Steve Morse
Postado em 06 de abril de 2006
Por Marcelo Ferranti
A paixão pela guitarra começou cedo para Steve Morse, nascido em 28 de julho de 1954, na cidade de Hamilton, em Ohio. Após passar grande parte da infância em Michigan, seguiu para Augusta, na Georgia, aos 13 anos. Durante a adolescência, Steve começou a dar seues primeiros passos na guitarra, influenciado pelos maiores nomes do cenário musical na época: Jimi Hendrix. Eric Clapton, Ritchie Blackmore, Jimmy Page e Jeff Beck.
Depois de uma longa jornada nos estudos de guitarra, Morse estava pronto para formar sua própia banda e competir no concorrido circuito de shows que se estendia da Georgia até a Carolina, o que não era uma tarefa das mais fáceis. Ao lado do amigo e baixista Andy West, seu ex-colega na escola militar Richmond Academy, Steve formou o Dixie Grits, que contava ainda com a presença do tecladista Mark Parrish e um eventual vocalista. Esta formação manteve-se por um breve período.
Buscando novos rumos para sua carreira, o guitarrista estreitou relações com o violinista clássico Juan Mercadal, que o aconselhou a prosseguir os estudos musicais na Universidade de Miami, berço de alguns dos maiores nomes do jazz contemporâneo, como Pat metheny e Jaco Pastorious. Durante o período em que cursava a universidade, Steve conheceu o baterista Rod Morgenstein e o violinista Allen Sloan ( membro da Filarmônica de Miami ), músicos que considerou ideais para a formação de um novo grupo. Contando ainda com as participações de Andy West, que viera a Miami para dar uma força ao amigo, e o tecladista David Davidowsky, foi fundada em 1974 a primeira formaçao do Dixie Dregs (escória sulista).
Em pouco tempo, a banda estava promovendo shows na região, com um repertório formado por covers da Mahavishnu Orchestra e do Allman Brothers, além de várias composições própias. Com o dinheiro arrecadado nestas apresentações, eles conseguiram realizar um álbum independente com tiragem limitada, gravado em uma mesa de 16 canais, que recebeu o título The Great Spectacular , um disco que acabou virando peça para colecionadores.
Após a formatura, Steve e seu grupo voltaram para Augusta, tocando ativamente nas casas de espetáculos da região. Em uma destas apresentações, onde dividiram o palco com a banda Sea Level, acabaram despertando o interesse de Twiggs Lyndon, empresário do Allman Brothers, que decidiu levá-los ao selo Capricorn. Foram contratados em dezembro de 1976. No ano seguinte, o Dixie Dregs lançou seu primeiro álbum oficial, Freefall. Logo após a realização deste disco, Davidowsky resolveu sair, sendo subtituído por Mark Parrish, do antigo Dixie Grits, que estreou em What If.(1978).
Night Of The Living Dregs, de 1979, traz gravações realizadas em estúdio e no Festival de Jazz de Montreux, em 23 de julho de 1978, apresentando um repertório poderoso, que contava com os destaques "Country House Shuffle","Punk Sandwich" e "Leprechaun Promenade". Neste período, o Dixie Dregs consolidou sua complexa sonoridade, reunindo de forma brilhante tendências como rock pesado, jazz rock, música barroca, folk, country, bluegrass e erudito.
Em 1980, o grupo assinou com o selo Arista, lançando Dregs Of The Earth, que traz o tecladista T.Lavitz no lugar de Parrish e músicas antológicas como "Road Expense", "Pride O’ The Farm" e "Hereafter". O próximo disco, Unsung Heroes (1981), trouxe como novidade a mudança do nome da banda para The Dregs.
O Suposto fim do Dregs e o inicio da Steve Morse Band.
O trabalho seguinte, Industry Standard, de 1982, conquistou o prêmio de melhor álbum de guitarra pela revista Guitar Player e Morse recebeu o título de melhor guitarrista do ano, façanha que seria repetida por mais quatro vezes consecutivas!!! O disco traz ainda a participação de dois nomes ligados ao grupo Yes: o produtor Eddie Offord e o mestre da guitarra Steve Howe. Nesta fase, o Dregs ainda receberia a adesão do violinista Mark O’Connor no lugar de Sloan. Para a tristeza dos fâs, este ano marcou o encerramento das atividades do grupo, apesar do ótimo momento pelo qual a banda passava.
Sempre à procura de novas propostas sonoras para sua guitarra, Steve planejou em 1984 a formação de um novo grupo, que recebeu o nome de Steve Morse Band. O disco de estréia, The Introduction , trouxe a participação de seu ex-colega do Dregs, Rod Morgenstein e o baixista Jerry Peek. Entre os convidados, o tecladista T.Lavitz e o veterano guitarrista Albert Lee. A carreira da banda seria interrompida com a ida de Steve para o Kansas, uma das bandas mais importantes do cenário norte-americano nos anos 70. Sua participação no Kansas ficou restrita a dois lançamentos, Power, de 1987, e In The Spirit Of Things, de 1988.
Em 1989, Steve Morse lançou High Tension Wires, que conta com a presença de seus colegas de Dregs, Rod Morgenstein, Allen Soan, Andy West e T.Lavitz, além do baixista Jerry Peek. Este trabalho traz a regravação de "Leprechaun Promenade", do Dixie Dregs. O retorno da Steve Morse Band aconteceria apenas em 1991, com Southern Steel , trazendo a formação que até hoje compõe o grupo; Dave Larue no baixo e Van Romaine na bateria. No ano seguinte é lançado mais um trabalho: Coast To Coast.
Apesar do sucesso alcançado, Steve Morse não resistiu à proposta da gravadora Capricorn para retornar com o Dixie Dregs. O álbum Bring’Em Back Alive marcou a volta, apresentando os melhores momentos do show gravado no The Center Stage, em Atlanta.Além dos clássicos da banda , merece destaque o cover de Kashmir, do Led Zeppelin. O vitorioso retorno do Dixie Dregs duraria até 1994, quando foi lançado Full Circle. Entre as novidades do disco estão a entrada do violinista Jerry Goodman no lugar de Sloan e a gravação de Shapes Of Things, antigo sucesso dos Yardbirds.
Em 1996, é a vez de Stressfest, mais um lançamento da Steve Morse Band, que foi gravado um pouco antes da entrada do guitarrista no Deep Purple, e traz o músico em ótima forma. Como diz o título, o tema básico deste novo trabalho se relaciona às mais variadas manifestações do stresse no cenário urbano.
Acompanhado novamente pelos excelentes músicos Dave Larue e Van Romaine, Steve mostra a sua técnica, ecletismo e sensibilidade desde os momentos mias pesados e agressivos, como Rising Force, Nighthwak e Brave New World, até as concepções suaves em Eyes of a Child , 4 minutes to Live e Delicate Balance. As composições, como sempre, ficaram sob total responsabilidade do guitarrista, que também se encarregou da produção ao lado de LaRue.
Um novo desafio: O peso do Deep Purple
Os fãs de Steve Morse tiveram uma surpresa e tanto quando o músico recebeu o convite para compor uma das maiores bandas de rock pesado de todos os tempo, o Deep Purple, que havia perdido o seu guitarrista Ritchie Blackmore durante a turnê mundial de 1993, sendo necessária a providencial ajuda de Joe Satriani para completar a série de shows pendentes. Em companhia dos veteranos Ian Gillan, Roger Glover, Jon Lord e Ian Paice, Steve Morse conseguiu colocar em prática todo o seu arsenal sonoro no álbum Purpendicular e no recente Bananas.
A entrada de Morse alterou significamente o som da banda, com sua sonoridade folk, que sempre foi a sua marca registrada. As apresentações de Morse ao lado do Deep Purple prometem ser inesquecíveis.
Fonte: Revista Guitar Player
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