiros de Jesus Cristo e etc, o que se ouve musicalmente não é tudo o que se poderia (e deveria) esperar. E por um misto de razões, que passam pelo fato de o grupo, formado ainda por Andrew Lee e Evan Christopher (guitarras), Paul Michael Stewart (baixo/teclado) e Robert Drennan (bateria), não soar pesado e grandioso quanto poderia e até pelo fato de Stevens não usar sua voz daquele modo que o fez famoso no Savatage.

O próprio início já não é muito animador. “Who Am I To Be?” mistura partes acústicas, com violão e piano (sim naquele estilinho Savatage de ser), e plugadas num ritmo que não se decide muito. Enfim, uma faixa que podia dar lugar a uma abertura que pegasse, prendesse a atenção. Não que o álbum só tenha maus momentos. A segunda música, por exemplo, “A Matter of Time”, tem bons riffs e um ótimo refrão e é um dos pontos altos do CD.

No entanto, a produção comandada pelo próprio Stevens e co-produzida pelo renomado Jim Morris, é muito redonda, falta peso, agressividade e em muitos momentos se percebe que é aquilo que as músicas pedem. Mesmo Zak, com sua voz que sempre marcou desde o início dos anos 90, tem apenas espasmos de brilho e nem se dá ao trabalho de tentar aqueles agudos fantásticos dos tempos de “Handful of Rain” e outros.

Outro exemplo destas faixas que se perdem e ficam mornas é “Revelations”: riffs mais pesados, bateria quebrando e... um refrão que decepciona. Mas logo depois, enfim um suspiro de alívio, com a boa “Evermore”. Rápida, com uma levada no baixo e muitas variações, ela ainda usa de efeitos, com um bom resultado. Ou ainda “Sentenced”, com uma das melhores interpretações de Stevens no álbum.

Ao fim de seus 50 minutos em 11 faixas, a impressão que fica é realmente que faltou algo. Não é talento, é óbvio, porque isso Zak já mostrou a tempos e sua banda não compromete. Talvez ele ainda peque um bocado nas composições. Mas falta vontade, garra para fazer com que aquelas músicas brilhem. Tomara que tenha sido só um passo em falso e que o Circle II Circle melhore na próxima.

Track List:
1. Who Am I To Be?
2. A Matter Of Time
3. Heal You
4. Revelations
5. Your Reality
6. Evermore
7. The Black
8. Messiah
9. Sentenced
10. Burden Of Truth
11. Live As One

Formação:
Zachary Stevens – vocal
Andrew Lee – guitarra
Evan Christopher – guitarra
Paul Michael Stewart – baixo e teclado
Robert Drennan – bateria

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Sobre Maurício Dehò

Nascido em 1986, é mais um "maidenmaníaco". Iniciou-se no metal ao som da chuva e dos sinos de "Black Sabbath", aos 11 anos, em Jundiaí/SP. Hoje morando em São Paulo, formou-se em jornalismo pela PUC e é repórter de esportes, sem deixar de lado o amor pela música (e tentando fazer dela um segundo emprego!). Desde meados de 2007, também colabora para a Roadie Crew. Tratando-se do duo rock/metal, é eclético, ouvindo do hard rock ao metal mais extremo: Maiden, Sabbath, Kiss, Bon Jovi, Sepultura, Dimmu Borgir, Megadeth, Slayer e muitas, muitas outras. E é de um quarteto básico que espera viver: jornalismo, esporte, música e amor (da eterna namorada Carol).

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