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Led Zeppelin: As múltiplas faces da genial "Stairway to Heaven"

Por Ronaldo Celoto
Em 20/04/21

Algumas canções superam a perfeição. A magistral "Stairway to Heaven" é um exemplo raro de grandiosidade sublime. É como abrir o primeiro livro de sua vida e ler "No início era o verbo... e o verbo era Deus".

Suas escalas, sua poesia carregada de metáforas, seu solo arrebatador e seu final apoteótico transformam-na em um dos maiores testamentos da música em todos os tempos.

Humildemente, tentei realizar uma interpretação, tomando emprestado alguns textos que já li, algumas opiniões pessoais e um breve conhecimento de algumas correntes mitológicas e culturais para as quais PAGE/PLANT se associaram na época em que escreveram este verdadeiro hino.

A ideia é pegar versos e ir discorrendo sobre eles. Vem comigo?

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1 There’s a lady who’s sure all that glitters is gold
2 And she’s buying a stairway to heaven.
3 When she gets there she knows, if the stores are all closed
4 With a word she can get what she came for.
5 Ooh, ooh, and she’s buying a stairway to heaven.

Os cinco primeiros versos trazem menções ocultas que podem significar diferentes personalidades dentro da mitologia e dos livros místicos da história. O início, com a descrição de que "há uma senhora que está certa de que tudo que reluz é ouro", e, que ela estaria "comprando uma escadaria para o paraíso", tem, a meu ver, os elementos simbólicos difusos entre duas correntes: - A corrente teísta antidogmática, que enaltece a presença feminina do desejo e do livre arbítrio, simbolizando até mesmo a mais famosa personagem inserida nos manuscritos da demonologia, e, que, sem dar tanta importância ao fato de que seus poderes podem modificar todo um conceito existente sobre a vida de alguém, estaria oferecendo a vontade de ser o que quiser ser, longe das doutrinas da igreja romana tão massificante nos últimos séculos, e, que, esse livre arbítrio significaria "comprar" a escadaria para o paraíso, porque, qualquer pessoa que se envolva com práticas referentes à sua "oferta", teria em troca a oferenda da sua própria diaclase humana.

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Não, não necessariamente estou aqui falando de um "pacto", como muitos podem pensar. Estou trazendo uma pessoal interpretação de que o livre arbítrio baseado nas leis universais escritas pelo famoso bruxo que era obsessão literária de JIMMY PAGE e ROBERT PLANT nos anos 70, elevaria qualquer ser humano à proximidade de entidades nem tanto "simpáticas" diante das crenças cristãs.

Dito isso, o segundo significado, como já muito bem escrito em alguns textos, poderia simbolizar que essa "lady" seria YESOD, que representa o mergulho no autoconhecimento para além dos abismos "comuns" da alma, ou, até mesmo, a personagem FRIGGA, deusa-mãe da dinastia de AESIR na mitologia nórdica, esposa de ODIN, madrasta de THOR, MEILI BRAGI, VÁLI e VIDAR e mãe de BALDUR, HODER e HERMOD, é a deusa da fertilidade, do amor, do livre-arbítrio e da união do ser consigo mesmo.

Esta segunda hipótese está muito próxima do que poderia ser uma das verdades acerca destes primeiros versos, até porque FRIGGA, por ser deusa da fertilidade, do amor e do livre-arbítrio, obviamente carrega consigo o otimismo, e, com isso, a certeza de que "tudo que reluz é ouro", conforme diz o primeiro verso da canção.

Muitas pessoas dizem que esse otimismo seria uma tentação da "serpente", disfarçada de otimismo, para atrair almas à perdição eterna em troca do "ouro" de contrariar os princípios da religião, o que, a meu ver, é um pouco exagerado demais e tendente ao modismo de "demonizar" tudo que parece místico ou não compreendido à primeira vista.

A luz que mora dentro de cada um de nós é a luz da autodescoberta, do conhecimento, e, com isso, da evolução espiritual para além do que regem livros de obediência cega. Por isso, fico com a ideia nórdica de quem seria essa "lady".

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Mas, o que seria essa "Stairway"? Minha opinião é de que a escadaria possui degraus e degraus de elevação, e, no sentido de que ela levaria cada um de nós ao "Heaven" (paraíso), penso que ela simboliza um exercício crescente e ritualístico do ser humano, degrau por degrau, até atingir a consciência plena de elevação e libertação. E a libertação, nesse sentido, se traduziria com a elevação espiritual para além dos conceitos do bem e do mal.

Em seguida, quando PLANT e PAGE dizem que "if the stores are all closed...with a word she can get what she came for", novamente, duas correntes se apresentam: - A primeira, de que a mãe sagrada do oculto, a irmã da entidade diabólica descrita pela igreja católica, com um simples toque de dedos, uma palavra, consegue tudo que deseja aos olhos da pobre mortalidade humana. A segunda corrente, penso eu, é de que cada um de nós tem um brilho e um potencial tão grandioso, que somos capazes de, mesmo com todas as possibilidades e caminhos fechados diante de nós, conseguir, com nossa vontade, nossa força, nossa "word" (palavra de fé), tudo aquilo que desejarmos. Daí nasceria o propósito maior de todo ser humano, que seria atingir a iluminação, o seu próprio "self", seu próprio equilíbrio de espírito.

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6 There’s a sign on the wall, but she wants to be sure
7 ’Cause you know sometimes words have two meanings.
8 In a tree by the brook, there’s a songbird who sings,
9 Sometimes all of our thoughts are misgiven

Aqui, temos o primeiro sinal da cautela necessária para o encontro espiritual consigo mesmo. Quando PAGE/PLANT dizem "There’s a sign on the wall, but she wants to be sure...’Cause you know sometimes words have two meanings", nota-se o alerta de que símbolos escritos sobre muros (ou rituais escritos em livros, etc, etc) possuem diferentes significados para quem os acessa, e, diferentes caminhos e destinos, dependendo de como você direciona essa corrente e para qual objetivo. Exemplo: - Muitas pessoas utilizam a simbologia para prejudicar outras pessoas, e, com isso, o risco de abraçarem a lei do retorno para consigo mesmas é imenso.

Não é de hoje que todos nós sabemos que todas as ordens religiosas e iniciáticas de diferentes cultos utilizam a simbologia. Por isso mesmo, o alerta nos versos 6 e 7, aqui analisados.

Para os hindus, toda simbologia falsa que conduz à perdição leva o nome de MAYA (ilusão). No cristianismo, o desvio seria o mal. Daí o cuidado de cada um ao mergulhar em rituais e símbolos, e, para qual direcionamento utilizá-los.

Os versos 8 e 9 apresentam a "tree" (árvore) e o "brook" (riacho) onde um pássaro canoro exibe sua canção. A proximidade desta árvore foi apresentada em outros textos como sendo YGGDRASIL, que, na mitologia oculta nórdica segue o caminho da conexão entre todas as raízes do inferno até suas folhas e frutos. Nas cartas, especialmente na cultura cigana, este riacho seria o fluxo de águas correntes por onde o nosso destino corre sempre para frente, com desígnios distintos para cada carta que é virada. E o pássaro seria uma alusão a PAN, absolutamente revestido da imagem oculta, druídica, que vem induzir cada alma à perdição ou à luminescência.

Penso um pouco diferente dessa interpretação acima, e, vejo que que esta árvore é todo um arquétipo de céu e inferno juntos. Não apenas o inferno como sugerem alguns estudos. E que as águas representariam, sim, o destino de cada um de nós, e, obviamente, não só as cartas, mas búzios, elementos (cristais por exemplo), ascensões mediúnicas, profecias e todas as demais formas de vislumbrarmos nosso próprio tempo hoje e para além do amanhã, correriam como um rio, cabendo a nós aprender a nadar sobre essas águas ou afogar completamente, desviando-nos da busca original pelo equilíbrio espiritual. E o pássaro, a meu ver, representaria a elevação mediúnica, a incorporação de espíritos, cujas mensagens (obviamente representadas em forma de canção porque PAGE/PLANT eram músicos) ecoariam dentro de nós como uma música para aquietar a alma. Mas, é minha opinião apenas, que estou a compartilhar com vocês, amigos fãs da boa e verdadeira música.

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10 Ooh, it makes me wonder,
11 Ooh, it makes me wonder.

Essa reflexão quando PAGE/PLANT dizem "it makes me wonder", tem a pureza de um recém iniciado que maravilha-se com tudo que começa a descobrir sobre a fé, a vida, seu espírito e os diferentes caminhos do autoconhecimento, na minha opinião. E no caso em cerne, estamos a destacar uma época em que os dois principais compositores do LED ZEPPELIN mergulharam muito além da normatividade em estudos ritualísticos, práticas, lugares, obras literárias e elevações pessoais.

Para muitos, essa repetição presente em alguns trechos da música dizendo "it makes me wonder" pode avisar sobre as tentações e desejos que uma alma sente para mergulhar além do caminho "permitido" pelas religiões. Talvez sim, talvez não. Quem sabe.

12 There’s a feeling I get when I look to the west,
13 And my spirit is crying for leaving.
14 In my thoughts I have seen rings of smoke through the trees,
15 And the voices of those who stand looking.

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Adentramos então, nos versos 12 a 15. Veremos a menção ao "olhar para o oeste" e o sentimento causado por esse olhar, que faz com que o espírito chore em busca da libertação.

Na seara dos Illuminatti, nos portais da Rosacruz, nos rituais iniciantes da feitiçaria e da magia, o "oeste" é traduzido como sendo "profano", o mundo comum preso ao sendo religioso e ao medo de ser quem quiser ser. E nesse sentido, o oriente, com sua mitologia que paira desde o hinduísmo, o budismo, o taoismo, além das doutrinas celtas, druidas, nórdicas e folclóricas, surgem como uma luz maravilhosa para a alma de quem quer se livrar do mundo como ele é e buscar Deus para além de livros, mas, principalmente, dentro de si mesmo e através de rituais que permitam exercer contato com o mundo sobrenatural, no sentido das entidades que irão nos guiar para a evolução.

E essas "voices of those who stand looking" sobre os "anéis de fumaça por entre as árvores", obviamente, traduzem o contato com os espíritos dos ancestrais. No xamanismo e no espiritismo kardecista, na umbanda, candomblé, entre tantos, os anéis de fumaça representam metaforicamente nessa canção o círculo por onde os iniciados se comunicam com essas entidades. Preferencialmente, essa iniciação deveria se dar ao ar livre, perante a natureza, daí o chamado para os próximos versos onde PAGE/PLANT apresentam a figura do "piper" (flautista). Vamos a eles.

16 Ooh, it makes me wonder,
17 Ooh, it really makes me wonder.

Aqui, a repetição já mencionada sobre o iniciado maravilhar-se com o que é novo e está trazendo uma nova realidade para o seu autoconhecimento.

18 And it’s whispered that soon, if we all call the tune,
19 Then the piper will lead us to reason.
20 And a new day will dawn for those who stand long,
21 And the forest will echo with laughter.

Note que, dos versos 18 a 21, há uma convocação de PAGE/PLANT para que nós entoemos uma canção (obviamente, mantras ou toques), e, dessa forma, o "flautista" nos conduzirá a razão. Aqui, enxergo em PAN a figura desse flautista, e, no sentido do ocultismo, o caminho para a libertação pessoal. Libertar-se, para PAGE/PLANT, significa dizer não às doutrinas que enraizaram religiões e assassinaram milhares de pessoas que tinham dons especiais, e, por isso, eram queimados vivos. Libertar-se significa dizer que "Deus está dentro de mim" e "eu escolho que direção devo tomar para o meu equilíbrio".

É claro que muitas pessoas pegaram carona nessa interpretação dizendo que a única fonte de razão para libertação era negar JESUS CRITSO e abraçar a novidade que tanto permeava a mente de PAGE/PLANT naquela época, especificamente nos rituais e livros do mais famoso bruxo inglês e dos manuscritos ocultos que negavam a igreja como fonte de crescimento. Mas pessoalmente, eu enxergo algo não tão pesado. Vejo mais dois grandes músicos de uma das maiores bandas da história a doutrinarem seus pensamentos em forma de música para dizer que a libertação está dentro de nós. E que existem novas formas de fé, de espiritualidade, de incorporação de entidades e de contato com o mundo dos espíritos que estão escondidos em livros e evocações que as religiões mais comuns insistem em esconder para não revelarem a verdade, que seria pura e simplesmente "ser quem você quiser ser, descobrindo primeiramente Deus dentro de você". Enfim, vamos continuar a análise?

22 If there’s a bustle in your hedgerow, don’t be alarmed now,
23 It’s just a spring clean for the May queen.
24 Yes, there are two paths you can go by, but in the long run
25 There’s still time to change the road you’re on.
26 And it makes me wonder.

Essa "agitação entre os arbustos" que iniciaria em seguida uma limpeza para que pudesse haver a passagem para a "May Queen" (Primavera), significa que, muitas vezes, nossos caminhos são preenchidos de acontecimentos trágicos, dolorosos e inesperados, mas que, em todos os sentidos, possuem um significado de nos fortalecer, nos preparar para algo superior, e, que, muitas vezes, são essas entidades (na Umbanda, os Orixás – na mitologia nórdica, os deuses – na magia, os espíritos e elementos da natureza – na bruxaria, NUIT) que estão a permitir que isso nos ocorra para nos testar e principalmente, como já dito, nos preparar para a ascensão a algo superior. Obviamente, isso também vem nos dizer que, para atingirmos a iluminação plena, precisamos primeiro conhecer a escuridão e enfrentá-la. E, por fim, mesmo que você tenha escolhido um caminho dogmático e que te mantenha preso ao senso comum, haverá tempo para que você possa fazer uma nova escolha (Como dizem os versos de "Yes, there are two paths you can go by, but in the long run...There’s still time to change the road you’re on"). A seguir, vamos aos versos 27 a 30. Vem comigo.

27 Your head is humming and it won’t go, in case you don’t know,
28 The piper’s calling you to join him.
29 Dear lady, can you hear the wind blow, and did you know
30 Your stairway lies on the whispering wind?

Repare que o verso 27 apresenta alguém com a cabeça confusa, zunindo ("your head is hunning"), como se apresentasse os primeiros caminhos percorridos por alguém que mergulha diretamente nos rituais de iniciação espiritual. Tudo parece estranho, girando, nebuloso, até que, em seguida, existe o chamado do "flautista" para juntar-se aos rituais ("the piper’s calling you to join him"). Obviamente, temos PAN como flautista devido às iniciações em que PAGE/PLANT se difundiram, mas, para qualquer outra interpretação de um praticante de outra religião, esse flautista pode ser, por exemplo, TYR (mitologia nórdica), XANGÔ (Umbanda), EMMANUEL (Kardecismo), NUIT (rituais de feitiçaria), KRISHNA (de acordo com a teologia Gaudiya Vaishnava), HOEN TSIN (mitologia chinesa), CERNUNNOS (mitologia celta), e, tantos outros espíritos/deuses.

Em seguida, existe a menção de que o caminho para a felicidade repousa no vento sussurrante. Por que? Porque está nos elementos da natureza e nos espíritos que nela habitam a resposta para a liberdade, e, não em templos cheios de tijolos e pregadores que induzem todo ser humano a ter medo de ser quem quiser ser. A mensagem aí, sublime, é um convite a abandonar de vez o cotidiano e buscar na espiritualidade o caminho para sua própria vida.

Chegamos agora ao magnífico e dantesco solo de guitarra, uma fusão de elementos ecoada com tamanha força, que, chego a dizer que, ao lado de "Since I’ve Been Loving You", é o mais belo trabalho de JIMMY PAGE, para anunciar o epitáfio poético e magnífico entoado por PLANT, a seguir.

31 And as we wind on down the road
32 Our shadows taller than our soul.

Enquanto ecoamos nossos cantos feito vento para além da estrada, nós passamos a perceber, aos poucos, que nossas sombras, nossos defeitos, ainda são maiores que nossa alma. Falta ainda, nesse caminho, mergulhar mais e mais profundamente em busca da elevação.

33 There walks a lady we all know
34 Who shines white light and wants to show
35 How everything still turns to gold.

Aqui há uma metáfora brilhante. E para isso, PAGE/PLANT recorreram tanto à alquimia quanto ao espiritismo do oriente. Explicando melhor. Essa senhora que eles anunciaram que caminha e acredita eu tudo que reluz é ouro, transformando-a em um convite à liberdade de escolha, à elevação espiritual e à busca por si mesmo no melhor de suas qualidades (no ouro, que simboliza a luz da alma), que emite uma luz branca e se permite mostrar a você, através dos rituais de elevação espiritual, que é possível sair da sombra, do enxofre (simbolizando a alquimia) e mergulhar no ouro ("who shines white light and wants to show how everything still turns to gold"), é o caminho da sabedoria, e, como já dito por mim algumas vezes nesse texto, da libertação e da felicidade. Para Umbandistas, por exemplo, nenhuma senhora simbolizaria melhor essa "lady" do que OXUM. Para os praticantes e estudiosos dos rituais de mitologia japonesa, ela seria AMATERASU, e assim por diante. São várias denominações e personificações que essa "lady", essa senhora poderia assumir, dentro da interpretação dessa música.

36 And if you listen very hard
37 The tune will come to you at last.
38 When all is one and one is all
39 To be a rock and not to roll.

É preciso ouvir o chamado, para que o túnel, a luz, a verdade, a liberdade e a felicidade se abram para você ("And if you listen very hard...The tune will come to you at last"). A partir dessa abertura, você encontrará o sentido do uno, dos muitos deuses e caminhos personificados dentro de você. E, encontrando esse sentido universal, tudo se tornará um, e, um se tornará todos. Ou, como define a metáfora final, ser uma pedra imutável, sem precisar deslocar-se ("When all is one and one is all...To be a rock and not to roll"). Pois, quando se encontra todas as respostas e todo equilíbrio espiritual dentro de si mesmo, com a ajuda das entidades, você não precisa procurar em lugar nenhum a resposta da sua vida. Ela já repousa dentro de você.

40 And she’s buying a stairway to heaven.

O final esperado retrata a senhora em sua compra da escadaria para o paraíso. Qual a mudança dessa senhora do início para agora? A elevação espiritual. Sim, a liberdade, a felicidade, a voz interior finalmente revelada para cada um de nós.

Bom, deixo aqui minhas humildes palavras sobre essa canção. E agradeço a você, amigo leitor, por me acompanhar nessa aventura.

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Sobre Ronaldo Celoto

Natural do Estado de São Paulo, é escritor, professor, poeta e consultor em direito, política e gestão pública. Bacharel em Direito, com Mestrado em Ciência Política, atualmente cursa Doutorado em Direito, Justiça e Cidadania pela Universidade de Coimbra. Além destas atividades, dedica diariamente parte de seu tempo à pesquisa e produção de artigos científicos, contos, romances, matérias jornalísticas, biografias e resenhas. Seus interesses pessoais são: cinema, política, jornalismo, literatura, sociologia das resistências, ética, direitos humanos e música.

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