Resenha - Unweaving The Rainbow - Frameshift

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Por Bruno Coelho
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Nota: 10


Nota: Pode ser 100?

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Como já foi previamente ventilado na Whiplash, este é um projeto do alemão Henning Pauly, cidadão que escreveu e gravou quase tudo (menos as vozes e a bateria) neste álbum, faz parte da banda de prog rock Chain e é irmão do baterista do álbum, Eddie Marvin. Obviamente seria impossível levar a cabo um projeto de 80 minutos sem a ajuda de várias pessoas. Bom, esteja certo de que várias outras pessoas colaboraram tanto durante a gravação e produção quanto durante a composição do álbum. Nik Guadagnoli, outro multiintrumentista e amigo de Henning ajudou bastante na composição das músicas e chegou a adicionar guitarras e baixos em algumas faixas. James LaBrie também contribuiu com a criação de algumas linhas de vocal. No final das contas, o que parece o projeto de um homem só, acaba se mostrando um pesado trabalho de equipe no qual, claro, o trabalho maior foi de Pauly.

Já havia também sido dito que o trabalho é baseado nas obras de Richard Dawkins, famoso Darwinista contemporâneo que trata da teoria da evolução e do papel da ciência em nossa sociedade. Este conceito é desenrolado e mostrado por 15 faixas ligadas através do conceito central, sendo todas possuidoras de coerência suficiente para tornar-se independentes.

O que acho que não deve ter sido explicado é que este é um álbum para quem teve a cabeça aberta o suficiente para gostar do Burn The Sun do ARK - um dos mais fantásticos álbuns que já escutei. Claro que os dois álbuns não são idênticos musicalmente, nem em conceito lírico, mas a essência prog-rock é análoga, o espírito musical é próximo.

Quem gosta de Prog Metal pura e exclusivamente pode não se agradar deste trabalho. Pode até achar muito bem tocado mas muito meloso, muito pop, muito ruim! Pode vomitar no encarte azul-claro! Pode até gritar:

- "Álbum de capa azul bebê?!? CADÊ O PRETO? O VERMELHO? AZUL É GAY!"

Bom, não lembro de ter lido Symphony X, Dream Theater ou Evergrey na capa do cd, portanto tratei de abrir bem a cabeça e posso dizer que, até como um grande fã de Death/Black, este é um álbum incrivelmente bem feito, onde nada está fora de lugar. Nem mesmo o vocal, como alguns sugeriram. Aliás, o vocal é justamente o que MAIS ESTÁ NO LUGAR! Alguém comparou LaBrie com Paulo Ricardo. Bom... não preciso comentar, né? Foi brincadeira de quem disse isso.

Esteja, caro leitor, preparado para escutar neste álbum, passagens acústicas, alguns sintetizadores bem colocados e toques de modernidade que não são bem vindos aos mais radicais, mas que (posso até jurar) foram apresentados com bom gosto. Não consigo nem lembrar de tanto bom gosto junto em outros álbuns de prog recentes além do já citado Burn The Sun.

E como todos nós gostamos de saber os destaques do disco, digo sem medo, que The Gene Machine é uma das melhores faixas que já escutei. Moderna sem soar vendida, rápida sem ser descontrolada e o que poucas músicas nos dias de hojes conseguem ser: bonita!

River Out Of Eden mostra brilhante passagem de baixo e bateria e um refrão, no mínimo, cativante.

Massage From The Mountain possui uma dose cavalar de criatividade além da mais brilhante performance de LaBrie desde o Metropolis Part II - Scenes From A Memory. Esta música, por si só, vale o disco inteiro!

A boa Your Eyes é daquelas que encanta pela melodia óbvia mas paradoxalmente surpreendente, lembrando TUDO menos Goo Goo Dolls...

E eu posso continuar assim, nesse mesmo ritmo e vou acabar destacando todas as próximas: a bela e emocional La Mer, Nice Guys Finish First com suas levadas enebriantes, a boa Arms Races onde mais uma vez a bateria se destaca... por aí a gente vai até o fim do disco sem que uma única faixa apresente-se como descabida ou incoerente... um trabalho realmente louvável de Henning pauly e que me deixou curioso para conhecer sua banda Chain!

Um disco obrigatório para os fãs de Dream Theater pela grande performance de LaBrie e pela qualidade da música aqui apresentada. Quem gosta de Liquid Tension também irá gostar do trabalho.

Um disco recomendado para quem gosta de Prog de verdade e não apenas de Symphony X ou da vertente mais Metal do estilo (que, apesar deste comentário, é minha favorita). Esqueçam que, por que alguém disse que é prog, a banda tem que soar como sua banda de prog favorita! Nenhum destes rótulos de hoje em dia consegue abrangir todas as bandas que a mídia julga abarcadas por eles. Tenha dó!!! Na época do tal Grunge queriam me convencer que Nirvana, Pearl Jam, Soundgarden e Mudhoney soavam parecidos.

Só porque o disco foi rotulado de Prog Metal e não soa como Symphony X você vai achar o disco ruim?!? Frameshift é Frameshift. Rock com muito prog e toques de heavy. Pronto! Novo rótulo! Prog-mezzo-metal. Que tal?

Recomendado, como já disse, para quem curtiu o Burn The Sun do Ark, pra quem gosta de TOOL, pra quem quer escutar boa música enquanto espera algo realmente bom ser lançado e para músicos em geral.

Não recomendado para aqueles que realmente acham a voz de LaBrie enjoada, para quem tem a cabeça fechada como um coco, para radicais e para quem não se interessa por Prog Rock ou Prog Metal.

Unweaving The Rainbow é, ao meu ver, um dos álbuns mais brilhantemente compostos dos últimos dez anos. E digo mais: nem no Dream Theater LaBrie soa tão bem! E você, caro leitor pode SIM dizer que a voz de LaBrie é melosa... pode! Mas comparar um músico abalizado como ele ao Paulo Ricardo é ir muito longe.


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Sobre Bruno Coelho

Bruno Coelho é Arquiteto, escritor, poeta, produtor de eventos, pai, tradutor, intérprete e professor de inglês. Morou em cinco capitais brasileiras e hoje dedica-se ao árduo labor de organizar eventos na capital maranhense de São Luís. Fã do Dream Theater, Tool, Symphony X, Pain of Salvation e Evergrey, encontra espaço pra novas bandas e vertentes sempre.

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