"The Man Who Would Not Die": Blaze Bayley é um artista injustiçado?

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"The Man Who Would Not Die": Blaze Bayley é um artista injustiçado?


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Quando se diz que um álbum foi ou é injustiçado, existem várias formas de entender tal afirmação. O trabalho pode ter sido mal recebido em seu lançamento e, posteriormente, ter conquistado o devido valor. Pode ocorrer de o disco ter sido inicialmente bem visto e, depois, tornar-se alvo de avaliações negativas exageradas. Há aquele material que sempre foi criticado de maneira talvez injusta. E existem aqueles cujo nível é semelhante ao de outros álbuns do mesmo artista mas nunca receberam semelhante atenção por parte de público, crítica ou do próprio compositor. Por isso mesmo, algumas pessoas não entendem bem quando determinado título entra nessa seção. Até então, todos os trabalhos tratados aqui foram discos famosos, lançados há vários anos, onde a distância do lançamento permitia uma avaliação mais fácil. Hoje, será analisado um álbum recente e que, segundo a opinião de muitas pessoas, é mais um disco injustiçado. Mais do que isso, no caso presente, o termo ‘injustiçado’ poderia se referir não apenas ao disco em questão, mas a toda uma carreira.

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Foto da chamada: Makila Crowley

Blaze Bayley certamente é um dos personagens mais controversos e intrigantes do heavy metal moderno. Sua passagem pelo IRON MAIDEN foi envolvida desde o início num oceano de polêmicas. O peso de assumir o posto de frontman de uma das maiores bandas da história, substituindo um mito da música pesada, associado ao momento pelo qual passavam o grupo e o metal como um todo, fizeram com que sua participação na Donzela sofresse com um nível altíssimo de exigência, que culminou numa avalanche de críticas, beirando a execração pública. Quando sua saída e o consequente retorno de Bruce Dickinson à banda britânica foram anunciados, muita gente recebeu a notícia como se testemunhasse uma intervenção divina. Na época, uma minoria se preocupou em saber o lado de Blaze ou seus planos para o futuro, reservando-se à maioria o direito de apenas festejar o sonhado retorno de Mr. Air Raid Siren e Adrian Smith à banda, o que sugeria que Bayley seria condenado ao esquecimento.

Mostrando uma postura absolutamente digna, Blaze se limitou a agradecer a chance que teve ao lado dos ex-companheiros, sem jamais criticá-los, tirou um tempo para colocar a vida no lugar, bateu a poeira da roupa e foi à luta, em busca de construir uma carreira solo. Montou uma banda, intitulada BLAZE, entrou em estúdio e surpreendeu o mundo com o lançamento de “Silicon Messiah”, um álbum fabuloso, onde o vocalista mostrou uma enorme capacidade como compositor e criador de melodias vocais, além de mostrar uma voz com rendimento muito superior ao de seus tempos de Maiden, já que as canções do trabalho caíam como uma luva para suas características. Nos anos seguintes, Blaze ainda tiraria da manga outros petardos como “Tenth Dimension” e “Blood and Belief”, estes também obras constituídas de um heavy metal genuíno, vigoroso, enérgico e que, se bem analisados, estiveram entre os melhores lançamentos no estilo.

Bayley tornou-se sucesso de crítica e, normalmente, aqueles que se dispunham a dispensar um pouco de seu tempo para ouvir os trabalhos do inglês, ou ficavam boquiabertos com toda a qualidade do material ou pelo menos avaliavam de forma positiva o novo som. No entanto, havia alguma coisa que fazia com que a carreira do cantor não deslanchasse de vez. Não dava pra entender como discos tão bons não conseguiam uma repercussão maior. É fato que a passagem pelo Iron deu ao vocalista uma notoriedade que lhe permitiu atrair bons músicos, além do que um disco de um ex-membro do IRON MAIDEN tem para si uma atenção maior do que se fosse o trabalho de uma banda de notórios desconhecidos. Só que, se ter o posto de vocal do Maiden no currículo pode trazer suas vantagens, pode também trazer grandes desvantagens. E, no caso de Bayley, isso acabou por se tornar quase uma maldição. Muitas pessoas nem sabiam que Blaze Bayley tinha uma banda pós-Maiden e com álbuns já lançados. Outros se limitavam a pensar da seguinte forma: ‘Blaze? Aquele cara que quase afundou o Maiden? Tô fora’. Dessa forma, não se dava sequer uma chance ao trabalho que o vocalista tinha a apresentar.

Imerso em problemas pessoais, com empresários, gravadoras ou distribuidoras, trocas de integrantes em sua banda, problemas no agendamento de turnês e tudo o que se possa imaginar, além de ter uma visão muito peculiar sobre o modo de funcionamento da indústria, o vocalista acabou tomando atitudes drásticas. Rompeu com os membros da antiga banda, com empresários e com a gravadora, tomou para si as rédeas da coisa e passou a tomar decisões referentes a todos os aspectos de sua carreira. Foi atrás de músicos que estivessem interessados em formar uma banda, com objetivo de compor, gravar e fazer shows. Criou um selo próprio, tornando-se assim um artista independente. Rebatizou a banda de BLAZE BAYLEY, segundo suas palavras, para evitar que houvesse qualquer dúvida ou confusão sobre sua presença no grupo. Após tudo isso, recomeçou a carreira e o primeiro rebento dessa nova fase foi o álbum “The Man Who Would Not Die”.

Quem acompanhou Blaze em sua então nova empreitada foram os guitarristas Nico Bermudez e Jay Walsh, David Bermudez no baixo e Lawrence Paterson na bateria. O disco pode ser descrito de várias formas, pois representa um misto do que o cantor já havia feito em carreira solo, mas apresenta um som mais maduro, um heavy metal clássico e enérgico, que bebia na fonte de bandas como o JUDAS PRIEST e com melodias que carregavam influência do próprio IRON MAIDEN. Ao mesmo tempo, mostrava momentos claramente influenciados por uma sonoridade thrash, além de trazer escancaradas as características básicas de Bayley: um misto de melancolia e resignação, com algumas pitadas de raiva. Alguém pode se perguntar: poxa, mas uma mistureba dessas poderia resultar em algo que preste? Não apenas resultou em algo de qualidade, como resultou num dos melhores álbuns de heavy metal desses últimos anos. É aqui que alguns dos caros leitores poderão parar e pensar: ‘peraí, tudo bem, pode até ser um disco legalzinho, mas não exageremos’. Justamente por esse tipo de pensamento é que o disco está entrando numa discussão sobre trabalhos injustiçados, pois não é exagero nenhum colocar o material como um dos lançamentos de maior qualidade observados nesses tempos mais recentes. Óbvio que tudo sempre será uma mera questão de gosto pessoal de cada um, agora o que não se pode é achar um absurdo exaltar esse álbum.

Blaze Bayley mostra a que veio já na abertura com a faixa-título. Música pesada, agressiva, sem concessões, rápida, com um excepcional trabalho de guitarras (que é uma constante no disco inteiro), direto ao ponto. Enfim, uma paulada na cabeça do ouvinte para acostumá-lo desde o início ao massacre sonoro do qual será vítima. A coisa fica melhor ainda na canção seguinte. A introdução de “Blackmailer” nem dá tempo para que se ajeite na cadeira, pois Bayley e banda já recomeçam a pauleira sem piedade alguma. Um show de riffs, uma mescla de peso e melodia na medida exata lá pelo meio da canção e uma interpretação vocal absurdamente raivosa. E basta acompanhar a letra para entender o por quê. Quando seria fácil imaginar que a banda tiraria um pouco o pé do acelerador, tem-se na sequência aquela que possivelmente seja a melhor canção do álbum. “Smile Back At Death” talvez seja a canção que melhor resume a carreira e as características de Blaze. Absolutamente pesada e carregada de emoção, seja no vocal, seja na melodia e instrumental, a faixa apresenta uma carga de drama impressionante, sobretudo em sua parte mais lenta. Em seguida, a primeira música onde a banda pega um pouco mais leve. Apesar disso, pegar mais leve não significa ser leve. “While You Were Gone” é totalmente emocional e um pouco mais cadenciada, mas traz um festival de guitarras distorcidas, um baixo insano e um vocal para calar a boca de qualquer um que já disse em algum momento que Bayley é um mau vocalista. Em certos momentos, a sonoridade da música chega a lembrar um pouco algumas das coisas que fez no IRON MAIDEN. Infelizmente, a música, feita em homenagem à sua esposa, carrega consigo uma triste e trágica coincidência. Pouco tempo após o lançamento do disco, Debbie, esposa de Blaze, faleceu vítima de uma hemorragia cerebral.

“Samurai” é outra obra maravilhosa desse trabalho, a mais ‘maideniana’ de todas, que começa com um excelente som de baixo, o qual, aliás, destaca-se durante toda a canção. Em “A Crack In The System”, a banda aposta num tom mais climático e cadenciado, o que não impediu os guitarristas de abusarem da distorção e de palhetadas alternadas, além de um baixo no talo. Na sequência, somos apresentados à música mais porrada do álbum. “Robot” é um feito um pouco diferente para Blaze Bayley, pois sua melodia é até um pouco mais alegre, não traz aquela melancolia encontrada na média de sua carreira solo. Da mesma forma, a velocidade impressionante, com o baterista descendo o sarrafo em seu instrumento sem nenhuma pena, num andamento típico de grupos de hardcore ou thrash, também é algo novo no som da banda. Num contraste total com a canção anterior, temos “At The End Of The Day”, a faixa mais calma, arrastada e introspectiva do disco, uma ótima música. A melodia, o instrumental caprichado, um quê de prog e, principalmente, o refrão grudento dão o tom de “Waiting For My Life To Begin”. E o talento de Bayley para conceber músicas de refrão marcante fica mais evidente ainda em “Voices From The Past”, talvez o refrão mais poderoso do álbum e uma das músicas mais empolgantes do trabalho. “The Truth Is One” é uma faixa convencional, com uma boa pegada e que não deixa cair o ritmo do disco. Só que, quando se poderia imaginar que Blaze já tivesse apresentado todas as suas armas, eis que aparece, justo no fechamento do CD, uma das canções mais impressionantes de “The Man Who Would Not Die”. “Serpent Hearted Man” parece ter uma identidade independente do restante do álbum, calcada num instrumental vigoroso, com várias mudanças de ritmo e um feeling extremo. Uma excepcional forma de encerrar um não menos excepcional disco.

Por ser ex-vocalista de uma das maiores lendas do metal e por ser acompanhado de músicos pouco conhecidos do grande público, Bayley acaba atraindo todos os holofotes para si e costuma-se então ignorar os demais integrantes de sua banda. “The Man Who Would Not Die” não seria o mesmo disco se não contasse com a participação essencial dos guitarristas Nico Bermudez e Jay Walsh, do baixista David Bermudez e do batera Lawrence Paterson. Todos fizeram um ótimo trabalho, sobretudo a dupla de guitarristas, que conseguiu construir grandes harmonias, riffs excelentes e pesadíssimos, bons solos e duetos, sem perder o foco nas belas melodias contidas no álbum.

Blaze Bayley não é o Ian Gillan em seus bons tempos, não é Bruce Dickinson e nem Ronnie James Dio. Entretanto, em toda a sua carreira solo o cantor apresentou performances muito boas, com músicas feitas sob medida para seu estilo vocal. Inclusive, a cada novo trabalho, o inglês conseguia resultados cada vez melhores. E em não se avaliando apenas a voz, Blaze é, além de tudo, excelente na interpretação das letras. Não são muitos os vocalistas que conseguem imprimir tamanho tom de drama, de melancolia e, em determinados momentos, de raiva em sua música. Na verdade, seu maior trunfo, sua maior qualidade é que quando se ouve Blaze Bayley e, principalmente, quando se vê Blaze Bayley ao vivo, a impressão que se tem é que quem está ali é um adolescente apaixonado por heavy metal, cantando em sua primeira banda, e tem-se a sensação que o vocalista poderia ser qualquer um dos que estão ali ao lado do ouvinte, escutando o disco ou assistindo à apresentação do cara.

Aí poderia o leitor se questionar: ‘Sempre li críticas positivas sobre esse disco e a maioria dos que ouvem o material tecem os melhores elogios sobre o mesmo. Por que então dizer que o álbum é injustiçado?’. Bem, é injustiçado justamente porque a qualidade do material o credencia facilmente como um grande disco, que deveria ter recebido o tratamento, a referência e a repercussão dispensada aos grandes lançamentos do metal nestes últimos anos. Procure se lembrar de CDs que chegaram ao mercado nos últimos cinco ou até dez anos. Agora pense se existiram tantos lançamentos assim que se possa considerar como muito superiores ao trabalho que está em discussão aqui, a ponto de relegá-lo a uma posição de disco quase ignorado pela maior parte do público de heavy metal. Muita gente sequer sabia que a banda havia lançado um novo álbum. Não só isso, muitos dos que sabiam simplesmente ignoraram a obra e não procuraram conhecê-la, sem falar daqueles que souberam do lançamento do disco, ouviram o material, mas com uma opinião pré-concebida e com uma enorme má vontade para com Blaze, justamente por sua história com o IRON MAIDEN. Há quem possa considerar que um trabalho lançado de forma independente, sem o respaldo de uma grande gravadora, teria mesmo dificuldades de atingir uma popularidade maior. No entanto, é evidente que o caso aqui é que, se há quem se sinta atraído a ouvir algo com o nome Blaze Bayley, há também um enorme número de pessoas que nutre certo preconceito (no sentido musical, é claro) por esse mesmo nome, e não se aproxima de nada relacionado a ele. Não são poucos os relatos de pessoas que confessam nunca ter procurado conhecer a obra do cantor e sua banda por trazer na mente as restrições geradas nos tempos da Donzela. Na verdade, “The Man Who Would Not Die” é colocado aqui como um disco subestimado pelo entendimento de que ele talvez seja o melhor material já lançado pelo britânico. No entanto, qualquer um dos álbuns da carreira solo do cantor poderiam constar nessa discussão, já que, como dito lá no início, não estamos tratando apenas de um álbum injustiçado, mas de toda uma carreira vítima de injustiça.

Blaze não reinventou a roda com “The Man Who Would Not Die”. No entanto, essa coluna entende que tal trabalho está bem acima da média em relação ao que se apresentou de novo na música pesada nesses últimos anos. E ela não está sozinha nesse pensamento. Se você ouviu o álbum de cabeça aberta e não gostou, tudo bem. Agora, se é mais um teimoso que pragueja contra tudo o que leva o nome do cantor, dê uma segunda chance a esse trabalho. Melhor ainda, dê uma segunda chance a si mesmo, pois pode acabar descobrindo que estava perdendo a chance de curtir um grande disco de heavy metal e de colocar Bayley e sua obra numa posição mais condizente com o seu merecimento.

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Sobre Ronaldo Costa

Nascido na capital paulista em meados dos anos 70, teve a sorte de, ainda bem jovem, descobrir por meio de um primo o debut do Iron Maiden. Quando ouviu “Prowler” pela primeira vez, logo entendeu que aquilo passaria a fazer parte de sua vida. Gosta sobretudo dos clássicos, como Maiden, Judas, Sabbath, Purple, Zeppelin, Metallica, AC/DC, Slayer, mas ouve desde um hard bem leve até um bom death metal. Além da paixão pelo metal e pelo rock em geral, também adora cinema e um bom futebol.

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