Tim Buckley
Por Dérik Granziera
Postado em 06 de abril de 2006
Timothy Charles Buckley (Tim Buckley) continua sendo um enigma mais de um quarto de século após a sua morte,em 1975. Um músico capaz de compor uma melodia inolvidável literalmente à mesa do café da manhã, capaz de esticar a voz dos graves mais soturnos aos agudos mais excruciantes (sem cair no falsete). Além disso, o que ele fez, em sua carreira discográfica de pouco mais de oito anos, foi "rock" mas foi "folk", "jazz" e "soul". Para aumentar o fascínio mórbido em torno do sobrenome Buckley, Tim ainda teve um filho músico, Jeff,também excelente musico (com uma voz maravilhosa e angelical) fruto indesejado de seu casamento com a pianista Mary Guibert, também morto estupidamente, afogado nas águas barrentas do Rio Mississippi em 1997, quando tinha 30 anos.
Tim Buckley tem sido alvo de interesse renovado conforme continua a desafiar os ouvintes com um "decifra-me ou te devoro" comparável aos de Nick Drake, cantor e compositor com quem guarda algumas notáveis semelhanças. Sendo a principal, à parte as mortes precoces, a capacidade de passar da ternura à raiva num verso.
Tim Buckley estreou em gravações em 1966, após ser visto pelo empresário de Frank Zappa durante uma apresentação em Los Angeles. O álbum, que levava seu nome refletia claramente uma influência do folk, em especial de Bob Dylan; sua voz chamava a atenção pelos agudos, que o aproximavam de um cantor de coral.
"Goodbye and Hello", do ano seguinte, é talvez seu trabalho mais conhecido, no qual o acompanhamento de banda é substituído por intrincados arranjos de cordas e metais, e as letras tornam-se mais ambiciosas.
Em seu terceiro álbum, o mais conceituado pela crítica, Tim flerta com o cool jazz de Miles Davis e abaixa seu tom de voz; esta aproximação com o jazz pontuaria também seus álbuns seguintes.
Um dos traços típicos dele era pular de estilo de LP para LP, o que intrigava seus fãs e enlouquecia qualquer gravadora. Assim, se no começo da carreira ("Wings", música de 1966) Buckley empostava a voz como um menestrel medieval, inclusive caprichando no sotaque inglês para soar mais convincente. No final ("Make It Right" de 1972) ele mandava ver em funks lúbricos, gemendo sacanagens S&M. Não era para ser o mesmo cantor mas era.
Sua obra-símbolo "Song to the siren" (Canto para a sereia), é um bom exemplo. É a tal melodia composta por Buckley à mesa do café, diante dos olhos de Beckett, em 1967. O letrista fora à casa do cantor apresentar um poema inspirado na "Odisséia", de Homero. O outro leu a letra, fez uma pausa, pegou o violão de 12 cordas e criou a música no ato, quase do modo como ela seria registrada no LP "Starsailor", de 1970. A primeira versão lançada em disco foi na voz de... Pat Boone. Um ano antes. O episódio está descrito no encarte do álbum. "Havia três ou quatro de nós em torno da mesa, completamente surpresos que algo tão lindo pudesse estar nascendo conosco ali", declarou Beckett a Barry Alfonso.
Seus últimos álbuns mostram uma reaproximação com o pop e passaram, como grande parte de sua carreira, despercebidos pela mídia.
Tim Buckley morreu em 29 de junho de 1975, vítima de uma overdose de heroina e morfina. Um grande cantor,letrista e violinista, que merece ser sempre lembrado. Sua música jamais será esquecida.
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



Os três álbuns do Pink Floyd que Roger Waters não consegue engolir
Quando Brian May mandou uma mensagem para o Metallica; "Isso aquece meu coração"
Charlie Benante explica o que o tirou dos shows recentes do Anthrax
Último álbum do Black Sabbath não rolou por conta de Bill Ward, diz produtor
Aerosmith anuncia dois shows em Hollywood com uma série de convidados
A banda que a polícia chamava de "inimiga número um da família brasileira"
O melhor disco da história do thrash metal, segundo a Kerrang!
Flotsam and Jetsam entrega fúria e maturação em "Rats in the Temple"
Quando Keith Richards se apaixonou por uma música - e pela vocalista que a cantava
O significado de "Don't Look Back in Anger", segundo Noel Gallagher
Iron Maiden e Megadeth juntos na América do Sul? Eis o que Dave Mustaine diz
Os seis países onde o Iron Maiden fez apenas um show durante toda a carreira
Trivium anuncia novo álbum de estúdio, "Crown in the Grave"
Paul McCartney diz que John Lennon podia ser "um completo idiota" em algumas coisas

Téléphone: A banda que revolucionou a música francesa
A curiosa trajetória de Wagner "Antichrist" Lamounier um dos fundadores da lendária Sarcófago
AC/DC: os últimos dias do vocalista Bon Scott


