Lançado inicialmente em 2003, com o título Sound of the Beast: The Complete Headbanging History of Heavy Metal, o livro que é vendido no Brasil com o nome “Heavy Metal: A história completa” mostra um apanhado interessante sobre o estilo mais pesado, controverso e apaixonante do rock. Escrito pelo jornalista suíço Ian Christie, a obra possui quase 500 páginas e, apresenta um guia histórico interessante, sobretudo para quem está iniciando como apreciador do Metal.

No segundo capítulo deu o mais que merecido destaque ao movimento The New Wave of British Heavy Metal (NWOBHM) ou em tradução literal “A nova onda do heavy metal britânico”. Nessa parte as super bandas Judas Priest e Iron Maiden são exaltadas como líderes e principais bandas do conglomerado metálico e, outros grandes nomes ingleses como Def Leppard, Saxon, Motörhead e Diamond Head não são esquecidos.
Outro ponto forte do livro são as ótimas entrevistas com os Metal Gods Ronnie James Dio e Rob Halford, além de grandes figuras como Gene Simmons (Kiss), Dave Mustaine (Megadeth) e Dee Snider (Twister Sister), que em seus respectivos depoimentos mostraram-se verdadeiros paladinos da cena headbanger. Christie acertou também ao relembrar os constantes ataques conservadores que o Heavy Metal sofreu de políticos e líderes religiosos nos Estados Unidos, principalmente na década de 1980. Cena americana inclusive, que na época oitentista foi a responsável pelo surgimento do Big Four (Metallica, Megadeth, Slayer e Anthrax) e boa parte dos grupos de Hard Rock, também conhecidos como Glam Metal (Motley Crüe, Ratt, Quiet Riot, Poison, Guns n’ Roses, etc), que levaram o movimento Metal a patamares de popularidade jamais alcançados antes. O Metallica nessa parte e em relativa porção do livro é sem dúvida a banda que mais tem destaque. Acredito que o quarteto de San Francisco realmente é inegavelmente um dos grupos mais importantes para a cena metal, mas Christie ao dar enfoque exagerado a eles deixou de lado muitas outras igualmente relevantes.
Mas nem só de acertos o livro é composto. Além de exageradas doses de Metallica, Ian Christie cometeu graves falhas ao dar destaque demais aos estilos mais extremos como Thrash Metal, Death Metal, Black Metal e Metalcore (sem dúvida os estilos que o jornalista mais aprecia) em detrimento de outros mais virtuosos como Power Metal, Progressive Metal, Metal Neoclássico, Metal Sinfônico, White Metal e, também outros estilos menos difundidos como Folk Metal e Viking Metal. Agora eu pergunto: como você faz um livro sobre a história do metal e simplesmente não dá ênfase ao movimento alemão do Power Metal, liderado por Helloween, Gamma Ray, pouco depois Blind Guardian, Primal Fear, Masterplan, Edguy, que mais tarde teve seguidores pelo restante da Europa como Stratovarius, Hammerfall e Rhapsody of Fire? Como você aborda a cena americana e simplesmente não dá voz a Dream Theater, Fates Warning e Symphony X? Até o duvidoso New Metal é melhor tratado – com um capítulo dedicado aos mesmos como se fossem os salvadores da nação headbanger no final dos anos 1990 e começo dos 2000. Sem contar que o autor no quinto capítulo comete alguns deslizes ao atribuir a expressão Power Metal como um variante do Thrash Metal americano.
Outra derrapada literária ocorreu no 15° capítulo, quando ao abordar a globalização do metal, sobretudo no Brasil, só dá destaque ao Sepultura e simplesmente passa por cima de importantes representantes nacionais como Angra, Dr. Sin e Korzus, que possuem um vasto público no país, na Europa e até mesmo no Japão. Acredito que o mais correto seria Ian Christie fazer ao menos mais dois capítulos citando e comentando sobre os estilos e bandas importantes que deixou de lado. Afinal, o metal é grande demais para se limitar a cinco ou seis subgêneros.
Apesar dos pesares a obra é um exemplar interessante para quem quer conhecer um pouco mais o Heavy Metal mundial. Você certamente não vai jogar dinheiro e tempo fora em encará-lo; só acho que Christie deveria – ao menos por hora – mudar o nome do seu livro para Heavy Metal: A história (in)completa.
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Paulo Henrique tem 24 anos, é jornalista e mora em Goiânia. Suas especialidades são o jornalismo cultural, sobretudo o jornalismo de rock. Fã assíduo de rock é vocalista de duas bandas goianienses, Opus Hominis (Power Metal) e a Locomotiva Negra (Hard Rock).
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