Shaman: a consagração de um ícone do Metal nacional

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Por Hugo Alves
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Após um hiato que havia começado em Dezembro do ano anterior, o SHAMAN retornou às atividades no dia 2 de Fevereiro de 2003, dando continuidade à bem-sucedida "Ritual World Tour". Bem-sucedida, sim, mas também muito bem precedida, visto que a banda encerrara o ano anterior sustentando o status de gigante que já apresentava simplesmente por ser um super-grupo formado por músicos de renome, em sua maioria, oriundos de uma grande expoente do Metal nacional, o ANGRA. Até um pouco por culpa dos próprios fãs, o SHAMAN ainda trilhava um caminho no sentido de desvencilhar-se da banda que a originou – não era o objetivo dos músicos, mas havia uma competição entre as bandas que criou-se e permaneceu entre os fãs e na internet, e que nunca foi o foco de qualquer uma das bandas ou músicos envolvidos. Cada uma trilhava seu caminho de grande sucesso naquele momento, e o SHAMAN tinha grandes planos para aquele ano, hoje um momento dourado na história da banda.

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O início

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E começava o Ritual

Shaman: a ruptura de um marco do Metal nacionalShaman
A ruptura de um marco do Metal nacional

A turnê continuou por algumas cidades do Nordeste e do Sul do Brasil como um aquecimento para o que viria a ser um projeto ainda mais ousado que o próprio disco de estreia da banda. As primeiras datas da "Ritual World Tour" no ano de 2003 serviram como um grande aquecimento para a gravação do DVD ao vivo da banda. Quando Andre Matos (voz e teclados), Hugo Mariutti (guitarra), Luis Mariutti (baixo) e Ricardo Confessori (bateria) anunciaram esse projeto, muita gente torceu o nariz, indagando se não seria muito cedo para que a banda lançasse material ao vivo, visto que ainda excursionavam promovendo seu primeiro disco. Os argumentos, porém, eram mais que plausíveis e se sustentavam: a banda queria um registro do ótimo momento que viviam em suas carreiras – o que fatalmente se mostrou uma decisão muito acertada, uma vez que a banda nunca foi tão grande como em seus primeiros anos – e, além do mais, aqueles que vinham do ANGRA tinham certa mágoa em nunca terem registrado algo ao vivo em seu tempo na banda (o EP de 1997, "Holy Live", era para ter sido um disco duplo ao vivo, mas a gravadora na época se recusou a produzir material neste formato, alegando alto custo), e gostariam de aproveitar a boa fase para suprir também este desejo.

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Foi em 5 de Abril de 2003 que o SHAMAN perpetuou seu momento máximo e seu nome como uma das maiores bandas que já surgiram em nosso país. Mais especificamente no Credicard Hall, na cidade de São Paulo, a banda fez um dos melhores shows de sua história, executando o disco "Ritual" em sua totalidade, além de clássicos do ANGRA (incluindo um medley que não entrou no DVD, composto por "Silence and Distance", "Carolina IV", "Time" e "Wings of Reality"), a participação de Sascha Paeth (produtor do disco do SHAMAN e amigo pessoal de Andre Matos) em "Pride" e "Sign of the Cross" (numa versão muito mais divertida que a do AVANTASIA para um show ao vivo) junto a Tobias Sammet (EDGUY, AVANTASIA), que também executou "Inside" (que não entrou no DVD), além dos convidados brasileiros George Mouzayek (que havia tocado derbak em "Over Your Head" no disco e repetiu o feito ao vivo) e Marcus Viana (que esbanjou talento em seu violino em "Over Your Head" e "Fairy Tale"), e o que talvez tenha sido a surpresa máxima da noite: Andi Deris e Michael Weikath do HELLOWEEN para juntos tocarem "Eagle Fly Free", além de um bis com "Living for the Night" do VIPER (que também não entrou no DVD) e, ao final do show, todos os músicos juntos para uma versão de "Breaking the Law" do JUDAS PRIEST (esta deveria ter entrado no DVD mas, por um problema de divergência de afinações das guitarras, acabou sendo limada na edição final). Um show dos sonhos, com convidados dos sonhos e uma setlist dos sonhos. O DVD ainda demoraria para chegar ao público, mas aquela noite com certeza ainda vive nas melhores lembranças de quem esteve presente. A propósito: o público do Rio de Janeiro pode sentir quase a mesma sensação de quem esteve em São Paulo pois, no dia seguinte, no ATL Hall, o SHAMAN tocou exatamente o mesmo repertório, contando ainda com Marcus Viana, Sascha Paeth e Tobias Sammet (que também fez o duo de vozes com Andre Matos em "Eagle Fly Free" no lugar de Andi Deris).

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Após isto, a banda seguiu pelo ano de 2003 com sua turnê, sempre com muitos shows, todos com lotação máxima e um público ávido. Um novo marco na carreira da banda (e também de Andre Matos, conforme será possível compreender nas próximas linhas) se deu nos dias 22 e 23 de Novembro, nos dois shows no DirecTV Music Hall em São Paulo/ SP. Antes do início dos shows, o público presente pode assistir, em primeira mão, ao making of que estaria presente no vindouro DVD, além dos vídeos de "Sign of the Cross" com Tobias Sammet e Sascha Paeth e de "Eagle Fly Free" com Andi Deris e Michael Weikath que integrariam o show, material principal do DVD. Outro diferencial desses shows foi a quantidade de covers do Black Sabbath e de Ozzy Osbourne que integraram a setlist (talvez numa tentativa de dar um ar de novidade a uma turnê que já vinha se estendendo há bastante tempo, passando pelas mesmas cidades várias vezes), que eram "Sabbath Bloody Sabbath", "Sympton of the Universe", "Crazy Train", "Mr. Crowley", "Bark at the Moon" e "No More Tears", levando o público à loucura (Ozzy estava em grande evidência na época por conta do seriado "The Osbournes", pela reunião com o Black Sabbath no final dos anos 1990 e por ter retomado sua carreira solo com o lançamento de "Down to Earth" de 2001 e seu consequente ao vivo "Live at Budokan", lançado um ano depois). O que veio no primeiro de dois bis foi um presente para os fãs de Andre Matos e do Metal brasileiro dos anos 1980: o VIPER subiu ao palco para a execução de "Living for the Night", "Prelude to Oblivion" e "A Cry from the Edge". Mais um capítulo ímpar na história do SHAMAN, mas não mais do que o que viria em Dezembro daquele ano.

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No último mês de 2003, chegavam às prateleiras o DVD e o CD ao vivo "RituAlive". Além do show e do making of já citados nesta matéria, o material ainda trazia os clipes oficiais de "Fairy Tale" e "For Tomorrow", galeria de fotos e apresentação dos dois CDs da banda – o CD "RituAlive" vinha com todas as faixas do SHAMAN ao vivo, além de "Sign of the Cross" e "Eagle Fly Free", ou seja, algumas canções a menos em relação ao DVD –, além de um easter-egg que, hoje, sabe-se que nada mais era que uma estranha versão remixada de "Fairy Tale". O DVD foi gravado com 18 câmeras (uma quantidade considerada absurda – num bom sentido – ainda mais para os padrões nacionais) e até hoje aquela noite é enaltecida por todos os músicos envolvidos como um momento mágico no qual nada deu errado, nenhuma canção precisou ser repetida, nada precisou ser refeito. O material é tão bom que, na época, era frequentemente comparado ao DVD "Rock in Rio" do Iron Maiden, tamanha a excelência minuciosa encontrada ali.

O Shaman deixou o ano de 2003 e entrou no ano seguinte ainda escrevendo histórias pra contar para o resto da vida. No dia 17 de Janeiro de 2004, eles escreveram o que foi provavelmente o último grande capítulo da "Ritual World Tour", tocando para mais de 50.000 pessoas no Estádio do Pacaembu em São Paulo/ SP como banda de abertura para ninguém menos que Iron Maiden (que, naquele ano, trazia sua "Dance of Death World Tour" e ainda gozava de popularidade acima da média, mesmo para seus padrões, já que o mundo ainda respirava os ares da atmosfera criada pelo retorno de Bruce Dickinson e Adrian Smith para a banda, em 1999). Ainda que tenham enfrentado algumas dificuldades técnicas, o show ficou para a posteridade.

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Ainda naquele ano, houve outras datas a cumprir, incluindo alguns festivais, como o Rock the Planet e o Ceará Music 2004, e neste período a banda já vinha apresentando uma nova canção chamada "Turn Away". Mas isso, é claro, é assunto para uma outra parte da história...


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Sobre Hugo Alves

Hugo Alves é formado em Letras (Português and Inglês) pela UNISO - Universidade de Sorocaba e futuro mestrando em Literatura ou Semiótica. Começou a escutar Rock aos 11 anos com "Bring Me to Life" do Evanescence, mas o que o tomou para sempre para o Rock and Roll foi "Fear of the Dark" (versão ao vivo no Rock in Rio), do Iron Maiden, banda que, ao lado de The Beatles, considera como favorita, amando quase que igualmente os sons de Viper, Angra, Shaman, Andre Matos, Rush, Black Sabbath, Metallica, etc. Foi vocalista das bandas Holygator e Bad Trip, iniciantes em Sorocaba/ SP, e também toca guitarra e baixo. Outra de suas paixões é a Literatura, pela qual desenvolveu o gosto pela escrita e comunicação.

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