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Geoff Nicholls: O membro obscuro do Sabbath

Por Rodrigo Teixeira
Em 02/01/07

Pergunte a qualquer fã do Black Sabbath, não os fãs de coração, mas aos comuns, quais os membros da banda. Com certeza, a resposta será: Ozzy, Tony Iommi, Geezer Butler, e com muita sorte, Bill Ward. Tirando aqueles jovens que só conhecem "Iron Man", "Paranoid" e "War Pigs", e que acham que estas são as melhores músicas de todos os tempos, ouviremos os nomes de Dio, Ian Gillan e Tony Martin. Mas quem, novamente excluindo os fãs de coração, se lembrará do homem atrás dos teclados, o gigante vicking Geoff Nicholls, com 1.87 metros de altura?

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Geoff saiu da banda psicodélica World Of Ozz, com a qual lançou um disco homônimo em 1969, para se juntar a Bandy Legs, que posteriormente mudaria seu nome para Quartz. Em ambas as bandas, Geoff tocava teclado e guitarra. Tornando-se Quartz oficialmente em 1974, a banda assinou um contrato em 1976 com a Jet Records, lançando no ano seguinte seu primeiro álbum, chamado "Quartz". Este álbum foi produzido por ninguém menos que Tony Iommi, que tocou flauta na musica "Purple Rain".

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Em 1979, Geoff deixou a banda a convite do Tony Iommi, para se juntar ao Black Sabbath para tocar baixo, no lugar de Geezer Butler, que havia saído. Durante esse tempo, de composição do álbum "Heaven and Hell", Ozzy ainda estava na banda, tendo gravado inclusive algumas demos, mas saiu ainda em 79.

Neste ano, Ronnie James Dio, ex-Rainbow, entrou na banda a convite do Iommi. Algum tempo depois, Geezer Butler retornou para comandar as quatro cordas do baixo, no lugar de Geoff Nicholls, que passou a tocar teclado. Entre os baixistas, há uma grande admiração ao Geezer pela criação das linhas de baixo do álbum "Heaven And Hell", que são geniais. Mas o que quase ninguém sabe, é que foi Geoff Nicholls quem criou as linhas de baixo do álbum, quando ainda atuava como o homem das quatro cordas. A única exceção é a música "Neon Knights", que pode ser creditada seguramente a Geezer.

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Anos se passaram, e chegou o fatídico momento em que Glenn Hughes, ex-Deep Purple, assumiu os vocais da banda. Após a gravação do CD "Seventh Star" a banda saiu em turnê pela América do Norte, e foi então que os problemas começaram. Devido ao uso abusivo de drogas, a uma briga com um membro da equipe – que resultou em um osso facial quebrado, o que inundava as cordas vocais de sangue quando ele cantava – e o estresse, a voz do Glenn Hughes simplesmente deteriorou.

No penúltimo show em Providence, em 25 de março de 1986, em um bootleg que circula entre os colecionadores, o show inteiro tem os vocais de Glenn Hughes e Geoff Nicholls, que fazia o backing vocal, no mesmo volume. A partir da musica "Neon Knights", que foi a 15ª do setlist, o volume se altera, e Glenn passa a somente mover os lábios, deixando o vocal a cargo do tecladista. Uma prova disso pode ser ouvida em três pequenos trechos do ultimo show, disponíveis para download no site Sabbath Live (www.sabbathlive.com) na sessão multimídia. Lá, você encontrará um fragmento onde Glenn fala sobre Moammar Qaddafi, um trecho dele cantando "Children Of The Grave", tenho que dizer, de cortar o coração, e um pedaço de "Turn To Stone", em que Geoff Nicholls canta.

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Neste mesmo ano, após sete anos com o grupo, Geoff foi finalmente classificado oficialmente como um membro da banda, assim como Ozzy e Dio. Finalmente nesta turnê ele estava também visível no palco, e não escondido em alguma parte escura.

Alguns fãs do tipo "só a fase Ozzy no Sabbath é que presta" dirão que o teclado nas músicas as deixa mais suaves, o que não procede. Em 1989 foi lançado o brilhante "Headless Cross", com Tony Martin no vocal. Esse disco foi uma retomada ao clima sombrio que cercou a banda no primeiro álbum, já que após ele, a banda tentou se afastar dessa figura "demoníaca" que tentavam creditar a eles. Em "Headless Cross" a banda volta a falar do demônio, com músicas sombrias e pesadas, e esse clima só é possível com o teclado de Geoff.

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Existe um vídeo de 1995, em Malta, da turnê do último álbum de estúdio da banda, "Forbidden", com Tony Martin cantando. Neste vídeo Tony Martin apontou com o microfone para Geoff Nicholls, que estava visível no palco novamente, depois de nove anos, e indicou que era ele quem estava cantando nos refrões. Já na clássica "The Wizard", a câmera mostra diversas vezes Geoff Nicholls tocando a guitarra base, enquanto Tony Iommi solava. Todos na banda estavam rindo, parecendo se divertir.

Dois anos depois, Ozzy retornou à banda para a turnê de reunião. Devido aos abusos de álcool e drogas, a voz do Madman não era sequer a sombra do que foi nos anos 70, quando ele cantava as notas agudas sem maiores problemas. Mas na turnê de reunião ele não conseguia, então Geoff Nicholls fez o backing vocal, embora não seja creditado por isso. Agora, com Ozzy nos vocais, e como era a turnê de reunião dos quatro membros originais, a gravadora não permitiu a presença de uma quinta pessoa no palco, embora ele fizesse o backing vocal.

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Em 2004 Geoff deixou a banda, após 25 anos de atividade ao lado de Tony Iommi, tendo ele participado diretamente de tudo que foi gravado e tocado pelo Black Sabbath do álbum "Heaven and Hell" em diante. Embora possa parecer uma separação, Geoff e Iommi são ainda ótimos amigos.

Após sair do Black Sabbath, Geoff Nicholls se juntou ao ex-companheiro e ótimo amigo Tony Martin em sua carreira solo, e ambos gravaram o disco "Scream", lançado no final de 2005. Tocando teclado e fazendo novamente backing vocals, Geoff gravou ao lado de Tony Martin um dos melhores álbuns de Heavy Metal do ano.

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A grande novidade de 2007, porém, em relação ao Black Sabbath, é o retorno da formação do "Heaven and Hell" sob esse mesmo nome. A grande especulação é sobre a participação ou não do Geoff neste projeto. Em um e-mail encaminhado a um membro do fórum do maior site sobre a banda (www.black-sabbath.com), Geoff disse que ainda não foi convidado a se juntar a Heaven and Hell, mas que adoraria participar.

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Sobre Rodrigo Teixeira

Estudante de jornalismo, nasceu em 1986 e cresceu ouvindo tudo menos rock. No dia do casamento da irmã, ganhou uma fita K7 que iria para o lixo, com ela dizendo "Ouve isso, vai mudar a sua vida". Colocou para para tocar e, depois dos vinte segundos iniciais da música "Black Sabbath", jogou os CDs de Rap pela janela. Daquele dia em diante, começou a reverenciar a banda dos quatro homens de Birmingham. Ama Judas Priest, Deep Purple, AC/DC, Overkill. Qualquer um desses para começar o dia sorrindo.

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