Resenha - Listen Without Distraction - A Tribute To Kyuss
Por Álcio Villalobos (Planeta Stoner)
Postado em 15 de setembro de 2004
Olha... Como é que eu posso dizer isso... Assim:
O Kyuss talvez seja uma das bandas mais importantes de todos os tempos.
O Kyuss é acima de uma simples resenha.
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O Kyuss trouxe de volta todo aquele peso e garra perdidos pelos anos 80 bunda-mole e cabelos com laquê.
O Kyuss foi e sempre será, independentemente da vontade de seus integrantes e fãs, o maior representante do que se veio chamar posteriormente de "stoner rock".
Enfim, já deu pra entender a importância do quarteto? Ainda não? Pois bem, não me resta outra maneira de explicar "o que é Kyuss" senão pedindo que vá ouvir os quatro discos que deixaram como legado.
Este tributo causou muita expectativa na comunidade "stoner", eles sabiam que não escapariam de um julgamento cruel e impiedoso. Qualquer versão, mudança, adição, seria questionada e colocada na mesa para uma dissecação sem anestesia.
E assim foi... por mais boa vontade que tenhamos em dizer que a proposta foi boa, que a iniciativa é louvável e que as bandas prestam uma homenagem ao grande Kyuss, não há como não analisar com a visão de fã, e o "fã" diz: Kyuss é incoverizável. Quer a prova? Pegue este tributo:
Cygnus – Thumb: Mais próxima da original, mas sem o mesmo elemento "espiritual" e dinâmico. "Thumb" sem o peso descomunal, não é "Thumb".
Avernal – Green Machine: Vocal gutural com Kyuss não rola.
Melissa – One Inch Man: Tranformaram a pobre música num new metal de dar nojo.
Sendero Luminoso – Love Has Passed Me By: o hardcore nervoso do primeiro disco do Kyuss virou uma super baladona. Tudo bem, deram sua versão, mas não adianta, acabaram por destruir a música.
Taura – Writhe: Outra música pesadíssima, porém com vocal viajandão, grave e tranqüilo. Tudo isso não é contrado na versão do Taura, que carregou na gritaria e na falta de noção dinâmica da música, que é lo-fi.
Los Natas – Allen’s Wrench: "Óia", o Los Natas andou se especializando em fazer covers esquisitos ultimamente (exemplos disto: Brainstorm e Paranoid), e aqui não é exceção. Ficou bacana. Mas esperava mais, não me convenceu.
Buffalo – Odyssey: Não mudou uma vírgula da original. Se não fede, também não cheira.
Cruz Diablo – 100°/Whitewater: Medley bacaninha, se não fosse pela voz do vocalista do Cruz Diablo. A parte de 100° é legalzinha, já em "Whitewater" fica no meio entre metal, grunge e chato pacas.
Superextra – Space Cadet: Certa vez, um dos integrantes do Kyuss disse em uma entrevista que "Space Cadet" era para ser elétrica, mas na hora rolou apenas o violãozinho. Não sei se o pessoal do Superextra sabia disso, mas de certa forma dá ao fã do Kyuss uma idéia de como seria, se fosse plugada. Melhor versão do disco.
Sauron – Phototropic: Sem comentários: chata demais com vocal mala.
Sick Porky – Demon Cleaner: No começo você jura que é o Scorpions do Fly To The Rainbow, ou o Iron Maiden, mas depois entra o velho riff clássico e fim... botaram umas viagens desnecessárias nas estrofes que destruíram com a música.
Sereen – Supa Scoopa And The Mighty Scoop: Outra que inventaram moda e se estreparam. Violãozinho em "Supa Scoopa" é sacanagem.
Sunferno – Gardenia: Outra que não fede e nem cheira.
Poseidotica – Asteroid: Fiel à original, apenas com alguns detalhes psicodélicos diferentes.
Regular Xon – El Rodeo: Conseguiram a façanha de deixar a música techno. Devem queimar no inferno por conta disso.
Gallo De Riña – Spaceship Landing: Pra tocar esta música, tem que comer muito feijão. E o Gallo De Riña ficou só na esperança de fazer uma versãozinha bacana, pois ficou sem peso e cheia de gritos desnecessários.
Por que então a música do Kyuss é incoverizável? Bem, você leu: se mudar, leva pau, se tocar igual, leva pau. Só vi isso até hoje em bandas como Beatles e Zeppelin, e agora com o Kyuss.
Tudo bem, talvez você diga "garanto que se o tributo fosse com nomes conhecidos da cena, ele diria outra coisa", pode até ser, afinal de contas, as bandas que fazem parte deste cd são claramente amadoras (excetuando alguns casos, como Los Natas e Buffalo). Mas o que importa aqui é que a proposta e iniciativa toda foram válidas. Resta demonstrado que não dependemos apenas de gravadoras gringas para fazer alguma coisa se tiveres vontade e senso profissional.
Gravadora: Dias de Garage
Ano: 2004
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