The Beatles: 50, 100, 1000 anos do Sargent Peppers

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Por Leonardo Daniel Tavares da Silva, Fonte: Whiplash
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Meu filho está prestes a completar mais um aniversário. Ainda são muito recentes em minha lembrança as primeiras músicas que eu cantei para niná-lo. Filho meu tem que gostar de música boa, eu pensei e penso. E por isso, nada melhor do que niná-lo cantando canções de um dos melhores discos já lançados (senão o melhor, mas, com certeza o mais revolucionário). E assim, eu me balançava com ele em uma rede na varanda de casa cantando as músicas do Sargent Peppers, na ordem do disco e à medida que eu sabia as letras (sempre misturo a letra da primeira Sgt. Peppers e da reprise e nunca decorei a letra de "Being For The Benefit of Mr. Kite"). O pequeno João Daniel logo adormecia nos meus braços e uma vez encerrou uma crise de choro ouvindo "Geting Better", comigo carregando bastante no Beeeeeeeeter.

Talvez não tenha sido correto misturar dois idiomas nos ouvidinhos tão novinhos do meu filho e às vezes me pergunto se não é essa a causa dele ainda falar numa língua só dele e só agora, quase aos dois anos, ele ter começado a dizer algumas palavras em português, inclusive a mais esperada: "papa".

Não tive a sorte do João Daniel, mas, se essas foram as primeiras músicas que ele ouviu, esse disco foi um dos primeiros que comprei, ainda em fita cassete, no meio da adolescência. Muito da arte de Peter Blake se perdia no diminuto artefato, mas isso nem importava muito naquela época de vacas tão magras e descobertas musicais. Já eram músicas mais velhas que eu na época, mas tiveram um papel importante na minha adolescência e juventude. Nada daquilo era o metal que eu tinha recém descoberto e tinha virado minha cabeça de magrelo espinhento. Algumas nem mesmo podem ser classificadas como rock, como "Within or Without You" repleta de referências indianas ou a jazzística "When I Am Sixty Four" (que tinha os metais ainda mais evidenciados devido a um problema na gravação que eliminava a voz de Paul McCartney em boa parte da faixa).

Este disco influenciou gerações nos últimos 50 anos e deve continuar influenciando, pelo menos pelos próximos 64. Lançado em primeiro de junho de 1967, na Inglaterra, depois que a banda já tinha se desviado do iê-iê-iê básico dos primeiros discos, flertado abertamente com a psicodelia em "Rubber Soul" e "Revolver" e abandonado as turnês, o disco lança as bases de praticamente tudo o que foi feito no rock a partir dali. Ainda não dá pra evidenciar algo de Heavy Metal como acontece facilmente em Helter Skelter, do também excelente álbum branco, tida por muitos como a primeira canção do gênero, mas alguns acordes da faixa titulo carregam um pouco mais de peso, fazendo com que, mesmo com exagero (vejam bem!), possamos considerá-la como um antigo ancestral do tipo de música que apareceria anos mais tarde pelas mãos do BLACK SABBATH e dos próprios BEATLES na faixa que já citei.

"Homenageada" de diversas formas, como no interessante álbum de covers da ANDY TIMMONS BAND, ou num bloco carnavalesco chamado Sargento Pimenta (!!!), ou mesmo através das dezenas de capas baseadas na sua, esta obra continuará influenciando gerações de músicos e pessoas comuns. E nos quarenta e cinco anos deste que é "O" álbum, indico duas matérias aqui do Whiplash repletas de curiosidades.

Na primeira, um interessante infográfico com todos as pessoas retratadas na colagem de Peter Blake:
5000 acessosBeatles: Quais as pessoas e objetos da capa do Sgt. Peppers?

Na segunda, conceitos, curiosidades e mais informações faixa-a-faixa para ler e reler.
5000 acessosSgt. Peppers: O mais importante disco da história?

Ainda sobre a capa, esta galeria do UOL mostra, além das fotos que aparecem no álbum outras fotos das pessoas retratadas.

http://virgula.uol.com.br/ver/album/musica/2012/05/31/20298-...

Ainda hoje, quando escuto "When I Am Sixty Four", espero não ouvir a voz de Paul (não sei se o problema ocorreu em todas as gravações ou se fui "sorteado"). Não porque eu não queira ouvir a voz do sir, mas por que quero recordar daqueles tempos, em que a vida era um grande livro aberto e eu ainda podia cantar "When I Am Sixteen". Um dia, o João Daniel ninará o meu neto cantando as canções deste disco imortal.

Trechos de "Eight Days A Week", mesmo falando 'ei-dei-zuí', ele já sabe cantar.

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Sobre Leonardo Daniel Tavares da Silva

Daniel Tavares nasceu quando as melhores bandas estavam sobre a Terra (os anos 70), não sabe tocar nenhum instrumento (com exceção de batucar os dedos na mesa do computador ou os pés no chão) e nem sabe que a próxima nota depois do Dó é o Ré, mas é consumidor voraz de música desde quando o cão era menino. Quando adolescente, voltava a pé da escola, economizando o dinheiro para comprar fitas e gravar nelas os seus discos favoritos de metal. Aprendeu a falar inglês pra saber o que o Axl Rose dizia quando sua banda era boa. Gosta de falar dos discos que escuta e procura em seus textos apoiar a cena musical de Fortaleza, cidade onde mora. É apaixonado pela Sílvia Amora (com quem casou após levar fora dela por 13 anos) e pai do João Daniel, de 1 ano (que gosta de dormir ouvindo Iron Maiden).

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