Dream Theater: Os grandes épicos da banda

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Por Ricardo Pagliaro Thomaz, Fonte: A Ciência da Opinião
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Fala, pessoal! Dei uma épica sumida, né? É... resolvi me dar umas férias. Estava preocupado com um monte de coisas, sem inspiração. Este ano está meio diferente. Clima diferente, atmosfera diferente. Mas vou me abster aos detalhes sórdidos e ir direto para o assunto que quero tratar aqui. Vamos falar sobre Dream Theater!

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Este ano tem inclusive disco novo do grupo americano de Rock Progressivo. Já escutei o novo disco, Distance Over Time, e estou elaborando o que vou falar dele, mas no momento, vou focar em outro tema recorrente do grupo: os grandes épicos. Quem não conhece, preste atenção, isso é realmente muito bacana.

Vale ressaltar que o grupo não é o grande pioneiro nesse aspecto. Bandas como Genesis, Pink Floyd, Yes, Rush e Marillion, já vinham fazendo isso muito antes, algumas das obras que valem menção destes grupos, por exemplo, são respectivamente The Lamb Lies Down on Broadway, The Wall, Tales from Topographic Oceans, 2112 e Misplaced Childhood. Portanto, o Dream Theater vem aí na esteira dessas propostas. Porém, suas obras épicas ficaram muito populares, e inspiraram uma nova geração de músicos e artistas a investir nessas ideias.

A ideia, nesta matéria, é listar os grandes épicos produzidos pelo grupo americano, direta ou indiretamente, para destacar o quão interessante pode ser esse tipo de arte. Talvez, no futuro, eu queira fazer isso com outras bandas de Rock Progressivo, mas vou pegar o Dream Theater de exemplo pra ficar mais fácil.

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Pois bem, vamos começar citando as obras que vou referenciar: a primeira de todas é, claro, Metropolis, e eu me refiro não só ao disco em si, mas a todo o escopo da obra. Na minha opinião, é a melhor que o grupo produziu até hoje, a mais bem feita e pensada, impactou minha vida de formas inimagináveis, portanto vou fazer uma boa descrição dela.

Depois, falaremos sobre A Change of Seasons, um mini-épico que considero essencial. Seguido dele, falaremos sobre o período da banda de 2002 a 2009, incluindo aí duas obras épicas distintas. Finalmente, terminaremos falando brevemente sobre o último épico feito pela banda até o momento, The Astonishing; digo brevemente, porque meu perfil aqui no site contém vasto material sobre ele e uma resenha, então, vocês podem ver mais detalhes lá na relação do meu perfil. Haverá também uma menção honrosa que farei, não vou falar no momento, mas se trata de um dos álbuns do período de 2002 a 2009. Digo 'menção honrosa', porque não é exatamente um épico, mas uma das ideias mais interessantes que já vi. Vamos lá!

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1) O épico Metropolis pode ser considerado como o carro-chefe que puxa a banda. É sem dúvida o de mais sucesso em toda a sua história, imbatível até hoje. A ideia matriz desse épico maravilhoso, a semente dele, começa no álbum Images And Words, de 1992; a quinta faixa do disco, "Metropolis - Part I: 'The Miracle and the Sleeper'" apresenta a ideia de um cara sonâmbulo e de um suposto milagre que aconteceu, e sua existência é toda baseada nesse milagre apresentado. Essa coisa de "parte 1", era para ter sido uma brincadeira da banda, no máximo ter uma outra faixa de 20 minutos como sequência num próximo disco, e só.

Porém, a ideia foi evoluindo, e adquirindo contornos enormes e mais complexos e, eventualmente, em 1999, acabou se tornando a segunda parte da obra, no disco épico Metropolis Pt. 2: Scenes from a Memory. Então, a ideia se desenvolveu numa história em dois atos, com elementos detetivescos e sobrenaturais, em que um cara chamado Nicholas tem uma experiência de vida passada em uma sessão de terapia regressiva com um psiquiatra. Nessa regressão, Nicholas descobre que, em sua vida anterior, ele foi Victoria, uma mulher que foi brutalmente assassinada por um ex-amor de sua vida; Victoria tinha Edward, que sofria de alcoolismo e ficava violento, e procurava conforto nos braços de Julian, irmão de Edward.

Ao final do disco, descobrimos a identidade do assassino e também uma reviravolta inesperada sobre outro espírito reencarnado. O disco possui uma produção musical absolutamente sensacional e invejável, com arranjos majestosos e melodias que grudam na cabeça, além de uma narrativa cativante que mantém você, ouvinte, antenado nos próximos eventos, como uma boa rádio-novela. É talvez, uma das obras de Rock Progressivo mais importantes da história, e que eu endosso que todos escutem, pois acredito que vão se impressionar bastante!

Formação: James LaBrie - John Petrucci - John Myung - Jordan Ruddess - Mike Portnoy

OBS: em "Metropolis" do álbum Images and Words, o tecladista é Kevin Moore, e não Ruddess.

2) Seguindo, temos o mini-épico "A Change of Seasons". Ele foi escrito como uma música que estava programada para entrar no álbum Images And Words, tem até demo gravada, mas acabou ficando de fora por destoar um pouco dos temas do disco, acredito. Foi gravada posteriormente para o EP que recebeu o título do épico de 23 minutos, e que também tem uma apresentação ao vivo da banda com covers de outros artistas. É uma composição bastante pessoal do baterista Mike Portnoy, quando esse integrava a banda, falando de abandono, perda de entes queridos, amadurecimento e suas dificuldades, enfim, é uma composição com raízes profundas na psique humana.

O mais interessante é como isso é conduzido, através de dicotomias, pode-se ver isso claramente na capa ilustrativa em que temos um menino de calção no meio do gelo e um senhor idoso com macacão de frio numa praia em meio a um dia ensolarado. Percebe-se que o personagem da mini-saga tenta aproveitar seu dia e seu tempo (carpe diem), mas encontra muitas dificuldades, envoltas em perdas e hipocrisia, se sentindo deslocado. Parece muito com o que eu mesmo vinha enfrentando ultimamente, enquanto eu tentava aproveitar (numa atitude meio forçada, às vezes) meu próprio tempo. Qualquer que seja sua dificuldade, superação é sempre um processo difícil e tortuoso, e eu mesmo venho escutando essa letra até mesmo como uma válvula de escape para as minhas próprias dificuldades que venho enfrentando. É um sentimento com a qual todos lidamos e que nos aproxima da letra, aliada ao arranjo primoroso das composições, e merece a sua atenção.

Muito embora esta faixa esteja em um EP, algo que não levamos muito em consideração numa discografia de banda, este aqui é algo tão forte na história do Dream Theater, que é praticamente impossível de se ignorar.

Formação: James LaBrie - John Petrucci - John Myung - Derek Sherinian - Mike Portnoy

3) Entre o período de 2002 a 2009, tivemos a saga comumente conhecida como 12 Steps, também conhecida de forma jocosa como a "saga da bebedeira", que envolveu um total de 5 álbuns de estúdio da banda. Ao longo desses cinco discos, havia sempre uma faixa dedicada a essa saga, e o restante a outros temas, bem aos moldes do que o Rush fez em sua carreira com as músicas de sua discografia que compunham o tema Fear.

Como essa é uma saga composta de forma diferente, dividida em vários discos, será a única aqui que eu vou fazer a listagem das faixas para quem quer conhecer, listando as músicas e o disco que elas estão:

01. "The Glass Prison" (Six Degrees of Inner Turbulence)
02. "This Dying Soul" (Train of Thought)
03. "The Root of All Evil" (Octavarium)
04. "Repentance" (Systematic Chaos)
05. "The Shattered Fortress" (Black Clouds & Silver Linings)

Resumindo bem brevemente, esta saga é uma espécie de desabafo de Mike Portnoy. Ele era assumidamente um alcoólatra, e passou pelo programa dos Alcoólicos Anônimos, os 12 passos para largar o vício do alcoolismo. Durante esta saga, Portnoy relata suas próprias experiências passando pelo processo, e o quão tortuoso isso foi. A saga se passa nessas 5 faixas, contendo os passos abreviados com pequenos nomes, a saber: (01) I. Reflection - II. Restoration - III. Revelation - (02) IV. Reflections of Reality - V. Release - (03) VI. Ready - VII. Remove - (04) VIII. Regret - IX. Restitution - (05) X. Restraint - XI. Receive - XII. Responsible.

Segundo o próprio ex-baterista da banda, eles receberam inúmeras mensagens de agradecimento dos fãs que diziam que as músicas ajudavam eles a lidarem com seus próprios problemas, então muito embora eu não seja muito fã desta era do Dream Theater, devo admitir que eles realmente fizeram um ótimo trabalho inspirando as pessoas. Tem perfis no Youtube que postam todas as cinco faixas juntas, então você pode recorrer ao Youtube caso esteja curioso.

Formação: James LaBrie - John Petrucci - John Myung - Jordan Ruddess - Mike Portnoy

4) Este épico, chamado de Six Degrees of Inner Turbulence, se encontra no segundo CD do disco de mesmo nome, que é um disco duplo. Ao mesmo tempo que o grupo começou a saga dos 12 passos, também gravou este aqui no mesmo ano; Mike Portnoy acabou começando com uma marca na banda, em falar de problemas reais que afligem as pessoas, como o seu problema com alcoolismo, e levou a banda a falar de outros problemas. Os caras acabaram virando uma clínica musical de psiquiatria! Mas brincadeiras à parte, como eu mostrei anteriormente, isso foi benéfico para muita gente... e mais barato do que terapia de fato, se for ver! Após Scenes From A Memory, eles resolveram levar a sério essa coisa de psiquiatria!

Bom, este não é um épico de uma história só, ao invés disso, os temas estão interligados, e tratam de problemas mentais e psicológicos que as pessoas têm. O título se refere a diversas coisas. Trata-se da sexta "música" do disco em questão, e apesar de ter 8 faixas, uma é de introdução e a outra é de reprise, o restante, lida com seis problemas mentais, ou seis "turbulências", que variam conforme a faixa. Em "About to Crash", por exemplo, vemos uma menina com transtorno bipolar, em "War Inside My Head", é sobre o estresse pós-traumático que soldados enfrentam quando retornam de guerras, em "The Test That Stumped Them All", vemos um paciente com um forte caso de esquizofrenia, em "Goodnight Kiss", ouvimos a triste história de uma mãe com depressão pós-parto que perdeu sua criança; na bonita e dramática "Solitary Shell", escutamos um grito de socorro de uma criança que sofre de autismo, e na última faixa, "Losing Time/Grand Finale" acompanhamos uma menina com Transtorno de Múltiplas Personalidades, e a letra ainda dá uma pista de associar esse transtorno à doença de Alzheimer.

É... um épico com instrumentação muito bonita e fantasticamente executada, com arranjos soberbos, mas na parte lírica, olha, tem que ter estômago de avestruz! Mas é muito interessante. Se você não sofre de nenhum desses problemas, pode se informar um pouco enquanto curte música de qualidade, se você está nesta lista, terá o apoio dos músicos e algo que se identifica com você para lidar com o problema. De qualquer forma, eu recomendo!

Formação: James LaBrie - John Petrucci - John Myung - Jordan Ruddess - Mike Portnoy

5) Passada a fase de clínica de psiquiatria, a banda não só trocou de baterista, pois Mike Mangini entraria em 2010 no lugar de Portnoy, mas também assumiu uma identidade mais épica e menos anti-social, vamos dizer assim. A proposta de The Astonishing é completamente diferente dos demais épicos. Pode perceber, nos épicos anteriores, o tema era sempre o inconsciente, problemas e doenças mentais, crises psicológicas, vícios, etc. Aqui não, eles mudam completamente de contexto. A história é uma trama de ficção-científica inspirada em diversas fontes, e você vai ter um misto aí de temas tipicamente sci-fi em um futuro distópico misturados com uma estética medieval. Como eu disse, eu não vou me alongar demais, porque eu já falei bastante deste disco aqui no site, quando saiu. Procure no meu perfil o link para a resenha e o link para uma matéria que eu fiz sobre os elementos da história do disco. Não considero o melhor épico que a banda já lançou, até porque é um clichê de Rock Progressivo atrás do outro, e a própria história é uma colagem de outras obras de sci-fi, mas é bom para servir de referência para futuras leituras e sessões de cinema, ou para mergulhar a fundo no universo do Rock Progressivo que a banda evoca aqui.

Formação: James LaBrie - John Petrucci - John Myung - Jordan Ruddess - Mike Mangini

Finalmente, vamos para a nossa digníssima menção honrosa:

O álbum Octavarium.

Sim, é um álbum conceitual. Quando eu ouvi o disco em 2005, ano em que ele saiu, não achei essa Coca-Cola toda, achei bom, mas não excelente. E muito embora hoje, eu ainda ache que ele tem sim seus defeitos, é uma obra que acabou crescendo em mim com o passar dos anos, e hoje eu a aprecio muito mais do que naquela época.

Neste tempo, eu inclusive deixei de notar detalhes muito interessantes que o disco guarda. Há um detalhe muito interessante que eu não notei na época do lançamento do disco, e que é a cola que segura a obra toda. O disco não tem uma narrativa, mas um conceito interessante: é o oitavo trabalho da banda, certo? O disco tem então oito faixas... cada faixa composta em uma oitava diferente do teclado comparada à música anterior, fazendo aí oito oitavas que corresponde às 8 notas naturais com 5 acidentais, então por exemplo, a primeira faixa começa em fá com acidental em F#/Gb, a segunda em sol, com G#/Ab, e assim sucessivamente. A última música, o épico de 24 minutos "Octavarium", termina exatamente com a nota que o disco começou, dando a ideia de um círculo se fechando, e o último verso que LaBrie canta é "the story ends where it began", ou seja, a história termina, onde ela começou; isso sem falar a contagem final feita em conjunto por Portnoy e LaBrie, preparando o climax, ou seja, há uma infinidade de conceitos e ideias trabalhados aqui no disco, e por isso merece uma menção honrosa aqui na minha contagem.

Formação: James LaBrie - John Petrucci - John Myung - Jordan Ruddess - Mike Portnoy




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Sobre Ricardo Pagliaro Thomaz

Roqueiro e apreciador da boa música desde os 9 anos de idade, quando mamãe me dizia para "parar de miar que nem gato" quando tentava cantarolar "Sweet Child O'Mine" ou "Paradise City". Primeiro disco de rock que ganhei: RPM - Rádio Pirata ao Vivo, e por mais que isso possa soar galhofa hoje em dia, escolhi o disco justamente por causa da caveira da capa e sim, hoje me envergonho disso! Sou também grande apreciador do hardão dos anos 70 e de rock progressivo, com algumas incursões na música pop de qualidade. Também aprecio o bom metal, embora minhas raízes roqueiras sejam mais calcadas no blues. Considero Freddie Mercury o cantor supremo que habita o cosmos do universo e não acredito que há a mínima possibilidade de alguém superá-lo um dia, pelo menos até o dia em que o Planeta Terra derreter e virar uma massa cinzenta sem vida.

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