Exímios baladeiros: Scorpions
Por Ivison Poleto dos Santos
Postado em 09 de maio de 2018
Apresento outra banda que se especializou em fazer baladas extremamente belas e, por que não, comercialmente bem sucedidas, porque eles merecem: Scorpions.
O casamento da voz quente e suave de Klaus Meine, além do seu forte sotaque que dá um charme especial às músicas, com a simplicidade das guitarras dedilhadas de Rudolf Schenker e Uli Roth, com uma breve passagem de MIchael Schenker, depois Mathias Jabs, fez milhares suspirarem com suas baladas.
Há quem pense que o Scorpions fez somente "Still Loving You" e "Winds of Changes", que são realmente as mais bem sucedidas, porém não é só isso. Tem muito mais:
Logo no primeiro álbum "Lonesome Crow" que, aliás, é bem pouco conhecido no Brasil, temos "In Search of the Peace of Mind", uma balada um pouco hiponga, mas belíssima com as inspiradas intervenções de Uli Roth:
O segundo álbum "Fly to the Rainbow" traz a faixa título que começa com um belo violão acústico com uma pegada clássica para depois descambar numa porradaria bem ao gosto do Scorpions. Preste atenção na frase de guitarra que lidera a música. Inspiradíssima:
Vamos para o "Virgin Killer", quarto álbum da banda que levantou polêmica por causa da capa que originalmente mostrava uma menina nua de uns 12 ou 13 anos. Impossível hoje em dia. Nele encontramos a bela "In Your Park" já com o coro que daria fama ao Scorpions e a cheia de minúcias guitarrísticas via Mr. Uli Roth, "Yellow Raven":
Em "Taken by Force", o último com Uli Roth e o primeiro com Herman Rarebell, temos amostras de baladas que serão a marca registrada do Scorpions: introdução com guitarras dedilhadas em um crescendo que irrompem em uma pancadaria sonora para voltar a uma tranquilidade serena. Assim é "We'll Burn the Sky". Já "Riot of Your Time" segue a tradição anterior de baladas com violões acústicos permeados por algumas distorcidas. E, por fim, a singela "Born to Touch Your Feelings".
A partir de "Lovedrive", o Scorpions começam a alçar voos maiores rumo ao estrelato. Neste álbum uma das belas baladas já feitas: a maravilhosa "Holiday". Uma menção honrosa para a também belíssima "Always Somewhere":
Em "Animal Magnetism", o Scorpions começa a melhorar a habilidade que já era fantástica. Com "Lady Starlight" a banda atinge um outro nível: o nível de baladeiros-mestres onde antes ficavam o Led Zeppelin e o Nazareth. Como sou fã confesso das baladas scorpianianas, deixo para vocês o deleite:
"Blackout", o álbum que iniciou o tão merecido caminho das estrelas ao Scorpions vem com "You Give All I Need" e a fantástica, memorável, estupenda, sensacional e mais alguns adjetivos que eu vou poupá-los "When the Smoke Is Going Down" com sua bateria arrastada, baixo com frases tocantes e. é claro, os vocais de Klaus Meine.
Ta dá! Que rufem os tambores! É a hora de "Love at First Sting" e "Still Loving You" e o resto é história. Vídeo mais que perfeito:
"Savage Amusement" não é um álbum que muitos lembram, mas mesmo assim tem boas canções, e os baladeiros-mestres do Scorpions nos brindam com "Rhythm of Love" que não é bem uma balada, mas uma cadência mais lenta. A balada mesmo é "Believe in Love".
Após todas as glórias de "Love at First Sting" e "Still Loving You" o mundo pensou que o Scorpions nunca mais faria algo de bom. Mas fez! "Crazy World" mostrou que não há limites para a baladaria dos alemães. Mundo, aqui está "Wind of Changes" com o assovio mais conhecido do mundo e hino extraoficial da queda do muro de Berlin. É até sacanagem depois de "Wind of Changes" citar outra música, mas "Send Me an Angel" também é memorável cm seu lindo refrão:
A partir daí o Scorpions entra numa ladeira abaixo e parei de acompanhar a carreira da banda, mas o seu legado, em termos gerais, não só em baladas, é formidável.
P.S. Ofereço este texto em memória a mais um guerreiro do Metal que tombou nas guerras metálicas, fã confesso dos Scorpions e quem me apresentou esta maravilhosa banda. Difícil ouvir estas músicas e não lembrar de você. Descanse em paz, meu amigo e irmão Rui Gabriel.
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