A7X: Discografia Comentada, P.1 (Os punks de Huntington Beach)

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Em 1999 Matthew Sanders e Zackary Baker, dois jovens da cena Hardcore californiana que haviam recentemente dissolvido suas bandas (Successful Failure e Mad Porno Action respectivamente), decidiram se juntar para formar um novo grupo com uma abordagem mais pesada, para isso Matt decidiu convidar seu velho amigo Jimmy, já conhecido na época como "The Reverend" (naquele tempo tocando com a banda de Ska, Suburban Legends), para assumir as baquetas do novo grupo que viria a se chamar Avenged Sevenfold, contando na época com Matthew nos vocais, Zacky na guitarra e Matt Wendt no baixo (que mais tarde seria substituído por Justin Sane). Após uma sucessão de pequenos shows e a gravação de algumas demos, a banda se filiou à Good Life Recordings, selo belga especializado em bandas de Hardcore e conseguiu lançar seu primeiro álbum em janeiro de 2001 (que seria relançado no ano seguinte pela Hopeless Records, quando a banda migrasse para a mesma).

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Sounding the Seventh Trumpet

O debut do a7x não apresentava nenhum sinal do que a banda viria a se tornar nos anos decorrentes devido a sua sonoridade extremamente crua, marcada por linhas de bateria rápidas e caóticas, estruturas musicais não lineares, ausência quase completa de solos e também por ser Hardcore ao extremo, principalmente nos vocais, onde M. Shadows grita de maneira selvagem e ininteligível durante a maior parte do tempo.

O play se inicia com sons de tempestade que abrem espaço para a primeira faixa do disco, "To End The Rapture", que consistia originalmente apenas em M. Shadows tocando teclado e cantando insipidamente, porém logo após a banda liberar STST, Synyster Gates se juntou ao A7X e regravou essa faixa para o relançamento do ano seguinte, adicionando um épico e técnico solo de guitarra para acompanhar o canto de Matthew, que anuncia um prelúdio apocalíptico.

"Turn the Other Way" inaugura a pancadaria do disco com direito à gritaria e quebradas características do Metalcore, a música se encerra com um riff que é substituído gradativamente por notas de teclado e violão durante o "fade out", em seguida temos "Darkness Surrounding" com um coral de backing vocals típico do Hardcore e um solo de bateria que dispensa comentários. A pesada "The Art of Subconscious Illusion" se inicia com um riff de sonoridade punk, mas rapidamente assume a pegada extrema que permeia o disco, com direito inclusive à participação de Valary Di Benedetto (amiga de infância dos integrantes da banda e atualmente esposa de M. Shadows) que contribui com vocais gritados.

"We Come Out at Night" continua a demolição das suas antecessoras no mesmo ritmo até aproximadamente 3 minutos, onde M. Shadows começa a cantar com vocais limpos e a música se torna suave, ganhando acompanhamento de teclados até se encerrar. "Lips of Deceit" é dona de um ótimo riff e dá a oportunidade para o ouvinte apreciar o som do baixo de Justin Sane acompanhado pela bateria caótica de Jimmy Sullivan.

"Warmness on the Soul" destoa do resto do álbum por ser uma balada romântica que M. Shadows compôs no piano para sua namorada (a mesma que participa da faixa 4), a música conta com um pequeno solo de Zacky Vengeance e com notas vocais bastante altas por parte de Sanders, demonstrando desde cedo que o mesmo possuía um talento bruto para cantar. "An Epic of Time Wasted" retoma o tom extremo do trabalho e é sucedida por "Breaking Their Hold" que consiste em pouco mais de um minuto de loucura Hardcore, servindo de ponte para "Forgotten Faces", mais uma faixa com doses catastróficas de Hardcore gritado.

"Thick And Thin" apresenta uma sonoridade mais próxima do punk e possui um refrão marcante, já a sua sucessora "Streets" é completamente voltada para esse estilo, já que não apresenta vocais gritados e remete ao som de bandas como Bad Religion, NOFX e etc., tendo sido composta pela banda anterior de M. Shadows, a "Sucessful Failure" e gravada posteriormente pelo a7x.

"Shattered By Broken Dreams" é melancólica em seus primeiros minutos, mas não demora a mostrar sua verdadeira face. A música apresenta mais partes cantadas por Sanders e encerra o disco com o mesmo som de tempestade que introduz "To End the Rapture".

As canções de "Sounding The Seventh Trumpet" foram parcialmente esquecidas pela banda desde 2004, com exceção de "To End The Rapture", que era esporadicamente tocada até meados de 2006. No geral, se você gosta de Screamo/Hardcore, esse disco será bastante agradável para seus ouvidos, mas se preferir uma sonoridade mais tradicional de Rock ou Metal, passe longe desse álbum, exceto por talvez 2 ou 3 faixas.

Tracklist:

1. "To End the Rapture" - 1:24
2. "Turn the Other Way" - 5:39
3. "Darkness Surrounding" - 4:51
4. "The Art of Subconscious Illusion" - 3:48
5. "We Come Out at Night" - 4:45
6. "Lips of Deceit" - 4:10
7. "Warmness on the Soul" - 4:20
8. "An Epic of Time Wasted" - 4:22
9. "Breaking Their Hold" - 1:12
10. "Forgotten Faces" - 3:29
11. "Thick and Thin" - 4:15
12. "Streets" - 3:06
13. "Shattered by Broken Dreams" - 7:07

Waking the Fallen

Considerado até hoje como um dos melhores trabalhos de Metalcore já concebidos. Nesse disco o Avenged Sevenfold conta efetivamente com Synyster Gates na guitarra e Johnny Christ substituindo Justin Sane nas quatro cordas. Musicalmente percebesse um grande amadurecimento por parte da banda (em parte devido à pressão imposta pelo produtor Andrew "Mudrock" Murdock), já que o álbum possui um trabalho instrumental/vocal bem mais apurado do que seu antecessor, além de ser responsável por firmar definitivamente o nome do grupo no underground.

O disco abre com a intro "Waking the Fallen", uma faixa ao estilo "vozes do além" cujo som vai se tornando mais alto gradativamente enquanto Shadows canta algumas palavras que introduzem "Unholy Confessions", que com seu riff matador e batida Hardcore, é a favorita do Avenged Sevenfold para fechar shows/fazer moshs, a música também faz com que o ouvinte logo note a maior quantidade de partes cantadas com relação à "Sounding the Seventh Trumpet", além da adição de harmonias de guitarra, característica inexistente no disco anterior.

"Chapter Four" versa sobre o assassinato de Abel pelas mãos de Caim (história que também inspirou o nome da banda) e apresenta ainda mais canto do que sua antecessora, a faixa conta também com um ótimo refrão e um belo solo de Synyster Gates
.
O disco segue com "Remenissions", na mesma pegada que as anteriores, mas ganhando destaque pela adição de guitarras flamencas durante seu refrão e a "Desecrate Through Reverance", que exibe vocais guturais bastante agudos de M. Shadows.

"Eternal Rest" se inicia com um rápido solo fritado que logo é substituído pelo groove de um riff simples e contagiante, a música apresenta diversas mudanças em seu decorrer, contendo inclusive uma passagem tranquila e melódica que costumava ser cantada por Shadows, Gates e Rev ao vivo. Já "Second Heartbeat" dosa Hardcore e Metal na medida certa e apresenta o coro mais contagiante da história do Avenged Sevenfold, além de um solo absurdo que finaliza a música.

"Radiant Eclipse" possui uma introdução sinistra e lúgubre, que se estende por mais de um minuto (o tipo de passagem instrumental que te dá um frio na espinha, ao melhor estilo "Black Sabbath") até a entrada dos vocais. "Eclipse" versa sobre assassinato e conta com um refrão potente no qual nota-se a evolução de Shadows como cantor.

A suíte "I Won't See You Tonight" teve sua inspiração lírica retirada das tentativas de suicídio do ex-baixista da banda, Justin Sane, e é dividida em duas partes, sendo que a primeira se trata de uma balada épica e depressiva baseada em notas de piano e fraseados melancólicos de guitarra. "IWSYT, PT.1" é a única música do disco que não apresenta vocais gritados e se estende por 9 minutos até o início da segunda parte da obra, que com riffs dissonantes e linhas de bateria extremamente agressivas, deixa evidente as influencias mais extremas do Avenged Sevenfold, ocupando definitivamente o posto de música mais pesada do álbum.

"Clairvoyant Disease" é uma soturna canção com nuances góticas que apresenta um bom trabalho instrumental, mas acaba passando despercebida no meio das demais. Já "And All Things Will End" fecha o disco de maneira excelente, Shadows e Gates estão em perfeita sincronia nessa faixa, com os leads de guitarra acompanhando de perto os vocais. A música possui um ótimo refrão e é quase desprovida de vocais gritados, sendo assim, Sanders solta a voz e entrega uma das suas melhores performances no álbum, a canção ainda apresenta um interlúdio no melhor estilo "Master of Puppets" e encerra com uma espécie de jam dos integrantes, na qual o som dos instrumentos vai gradativamente se "desfazendo" até se encerrar.

O disco apresenta um trabalho instrumental e vocal sólidos, sendo com certeza um álbum essencial para os apreciadores de Metalcore e vale a pena dar uma conferida até mesmo para os fãs da vertente mais tradicional do Heavy Metal. "Waking The Fallen" rendeu notoriedade para que a banda se tornasse uma das favoritas da Warped Tour, apesar de o registro possuir consideravelmente mais características de Metal do que Hardcore, diferente de "Sounding The Seventh Trumpet".

Tracklist:

1. "Waking the Fallen" - 1:42
2. "Unholy Confessions" - 4:43
3. "Chapter Four" - 5:42
4. "Remenissions" - 6:06
5. "Desecrate Through Reverance" - 5:38
6. "Eternal Rest" - 5:12
7. "Second Heartbeat" - 7:00
8. "Radiant Eclipse" - 6:09
9. "I Won't See You Tonight (Part 1)" - 8:58
10. "I Won't See You Tonight (Part 2)" - 4:44
11. "Clairvoyant Disease" - 4:59
12. "And All Things Will End" - 7:40

Confira abaixo um vídeo da banda executando a canção "Second Heartbeat" ao vivo na Warped Tour em 2003.

A banda na época do lançamento de Waking The Fallen
A banda na época do lançamento de Waking The Fallen

Segundo Matthew, a maneira como a banda se vestia e seus pseudônimos iam contra a filosofia do Hardcore, mas o a7x decidiu adotá-los mesmo assim para irritar os puristas.

Veja a segunda parte no link abaixo.

A7X: Discografia Comentada, P. 2 (Expandindo horizontes)A7X
Discografia Comentada, P. 2 (Expandindo horizontes)




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