Resenha - Extreme Aggression - Kreator
Por Sílvio Costa
Postado em 23 de agosto de 2004
Nota: 10 ![]()
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(RELANÇAMENTO – CENTURY MEDIA)
Por mais interessante que seja a fase atual do Kreator, com o lançamento do maravilhoso Violent Revolution (2001) e de Live Kreation no ano passado, é no final da década de 80 e início dos anos 90 que estão os melhores trabalhos desta banda, que, ao lado do Sodom e Destruction, integrou a sagrada tríade do thrash metal europeu há duas décadas, fazendo frente aos titãs norte-americanos do estilo (Slayer, Megadeth, Anthrax e Metallica). Depois de quase um ano prometendo soltar esse petardo, finalmente a Century Media oferece esse presente aos fãs do som agressivo e super trampado do Kreator, disponibilizando pela primeira vez no Brasil esse que é um dos melhores discos da banda e um clássico absoluto do thrash metal.

Extreme Aggression foi lançado originalmente em 1989. É o quarto full-leght do quarteto capitaneado por Mille Petrozza. De cara, a evolução musical da banda é inquestionável aqui. Por mais que Pleasure to Kill (1986) e Endless Pain (1985) sejam bons discos, é aqui que Mille destila sua fúria metálica em 9 faixas indispensáveis para qualquer fã do Kreator. A técnica apurada dos guitarristas Jörg Tritze e do próprio Petrozza é a maior responsável pelos incríveis riffs da faixa-título e de outros clássicos como "No Reason to Exist" e "Betrayer". A performance do baterista Ventor se destaca nas faixas mais rápidas, como é o caso de "Stream of Consciousness", ou nas mais cadenciadas, como ocorre na maravilhosa "Some Pain Will Last". Não sei se alguém ainda se lembra, mas foi nessa época que a banda conseguiu seus melhores resultados em termos de vendas (o disco foi distribuído mundialmente pela major Epic Records). Isso acabou ajudando a banda a excursionar por diversos lugares, passando inclusive pelo Brasil. É dessa época também o primeiro home video da banda, gravado em Berlim Oriental. A capa é meio que uma referência a outro clássico: Sabotage, do Black Sabbath (mas os resultados aqui são um pouco menos risíveis).
A produção ficou a cargo do mestre Randy Burns, famoso por ter trabalhado com muitas bandas de death metal da Florida (entre elas, o grande Death) e pode ser considerado o principal responsável pela complexidade do instrumental aqui apresentado. Mesmo já passados quinze anos desde o seu lançamento original, a fúria contida nessas músicas permanecem intactas. Obviamente, foi necessário polir um pouco mais o material para lançá-lo em CD, mas isto não significou perda de qualidade ou de potência. É o mesmo Kreator destilando sua ira que parecia saltar dos sulcos do vinil, agora apresentado em formato digital.
Não há muito que falar desse disco. É um clássico absoluto. Mesmo que a banda tenha errado a mão, lançando coisas dispensáveis na década de 90, chegando perto do fim graças aos sucessivos fracassos. Resta-nos torcer para que a Century Media continue relançando as pequenas pérolas da Noise Records, como é o caso desse disco. Se você é fã de um som pesado e sem concessões, corra atrás desse petardo.
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