John Lennon: a Beatlemania e a Ilha da Fantasia

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Por Luiz Otávio D. Pinheiro, Fonte: Studio41
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Quem tem mais de 30 anos certamente deve se lembrar do seriado que passou na rede Globo na década de 80, A Ilha da Fantasia. A idéia principal do filme era a visita a uma ilha paradisíaca para a realização de um desejo e as consequencias não muito agradáveis de ter o desejo vivenciado.

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Estudando a Beatlemania chego a conclusão que a explosão mundial do conjunto foi, principalmente para Lennon, uma verdadeira ida a ilha da fantasia.

Primeiro existe o desejo de fama, sucesso e acumulação patrimonial. Lennon, como todo aquele que é "um especial" sentia que não nascera para "ser mais um", apenas um coadjuvante e um seguidor. Ele tinha o desejo de liderança, de divulgar suas idéias, suas angústias e dúvidas. Sismou que seria o líder de uma banda (lembre-se que Paul, George e Ringo entraram sucessivamente num conjunto originariamente de Lennon. E em quase todos os artigos e textos sobre Beatles, Lennon é sempre citado. Embora não seja explicitado, Lennon era o líder dos Beatles) e que seria uma banda de sucesso. Isso tudo foi almejado e conseguido, mas...

Boa parte das vezes ele ficou numa situação secundária, com a tarefa de ser apenas “ guitarra ritmo”, fazendo "fundo" para que um outro Beatle fosse alvo dos holofotes como vocal principal de uma música. Segundo palavras do próprio Lennon "não acho a menor graça em fazer apenas guitarra ritmo". Ainda mais fazendo só um "preenchimento" em uma música que ele não sentia maiores afetos, que era do seu "competidor" Paul, quando podia estar ocorrendo exatamente o contrário - Paul fazendo figuração numa música cantada por Lennon. Para uma personalidade como a dele, isso era um verdadeiro martírio.

A estratégia de Brian Epstein era fazer os Beatles "bons moços". O lado rebelde, "quebrador de regras" do conjunto (drogas, maconha etc.) só veio a público após a morte de Epstein. Os quatro "não podiam nada", por exemplo, Lennon era proibído aparecer ou ser fotografado de óculos nesses anos.

Assim, Lennon "pulava o muro" para dar vazão a sua inquietação, declarando que eles eram mais populares do que Jesus, ironizando a realeza britânica falando que podiam só sacudir as jóias e fazia "micagem" no palco, segundo depoimento de Paul, para ironizar e instigar o público e o público (feminino em geral) ia ao delírio, sem entender nada do que Lennon estava sentindo. Fazia esses trejeitos a revelia de Epstein. Ao final de cada música eles comportadamente, dentro de terninhos bem talhados, se curvavam ao mesmo tempo, num agradecimento à moda japoneza.

A angústia e infelicidade de Lennon - um gênio preso dentro de uma garrafa - era extravasada nas letras das músicas (I´m a loser, I´ll cry instead, Help, Nowhere man) sendo que boa parcela dos beatlemaníacos no mundo não sabiam inglês, nem estavam interessados em entender as letras das músicas.

Segundo Hunter Davies, Lennon, de uma certa forma, invejava Mike Jagger, não pelo seu talento ou pelo seu sucesso, mas pela sua fama de rebelde, título que Lennon durante a Beatlemania nunca ostentou como gostaria - porque "os homens" não deixavam. “John at that stage still recented the cleaning-up operation Brian performed on then...”

Para concluir, faço a ressalva de que pesquiso “The Beatles” - não sou um estudioso da vida de Lennon - parece que existiam também traumas familiares. Creio que devem existir outras evidencias que indicam que Lennon era um Beatle profundamente infeliz. Para ele, a Beatlemania foi uma verdadeira viagem à ilha da fantasia.

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