Curitiba: Sem reunião, Gamma Ray e Helloween fazem o básico
Resenha - Gamma Ray e Helloween (Hellooch, Curitiba, 15/04/2008)
Por Clóvis Eduardo
Postado em 19 de abril de 2008
Uns queriam ver apenas o Gamma Ray. Outros, somente o Helloween. E há também quem tenha ido para assistir as duas bandas juntas. Mas esperar que os dois grupos fizessem uma jam no palco, já seria considerado um pouco de exagero.
E era sim um exagero. Com naturalidade, o Helloween terminou o show de aproximadamente 1h30min e se recolheu. Após a saída, começou uma movimentação diferente no palco, inclusive com a colocação de mais um microfone ao centro. Mas com o fechar das cortinas, luzes acesas e o som mecânico subindo nos alto-falantes, pouca gente queria acreditar, mas o show havia terminado.
Antes mesmo da festa começar, a expectativa era grande para que pelo menos, o líder do Gamma Ray, Kai Hansen subisse ao palco, junto com os compatriotas alemães do Helloween. Muita gente foi inclusive motivada a comparecer à Helloch para presenciar tal momento histórico que vem acontecendo com freqüência desde o ano passado, quando foi iniciada a "Hellish Rock", entre as duas bandas. E como a primeira parada da turnê brasileira foi em Curitiba (com mais sete datas previstas no restante o país), cabia aos paranaenses, e meia dúzia de paraguaios alvoroçados, dar as boas vindas ao Gamma Ray e ao Helloween.
A última vez que o Helloween esteve no Brasil foi em 2006, para divulgar a terceira parte do "Keeper of The Seven Keys". Agora com o novo CD "Gambling With The Devil", o grupo criou a oportunidade de fazer uma nova turnê, e ainda conseguiu um feito bastante comemorado pelos fãs. Tocar junto com o Gamma Ray, que colhe os frutos da segunda versão do disco "Land of The Free", lançado em 2007. A união dos dois grupos resultou numa noite memorável.
Sem banda de abertura, o Gamma Ray ficou com a responsabilidade de abrir o espetáculo. É notável o talento de Kai Hansen, mas no geral, o grupo ganha por ser equilibrado, com ótimos músicos e canções bastante variadas. Dan Zimmermann é tão técnico na bateria que chega a chamar mais atenção do que qualquer outro dos três músicos que fica mais à frente do palco. Peso e força na medida certa para a abertura com "Into The Storm", recebida com vibração pelo público. Aliás, todas as canções foram cantadas com emoção e muito aplaudidas.
O show continua com os já habituais clássicos, como "Heaven Can Wait", "New World Order" e "Rebellion In Dreamland", bela música que sempre é considerada um dos momentos altos, por se tratar de um trabalho mais cadenciado e de belo refrão. O guitarrista Henjo Richter como sempre, é tranquilo, mesmo quando precisa executar os solos mais rápidos e complicados. Ele apareceu de óculos de grau no palco, mas sem se intimidar, mostrou habitual perícia e carisma com o público. Kai Hansen também conquista fácil a simpatia dos presentes, já que está sempre sorridente e manda muito bem na guitarra e nos vocais.
Um dos grandes momentos foi em "Ride The Sky", música oroginalmente do Helloween, que mesmo não tocada na íntegra, mostra a precisão de Kai e Henjo, em duetos durante o solo. Outra figura marcante da banda é o baixista, Dirk Schlächter, grande agitador e que auxilia Kai nos backing vocals, função que por vezes, toda a banda executa.
Em pouco mais de uma hora, deu tempo para reviver grandes momentos da carreira do Gamma Ray, como a tradicional brincadeira em "Heavy Metal Universe" e as várias divisões em "Somewhere Out In Space". Para fechar, veio "Send Me A Sign", um dos maiores sucessos do grupo e que já virou um típico cartão de despedida.
Após a saída, houve um longo intervalo até o início da apresentação do Helloween. Seria uma tarefa difícil para Andi Deris, Michael Weikath e companhia manter o nível do show que o Gamma Ray fez, já que a euforia no local era imensa. Mas tendo um pouco mais de tempo no palco, os alemães souberam aproveitar o talento e as várias brincadeiras no palco para enlouquecer de vez os curitibanos. A banda inicia com a antiga "Halloween", já mostrando que Andi Deris estava afiado nos vocais e pronto para mais uma ótima noite, assim como foram as últimas passagens pelo Brasil.
Um erro talvez tenha sido a escolha de duas músicas extensas para o show, como "Halloween" e "King For A 1000 Years", que teve a parte lenta levemente reduzida. O solo de bateria com cerca de cinco minutos também não tem um efeito muito bom, apesar de dar um descanso para o grupo. Da parte boa, "Eagle Fly Free", não poderia faltar, assim como "Dr. Stein", sempre bem recebida.
Sascha Gerstner na guitarra e Markus Grosskopf no baixo agitam muito, chamam o público para cantar e bater palmas a todo momento, além de serem os responsáveis pela parte mais bem humorada do show, como quando um joga uma palheta para o outro tentar pegar com a boca ou quando se inicia uma pequena guerra de toalhas e garrafas de água com o baterista Dani Löble. Michael Weikath está mais magro, mantém o ar sisudo com o cigarro na boca, mas perde as estribeiras vez em quando, mostrando a língua e fazendo caretas para o público. Só não poderia esquecer de dizer, lógico, que todos os músicos são altamente competentes, em uma apresentação sem imprevistos.
O set-list teve espaço para boas surpresas, como "Sole Survivor", a bela "March Of Time", do "Keeper Of The Seven Keys II" (quanto tempo!), e o medley que envolveu cinco das melhores músicas que o Helloween já lançou em mais de 20 anos de carreira: "I Can", "Where The Rain Grows", "Perfect Gentleman", "Power" e "Keeper Of The Seven Keys", com coros e palmas incentivadas pelo vocalista.
A parte final já se sabe. Com o fim de "Keeper...", imaginava-se que seriam tocadas "I Want Out", e "Future World", com Kai Hansen. O público permaneceu de frente ao palco, mas as luzes se acenderem aos poucos, e as cortinas se fecharem de vez. Era a confirmação de que acabava aí a chance de vermos uma reunião absolutamente impensável há alguns anos. Ninguém entendeu nada. Mesmo assim, as duas bandas fizeram belos shows e certamente, já deixam saudade para o público curitibano.
Agradecimentos: Ana Paula Flores e equipe do Grupo JAM, Makila Crowley.
Set-list Gamma Ray:
1 - Welcome
2 - Into The Storm
3 - Heaven Can Wait
4 - New World Order
5 - Fight
6 - From The Ashes
7 - Valley Of The Kings
8 - Rebellion In Dreamland
9 - Heavy Metal Universe
10 - The Silence
11 - Ride The Sky
12 - Somewhere Out In Space
13 - Man On A Mission
14 - When The World
15 - Send Me A Sign
Set-list Helloween:
1 - Intro
2 - Halloween
3 - Sole Survivor
4 - March Of Time
5 - As Long As I Fall
6 - Eagle Fly Free
7 - A Tale That Wasn’t Right
8 - Solo de bateria
9 - The Bells Of The Seven Hells
10 - King For A 1000 Years
11 - If I Could Fly
12 - Dr. Stein
13 – Medley: I Can, Where The Rain Grows, Perfect Gentleman, Power e Keeper Of The Seven Keys
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



O clássico do Metallica que James Hetfield considera "fraco": "Um enorme sinal de fraqueza"
Download Festival anuncia novas atrações e divisão de dias para a edição 2026
Blaze Bayley escolhe o melhor disco do Metallica - mas joga sujo na resposta
A maior dificuldade de Edu Ardanuy ao tocar Angra e Shaman na homenagem a Andre Matos
Os álbuns do Rush que são os prediletos de Regis Tadeu
AC/DC - um show para os fãs que nunca tiveram chance
João Gordo explica o trabalho do Solidariedade Vegan: "Fazemos o que os cristãos deveriam fazer"
"Burning Ambition", a música que dá título ao documentário de 50 anos do Iron Maiden
Como o Queen se virou nos trinta e ganhou o jogo que o AC/DC sequer tentaria, admite Angus
Indireta? Fabio Lione fala em "ninho de cobras" e "banda de palhaços" após show do AC/DC
Como a banda mais odiada do rock nacional literalmente salvou a MTV Brasil da falência
Iron Maiden anuncia reta final da "Run for Your Lives" e confirma que não fará shows em 2027
Loudwire lista 45 nomes que mereciam uma vaga no Rock and Roll Hall of Fame
Mikael Åkerfeldt (Opeth) não conseguiria nem ser amigo de quem gosta de Offspring
10 músicas de rock que os próprios artistas preferem esquecer, além de um álbum inteiro



Angra, Helloween e Arch Enemy puxaram a fila: 5 bandas que ganhariam com retornos
Summer Breeze anuncia mais 33 atrações para a edição 2026
Helloween coloca Porto Alegre na rota da turnê de 40 anos; show antecede data de SP
Os cinco melhores álbuns de Power Metal depois de 2000
Em 16/01/1993: o Nirvana fazia um show catastrófico no Brasil
A primeira noite do Rock in Rio com AC/DC e Scorpions em 1985


