Resenha - Speak Of The Dead - Rage
Por Ricardo Seelig
Postado em 05 de julho de 2006
Nota: 10 ![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
A música é, sem sombra de dúvida, a forma de arte mais apaixonante que existe. Acessível a todos, é capaz de levar mente e corpo em experiências inesquecíveis e transformadoras. Chegar em casa, abrir um CD, colocá-lo no player e ouvir até onde a imaginação de nossos artistas preferidos foi capaz de ir é maravilhoso.
Rage - Mais Novidades
O novo álbum do Rage, "Speak Of The Dead", é um exemplo claro disso. A evolução pela qual a banda liderada por "Peavy" Wagner vem passando nos últimos anos é uma das mais impressionantes da história do heavy metal. O power metal vigoroso de tempos atrás deu lugar a uma sonoridade intricada, técnica e cheia de energia, com enormes influências de música clássica, sem perder em nenhum momento o peso que sempre marcou a música do grupo.
Este desejo em unir o rock e o metal à música clássica, levando os dois gêneros até o limite da criatividade dos músicos e compositores, nunca alcançou frutos dignos de nota. As tentativas furadas do Metallica e do Scorpions, por exemplo, só serviram para dar novas roupagens a velhos hits, empurrando novas versões de seus clássicos garganta abaixo dos fãs. Enquanto grupos como o Deep Purple primaram muito mais pela originalidade e ineditismo da fusão do que pelo resultado alcançado, bandas como Blind Guardian e Rhapsody desde sempre pensaram e desenvolveram arranjos épicos influenciadíssimos pelas idéias de inúmeros compositores clássicos. Mas, em nenhum dos casos citados, esta união soou tão orgânica, tão grandiosa, tão competente, como a que ouvimos neste novo álbum do Rage.
Em um gênero tão populoso, e em certos aspectos, tão saturado como o heavy metal, a expressão elaborada por Charles Darwin no século XIX soa mais forte do que nunca. Só os fortes sobrevivem, só quem tem talento será lembrado, apenas os que não tem medo de experimentar terão o seu lugar assegurado na história. Peter "Peavy" Wagner, Victor Smolski e Mike Terrana acabaram de conquistar o seu com "Speak Of The Dead".
O álbum é dividido em duas partes distintas. A primeira, a incrível "Suite Lingua Mortis", é apresentada em oito partes, e mostra até onde vai a capacidade criativa do grupo. Nela, o principal destaque é a coesão absurda entre o grupo e Orquestra de Minsk. Quem encara a música não apenas como um elemento de lazer e entretenimento, mas como uma forma de expressão e arte, ficará de queixo caído. Arranjos fascinantes, andamentos surpreendentes e, por mais que eu tente encontrar novos adjetivos, ficaria horas tentando colocar em palavras tudo o que esta primeira parte de "Speak Of The Dead" me fez sentir.
A segunda apresenta um Rage mais tradicional, executando com perfeição o heavy metal que o conduziu à fama. Músicas com andamentos rápidos, riffs despejando peso e o vocal primoroso de "Peavy" trazem um grande sorriso ao rosto de qualquer headbanger. "No Fear", "Soul Survivor", "Kill Your Gods" e "Speak Of The Dead" são os títulos de algumas faixas que figurarão desde já entre as preferidas dos fãs.
O grupo transpôs este cuidado com as composições também para a parte gráfica do disco. A capa e todo o encarte apresentam uma direção de arte que salta aos olhos, e que torna ainda mais completa a experiência de ouvir o álbum.
Não sei o que o futuro preparou para o Rage. Não sei para onde o talento destes três músicos fantásticos pode levá-los daqui para frente. Mas uma coisa está bem clara: em "Speak Of The Dead" o grupo atingiu o seu topo criativo até o momento e gravou não apenas o seu melhor álbum, como também um dos melhores discos de heavy metal da última década.
Sem exagero algum, um trabalho que já nasce clássico e obrigatório, como poucos que ouvi em toda a minha vida.
1. Morituri te Salutant
2. Prelude Of Souls
3. Innocent
4. Depression
5. No Regrets
6. Confusion
7. Black
8. Beauty
9. No Fear
10. Soul Survivor
11. Full Moon
12. Kill Your Gods
13. Turn My World Around
14. Be With Me Or Be Gone
15. Speak Of The Dead
16. La Luna Reine
Outras resenhas de Speak Of The Dead - Rage
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



Os cinco maiores discos progressivos dos anos sessenta, segundo site britânico
As 7 maravilhas do mundo do heavy metal e como conhecê-las
A banda de metal que Jerry Cantrell considera a maior e melhor de todos os tempos
Em outubro, Iron Maiden inaugura em São Paulo a "Eddie's Emporium Experience Store"
Para conceituado escritor, Metallica está sofrendo de "síndrome de Iron Maiden"
O lendário vocalista que teve o dedão amputado por um anão de jardim no quintal
Veja show do Capitão Kirk cantando "Ace of Spades", "Crazy Train", "Enter Sandman" e outras
O corpo esquartejado encontrado no estúdio que acabou em música do Guns N' Roses
A música do The Cure que decepcionou Robert Smith ao virar seu maior sucesso
Sepultura, Titãs e Luiz Caldas levam o peso do rock ao Altas Horas deste sábado
Amanda Somerville diagnosticada com tumor cerebral maligno e agressivo
Shows no Brasil que encerraram ciclos em carreiras de bandas internacionais
A melhor música de rock de cada ano entre 2010 e 2019, segundo a Loudwire
As seis músicas mais importantes do Judas Priest, segundo K.K. Downing
A música do Oasis que Noel Gallagher considera a sua "Hey Jude"
Experiente, Tobias Forge do Ghost dá sua opinião sincera sobre Crypta e Fernanda Lira
Eloy compartilha história contada por Shawn sobre a influência do Sepultura no Slipknot
Heavy Metal: estressante, perturbador e faz mal ao coração?

Peavy passará por nova cirurgia e Rage cancela compromissos restantes de 2026
Black Sabbath: Born Again é um álbum injustiçado?



