Resenha - One Way Out - Allman Brothers
Por Nelson Endebo (O Capiroto Sabe!)
Postado em 23 de dezembro de 2004
A Banda dos Irmãos Allman poderia muito bem ser chamada de Escola de Blues dos Irmãos Allman, tantos foram os músicos que por ela passaram nesses quase quarenta anos de vida. E escolas, você sabe, são instituições. A Allman Brothers Band é a autoridade suprema do blues rock mundial, com o talento especialíssimo de soar única – nem seus imitadores conseguem chegar perto. A receita é aparentemente simples: pegue o blues de raiz, misture-o à sonoridade marcante do country, unte a massa com grandes instrumentistas e adicione, por fim, doses cavalares de emoção. Com o bolo pronto em mãos, os Allman não o esperam esfriar; quente, a receita rende muito mais. Em outras palavras, pouco, muito pouco, é pensado, ensaiado, escrito ou revisado. A perfeição de sua arte consiste simplesmente em tocar. E isso, meu amigo, de simples não tem nada.
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A dimensão épica de suas criações – curiosamente, suas recriações têm sempre características que as fazem soar como novas composições – é condizente com sua história: dos Irmãos Allman que nomeiam a banda/escola, somente o vocalista e organista Gregg Allman restou da formação original; o brilhante guitarrista Duane Allman, irmão de Gregg, morreu em um trágico acidente automobilístico em 1971. A tragédia, no entanto, continuou no ano seguinte, com a morte do baixista Berry Oakley, em circunstâncias assustadoramente parecidas com as do guitarrista. A banda, no entanto, seguiu em frente, produzindo discos excelentes, como "Brothers and Sisters" e marcando, com chapa de ferro quente, performances ao vivo que se tornariam lendárias, como as registradas em "Wipe the Windows, Check the Oil, Dollar Gas" e que, ao longo dos anos, revelariam ser seu grande trunfo. Poucas bandas no planeta sabem fazer show como a Allman Brothers Band. E "One Way Out – Live At The Beacon Theatre", lançado em 2004, é mais uma prova indelével da qualidade indescritível da banda em cima de um palco.
Atualmente formada pelos guitarristas Warren Haynes e Derek Trucks, o baixista Oteil Burbridge (que entrou recentemente às fileiras, ocupando o lugar do falecido baixista – e olhe a tragédia novamente - Allen Woody), os bateristas (sim, são dois!) Jaimoe e Butch Trucks, tio de Derek, e o percussionista Marc Quinones, além de Gregg Allman, é claro, a banda registrou as duas apresentações realizadas no Beacon Theatre, em Nova York, na turnê de divulgação do clássico imediato "Hittin’ The Note", lançado no ano passado (nos EUA, obviamente – aqui no Brasil fica ainda mais fácil de associar os discos da banda ao termo "tesouro").
"One Way Out" é o documento desses shows, um álbum duplo imperdível para qualquer fã de música. Nele, se sobressaem as guitarradas certeiras de Haynes, um dos principais guitarristas da atualidade, não só pelo trabalho com a ABB, como também pelo realizado com o Gov’t Mule, banda da qual é o líder. Derek Trucks, um moleque com 20 e poucos anos, é um monstro na guitarra slide, da qual extrai timbres e sonoridades fumegantes em solos desconcertantes, tanto em exercícios solitários como nos duelos com Haynes. O lendário Dickey Betts, ex-guitarrista, co-fundador e autor de algumas das grandes canções da banda, não faz falta: missão cumprida. Os arranjos sofisticados da banda aparecem em todo o seu esplendor, como se pode notar nas incursões jazzísticas em "Desdemona" e a fantástica jam de "Instrumental Illness". As baladas apoteóticas, especialidade da casa, surgem com beleza rara na interpretação emocionada de Gregg Allman, dono de um timbre de voz único e a dádiva de cantar as canções com o coração na boca, sem medo de parecer ultrapassado ou piegas. O feeling, esse templo tão maltratado por línguas e palavras ao redor do mundo, aparece aqui em sua essência. Uma aula a que você precisa assistir! Não mencionei que a banda poderia se chamar Escola de Blues dos Irmãos Allman? Faz muito sentido!
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