23/08/13 - Soulfly (Manaus - AM)
Por Cesar Matuzza
Postado em 27 de agosto de 2013
Sexta feira, dia 23 de agosto, data que entrará para história, principalmente para as 10 mil pessoas que se reuniram no anfiteatro da Praia da Ponta Negra, às margens do gigante e místico Rio Negro para celebrar a visita em terras manauaras de MAX CAVALERA, ídolo e quase uma lenda do metal nacional, com o SOULFLY. A última vez que Max esteve em Manaus foi com o SEPULTURA, ainda na turnê do ‘Beneath the Remains’, em 1989. Uma conta rápida e chegaremos aproximadamente a quase 25 anos de espera dos headbangers de Manaus para ver de perto seu ídolo novamente.
O público não decepcionou. Assim que cheguei ao anfiteatro, um grande número de pessoas já estava à espera da grande noite. O evento era gratuito, ótimo para os headbangers da cidade, que não precisaram desembolsar a grana pra pagar ingresso, sobrando mais para as cervejas geladas, cobradas também com um preço relativamente justo e que eram altamente necessárias para combater o calor da noite. Calor esse que era ainda maior pela concentração da galera e a energia liberada durante os mosh pits. O início das atividades estava marcado para começar cedo, 19hs, pois às margens da praia, há edifícios residenciais de luxo, e nem precisamos comentar o quanto os moradores estavam incomodados com o movimento e o barulho do Heavy Metal nas vizinhanças. Então a prefeitura agendou para terminar tudo até à meia noite. Ótimo horário, não há necessidade de shows começarem às 2 ou 3hs da manhã. Assim fica melhor pra quem trabalhou durante o dia na sexta e quem ainda tem que trabalhar no sábado cedo (inclusive eu mesmo) e pegar transporte público de volta para casa.
Às 19h em ponto começa o show da JARAKILLERS (banda local com o nome que referência um peixe tradicional muito apreciado no Amazonas). Banda das antigas retomando as atividades. Abriram o show do Sepultura em Manaus em 2002, e estão voltando muito bem. Logo depois entra a EUTANASE, outra ótima banda de trash manauara (aliás, Manaus está muito bem servido de bandas de metal) com músicas próprias e um instrumental de ótima qualidade.
Às 21hs sobe ao palco mais uma banda local, a NEKROST. Os headbangers informados do Brasil sabem que essa foi a banda que em 2011 ganhou a seletiva Metal Battle Brasil do Wacken, e foi representar o Brasil no festival alemão. Com uma legião de fãs consolidado em sua cidade natal, é a banda de maior lastro entre o público local, foi a banda com mais camisetas vistas na noite e que mais fez o público se quebrar e cantar junto, com direito até a um "wall of death" em um anfiteatro. Proeza dos headbangers presentes. Uma das mais promissoras bandas de Metal da região Norte, e do Brasil. Confira abaixo o show deles no Wacken.
Mais uma banda antes da atração principal, dessa vez a honra coube ao MX, banda paulistana das antigas mostrando que ainda tem ótima lenha pra queimar, muito competente e um show super sincado e limpo, com os vocais principais muito competentes do baterista Alexandre Cunha (incomum para uma banda de rock) que há pouco tempo em entrevista aqui para o Whiplash, afirmou que a banda voltou para ficar, e pelo jeito ele falava muito sério. MX é puro trash metal 80tista, rápido e preciso. Foi um grande show e deixou a galera no ponto para a atração internacional que vinha a seguir.
Às 22:20h a banda entra no palco, MAX CAVALERA com o tradicional uniforme camuflado, entra no palco, abre os braços e é ovacionado pelas quase 10 mil pessoas presente. E sem mais delongas já manda "Plata O Plomo" – música do último álbum ‘Enslaved’, letra em português e espanhol, falando sobre Pablo Escobar, ótima boas vindas em português, língua pátria de todos nós e em plena Amazônia, que faz fronteira com a Bolívia pelo rio Amazonas, e por onde com certeza os negócios do tráfico já escoaram. "Profecy" vem em seguida e faz todos cantarem juntos o refrão, o que põe fogo de vez na galera.
Uma pausa e Max agradece ao público, e diz que há 23 anos não sentia o calor da Amazônia, que estava feliz em poder voltar. O povo agradece o carinho à altura. Mais algumas músicas do SOULFLY vem na sequencia, Max comandava a galera como queria "Pulaê .. pulaê.." ao ritmo síncrono da pegada groove hipnótica do SOULFLY, que nos remete um pouco ao que começou a ser criado no CD Roots. Efeitos psicodélicos na guitarra de Marc Rizzo e o baixo competente de Tony Campos são outro destaque. Músicas muito bem tocadas que não deixam a desejar das versões originais em estúdio.
No meio do show começa um grande medley da carreira de Max Cavalera. "Refuse Resist" e "Territory" só não colocaram o local abaixo porque era ao ar livre, porque o publico explodiu de vez. Logo depois uma do "Nailbomb", projeto cult de Max formado ainda quando estava no Sepultura, gravado com participação do Igor na bateria e de Andréas Kisser em algumas músicas. Ainda teve de brinde "Straighthate", "Attitude" do Roots, "Arise/Dead Embrionic Cells". Como é bom ouvir de novo essas músicas ao vivo com os vocais originais.
Max anuncia uma música nova inédita que vem no novo trabalho ‘Savages’ do SOULFLY, gravada com a participação de seu filho Ritchie Cavalera. A música é "Bloodshed", muito intensa, bem marcada com um groove pesadíssimo pra acabar com o pescoço e um refrão bom de cantar. Quanto ao herdeiro da dinastia Cavalera, nenhuma decepção, filho de peixe, peixe é. O vocal do garoto magrelo é impressionante. Bem criado e talentoso, parece que o gutural está no DNA da família. A descendência da dinastia Max Cavalera ainda tem o baterista Zyon Cavalera, que estava tocando na formação atual da banda, mas devido ao medo de avião, não veio ao Brasil acompanhar o papai, uma pena. Se quiser conferir saca só o som da Incite, banda da nova geração dos Cavalera.
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Pra finalizar, o bis vem pra acabar com as panturrilhas (só as minhas ou de mais alguém?) "Roots bloody roots" cantada em uníssono pelo público, que Max às vezes nem precisava cantar o refrão, a galera deu conta sozinha. Pra fechar, "Eye for an eye", do primeiro ‘Soulfly’, matadora pra encerrar com chave de ouro uma apresentação histórica. MAX CAVALERA continua sendo uma referência e talvez o ídolo maior do metal brazuca. O respeito e a devoção que a maioria dos fãs brasileiros tem por ele é algo quase religioso, e com todo respeito, quem critica ou desmerece Max por qualquer motivo, é um grande mal amado precisando de uns 3 metros de... enfim! Uma pena termos tão poucas oportunidades de vê-lo por aqui nas terras tupiniquins, seja com qual banda for, sempre é um grande privilégio vê-lo ao vivo, por isso e por tudo mais, a noite de 23 de agosto é mais uma data que entra pra história do Metal da região Norte, que os banguers presentes vão continuar contando aos filhos, sobrinhos e netos, como foi a magia daquela noite quente de verão de metal, às margens do maior rio do mundo, que só quem sabe o que é a energia positiva de um show de metal pode entender.
Abraços a todos!
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