Resenha - Best Of 90 99 - Yngwie Malmsteen
Por Maurício Gomes Angelo
Postado em 25 de maio de 2005
Nota: 8 ![]()
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Deixemos de lado toda a relação conflituosa de nosso Mr. Ego com a imprensa e os músicos com os quais trabalhou, é preciso ter em mente que independente de qualquer coisa, Yngwie Johann Malmsteen é um deus da guitarra, revolucionou o instrumento e transformou a música a partir de então. Se o sueco tornou-se um ególatra em decorrência disso, ele tem motivos para esta postura, mesmo que seja nefasta para sua própria carreira e vida pessoal. Pense nas dezenas de músicos presunçosos que você conhece e que não possuem argumentos para tal, ridículo por ridículo este último exemplo é pior. E é ainda mais patético a crítica deixar-se influenciar pela personalidade de Malmsteen, vindo a espinafrar seus álbuns em virtude disso. Qualquer um com o mínimo de sobriedade é capaz de reconhecer que YJM lançou ótimos álbuns na década de 90, "The Seventh Sign" e "Facing The Animal" entre eles. Sendo esta a época que a presente coletânea trata.
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Fazer uma compilação deste período, portanto, não é uma má idéia, ou melhor, não seria. Seria muito bom se a seleção das músicas fosse fiel ao título (90-99), já que não temos nenhuma música dos álbuns "Eclipse" (1990) e "Fire & Ice" (1992) e se também não tivesse sido lançada uma outra coletânea nos mesmos moldes anteriormente, a sugestiva "Anthology 1994-1999".
Pior, das 14 músicas deste "The Best Of", 9 estão neste "Anthology". De inédito mesmo em coletâneas temos "Voodoo" do Magnum Opus, "Facing The Animal" do álbum de mesmo nome, "Gates Of Babylon", cover do Rainbow retirado do ao vivo no Brasil e duas instrumentais, "Blue" do "Alchemy" e "Cavalino Rampante" do "Concerto Suite For Eletric Guitar And Orchestra In e Flat Minor Op. 1 - Millennium", ufa! Esta última traz o tradicional estilo neo-clássico ultra-veloz e refinado de Malmsteen, possuindo muito feeling sim senhor! Sendo um ótimo exemplo do que ele mais gosta de fazer: concertos solistas de movimento allegro.
Apesar dos pesares, o sueco sempre recrutou excelentes vocalistas para acompanhá-lo e nesta coletânea podemos ter o prazer de ouvir algumas das melhores vozes do hard/heavy mundial: Michael Vescera, Mats Léven e Mark Boals. Os destaques são as pauladas "Never Die", "Vengeance" e "Facing the Animal", a clássica lacrimejante "Rising Force" e as duas instrumentais citadas, além de "Gates Of Babylon" – executada dignamente – e o curioso cover do Abba (nem tanto se considerarmos que eles foram uma das bandas suecas mais conhecidas da história e já tiveram músicas vertidas para o rock anteriormente) "Gimme, Gimme, Gimme", transformada num hard rock up-tempo altamente festeiro.
Sempre me surpreendente a incompetência em montar uma coletânea, pois escolher as melhores músicas (não necessariamente as mais famosas), dar um encarte decente e aproveitar ao máximo o espaço de 80 minutos de um cd não exigem grande esforço e me parecem regras básicas para este tipo de coisa. Engraçado como a maioria negligencia tudo isso. Se não me engano esta é a terceira coletânea de Yngwie, sendo duas da década de 90 e uma ("The Collection" de 1991) cobrindo os anos oitenta. Em vez dessa algazarra toda deveria ter sido lançada uma coletânea dupla de acabamento luxuoso englobando toda a carreira deste guitar hero. Isso ao invés de álbuns esporádicos com alguma mísera musica inédita visando sugar o dinheiro dos fãs. Não se enganem, a nota ganha é meramente pela qualidade indiscutível das composições, não pela iniciativa de lançar este álbum. Compre somente se for um daqueles fãs hardcore-doentios ou se não tiver nada dele e quiser conhecê-lo. E que venha o novo de estúdio!
Site Oficial: http://www.yngwie.org
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