Accept
Postado em 06 de abril de 2006
Embora a Inglaterra seja sem sombra de dúvida o berço da maioria das bandas mais importantes do heavy metal mundial, a Alemanha foi responsável por dar ao mundo outras tantas dessas bandas, entre outras Scorpions e a menos conhecida mas não menos importante Accept.
Donos de um estilo inconfundível durante os anos de sua formação clássica, o Accept, apesar da comparação comum com o Judas Priest, é marcado pela voz ímpar de Udo Dirkschneider, bem como pelas influências clássicas do guitarrista Wolf Hoffman (declaradamente grande fã de Tchaikovsk, Bach e Beethoven). O Accept pode ser considerada uma das primeiras bandas a fazer o hoje tão difundido "heavy metal melódico", embora a maioria de suas músicas seja mais marcadas pela agressividade. Outros a classificariam como precursores do "speed metal" e "power metal".
Fundada em 1970 na cidade de Solingen, Alemanha, pelo vocalista Udo, a banda passou por várias formações até se estabilizar em 1976, quando tocaram no festival Rock AM Rhein e conseguiram um primeiro contrato de gravação. A formação à época contava com Udo Dirkschneider, Wolf Hoffmann, Peter Baltes (baixo), Gerhard Wahl (guitarra) e Frank Friedrich (bateria). Gerhard seria substituído por Jörg Fischer em 1978. A estréia do Accept em vinil aconteceu em 1979 com um álbum auto-intitulado. O baixista Peter Baltes cantou duas faixas no disco.
Viriam a realmente aparecer ao grande público com o lançamento do visceral "I'm a Rebel", de 1980, que transformou a banda imediatamente em um dos clássicos de todos os tempos do heavy metal. A esta altura Frank Friedrich havia abandonado o Accept para seguir uma "carreira de músico profissional" e foi substituído por Stefan Kaufmann.
Em 1981 lançaram "Breaker" e saíram para sua primeira grande tour pela europa, abrindo para o Judas Priest. Começaram a surgir os primeiros sinais de stress dentro da banda que se consumaram com a saída de Jörg Fischer pouco antes da gravação de "Restless & Wild", grande marco de sua carreira, com o primeiro hit, "Fast as a Shark", precursor do que seria chamado de "speed metal". No álbum, todas as guitarras foram tocadas por Wolf e para a tour que se seguiu foi contratado o guitarrista Herman Frank.
A consagração definitiva veio em 1982 com o clássico "Balls To The Wall". Com participação do letrista Deaffy (na verdade uma mulher, a manager da banda, Gaby Hauke), criaram um álbum conceitual que falava sobre política, amor, sexo, igreja, responsabilidade, vícios, entre outros, atitude praticamente inédita entre as bandas de heavy metal da época. Anonimamente, Deaffy participaria das letras do Accept daí em diante.
Com Jörg Fischer de volta à banda, em 1984, se apresentaram no lendário festival Monsters of Rock, em 1985 alcançaram o auge de sua carreira com o álbum "Metal Heart", produzido por Dieter Dierks, que havia trabalhado com os Scorpions entre outros. A faixa "Metal Heart", maior clássico da banda, deixa clara a influência da música clássica européia com o trecho de Pour Elise (de Beethoven) tocado durante o solo de guitarra. Lançaram em seguida "Kaizoku Ban", excelente primeiro registro da banda ao vivo, EP gravado em Osaka, Japão, em 1986.
Após mais um excelente LP de estúdio, "Russian Roulette", em 1985, o vocalista Udo abandonou o Accept para seguir carreira solo com sua banda U.D.O. Um dos motivos foi a dificuldade do vocalista em abandonar a Europa e seguir a banda que cada vez mais se fixava nos Estados Unidos. Com um novo vocalista, David Reece, a banda lançou o fraco e comercial "Eat The Heat", que não traz nenhuma semelhança com a sonoridade do Accept clássico. Ironicamente Peter, Wolf, Jörg e Stefan fizeram as composições para o excelente "Animal House", melhor álbum da carreira solo de Udo. Com Jim Stacey nas guitarras o Accept seguiu para uma nova tour. Steffan Kaufmann foi obrigado a abandonar os shows por problemas na coluna, sendo substituído por Ken Mary, da banda House of Lords.
Com o lançamento do ao-vivo "Staying Alive" em 1990 (feito a partir de gravações antigas ainda com Udo nos vocais) e a excelente aceitação do público, ficou claro que uma reunião da formação clássica era necessária. Em 1993 a banda, novamente com Udo e Kaufmann, lançou o excelente "Objection Overruled".
Durante a gravação do disco que se seguiu, "Death Row", em 1994, o baterista Stefan Kaufmann teve uma recaída de problemas na coluna que o forçaram novamente a parar de tocar. Stefan Schwarzmann foi o substituto temporário escolhido. Fora este problema específico, a idade avançada dos membros, responsabilidades para com as famílias e projetos solos continuavam deixando mais difícil a manutenção da banda após mais de 20 anos de estrada.
Mesmo sabendo que a banda podia ser encerrada definitivamente a qualquer momento, se reuniram nos Estados Unidos em 1995 para gravar o álbum "Predator",
com o americano Michael Cartellone (que havia tocado com Ted Nugent e os Damn Yankees) na bateria e Peter de volta aos vocais em algumas das músicas. Uma última tour seguiu pela América, Asia e Europa. Em 1996, em Tóquio, fizeram sua última apresentação.
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