Genocídio: A história disco-a-disco #1
Por Ricardo Cunha
Fonte: Esteriltipo
Postado em 27 de abril de 2019
"Extermínio deliberado, parcial ou total, de uma comunidade, grupo étnico, racial ou religioso"
Quando Wperna escolheu esse como o nome de sua banda, tinha em mente o seu significado, que hoje se encontra dilatado diante dos atos de violência verbais e físicos divulgados todos os dias nos noticiários. A escolha foi consciente e provavelmente, uma forma chocar e/ou denunciar os massacres provocados pela intolerância. Foi assim que no longínquo ano de 1986, sob um céu particularmente enegrecido, nasceu a banda Genocídio, uma das primeiras "death doom metal band" do país.
Inovação, liberdade e pioneirismo são algumas das palavras que melhor descrevem a carreira dessa respeitada banda formada no final dos anos 80 por W. Perna (Guitars) e Marcão (Bass), com Zé Galinha (Bateria) completando a line up. A banda faz shows dentro e fora de São Paulo, e se junta à gravadora Ultra Violence para gravar o registro de estreia, o EP Genocídio (1988).
Alguns meses antes das gravações, Zé Galinha deixa a banda, sendo substituído por Juma. No final dos anos 80, a banda se tornou conhecida no underground e assinou um contrato de 2 álbuns com a Hellion Records. Logo é lançado Depression (1990), que contém músicas Death Metal em sua essência expressas através de um som único e de letras que retratam o lado humano para sentimentos ruins comuns a todos nós. Um vídeo foi feito para "Depression", a faixa-título. Constantemente transmitido pela MTV, a banda atinge a um público cada vez maior.
Em 1992, a banda adiciona mais um membro nas guitarras, Murillo (ex-Apoleon). Depois de shows bem sucedidos em todo o Brasil, a banda vai para Belo Horizonte para gravar seu próximo álbum, Hoctaedrom (1993). Essa formação é considerada a melhor até então e conquistou grande apoio dentro e fora do Brasil, tendo inclusive, uma das músicas (Uproar) regularmente transmitidas na rádio 89 FM, além de um vídeo promocional. HOCTAEDROM é lançado na Europa pela gravadora Moltem Metal em CD com duas faixas bônus, a versão de "Countess Bathory", do Venon e uma nova versão para a música "The Grave". Logo, a banda é convidada a fazer uma turnê pela Europa, mas isso não acontece devido a problemas entre a Hellion Records, Moltem Metal e a banda.
Devido a problemas internos, Marcão deixa a banda e é substituído por Daniel. Murillo assume definitivamente os vocais, e a banda lança Posthumous (1996), considerado na época uma obra-prima da música pesada. De som denso e ainda mais pesado, a banda inova novamente com a faixa "Goodbye Kisses", uma peça acústica onde WPerna e Murillo tocam violão e conta com a participação do violinista Flávio Venturini. A banda faz apenas dois shows e a turnê é interrompida por causa de um desentendimento interno, que divide a banda. Poucos meses depois, WPerna decide recomeçar e Marcão volta ao baixo e aos vocais, junto com os novos membros Gustavo na outra guitarra e Marcelo na bateria.
Com esta line-up, a banda lança One Of Them… (1999). Quarto álbum completo da banda, nele, as composições misturam riffs hardcore e doom com uma boa presença de elementos góticos e vocais femininos intercalados. Apesar de o conceito do álbum ser bom, a produção é mediana. A bem da verdade, um disco cuja sonoridade é mais limpa se comparada a de outros. Ao que parece, a formação não estava ainda estabilizada e parecia haver uma preocupação em fazer algo diferente, que - talvez - não tenha sido atingido. Creio que não seja algo que a banda queira esquecer, visto que foi remasterizado e lançado nas plataformas digitais em 2016, mas o fato é que sobre ele quase não há informação disponível na internet.
As mudanças vêm novamente e novamente como um trio (com Alex na bateria) eles gravam Rebellion (2002), que resgata a tradição de velocidade e a agressividade dos primeiros álbuns. Para a felicidade de muitos, os riffs death metal se fazem presentes novamente, a produção é boa e tudo indica que o espírito do bom e velho Genocídio esteja no comando outra vez. Ocorre que a banda necessitava se reinventar e esse movimento se deu pelo resgate de uma essência perdida com as mudanças de formação e através do desgaste entre os membros. Particularmente, para este que vos escreve, este disco marca o começo do renascimento da banda.
Continua...






Genocídio: A história disco-a-disco
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