Desde o fim da década de 60, o Deep Purple formou com o Led Zeppelin e o Black Sabbath a base fundamental do que viria a se tornar o hard rock e o heavy metal, servindo de influência não apenas para as bandas que surgiriam depois fazendo esse tipo de som, mas também para grupos de outros subgêneros diversos dentro do rock. A banda, que já tinha feito trabalhos excelentes, conseguiu já no início dos anos 70 gravar alguns clássicos absolutos da história do rock, com a clássica formação que ficaria conhecida como MK II (Blackmore, Gillan, Glover, Lord, Paice). Álbuns como “In Rock”, “Fireball” e “Machine Head”, além do clássico ao vivo “Made In Japan”, estão definitivamente em qualquer lista sobre os mais importantes discos de rock. Entretanto, o clima dentro da banda não era (provavelmente nunca foi) lá essas coisas. Com problemas internos cada vez mais evidentes, o Purple lança um álbum que não repete o mesmo êxito de seus antecessores ("Who Do We Think We Are"). Na seqüência, Ian Gillan e Roger Glover deixam a banda (há controvérsias se saíram espontaneamente ou se foram “convidados a se retirar”).

O álbum seguinte na trajetória da banda seria “Stormbringer”, trabalho este que foi capaz de dividir opiniões entre os fãs e desencadear animadas discussões entre os que vêem nele enormes qualidades e os que percebem justamente a falta delas, isso sem falar nos que admitem a qualidade técnica e instrumental presente no disco, mas que consideram que aquele som não condiz com o verdadeiro Deep Purple. Não bastasse isso, Ritchie Blackmore não gostou nada do resultado que viu e ouviu, tanto não gostou que resolveu abandonar o barco e tocar a vida adiante com o seu Rainbow.
Mas vamos aos fatos. Com um lineup muito melhor entrosado e seguro de si após a boa acolhida a “Burn”, as influências de Coverdale e Hughes sobre o som do grupo tornar-se-iam muito mais fortes e evidentes. Glenn Hughes exalava todas as suas influências ‘funky’, cheias de balanço e com um groove todo peculiar. Já Coverdale dava os primeiros passos naquelas que se tornariam suas principais características e que seriam fartamente exploradas em seus anos de Whitesnake. É justamente a combinação dessas características com o hard rock de raiz levado adiante pela banda, sobretudo pela influência de Blackmore, que fazem de “Stormbringer” um álbum excepcional, essencial na discografia da banda e de um ‘feeling’ e eficiência enormes.
Não é questão de dizer que ele seja melhor que a fase clássica da MK II, ou mesmo falar que ele supera “Burn”, mas a julgar pelas composições desse disco, além da execução impecável e cheia de ‘raça’ de suas músicas, “Stormbringer” pode ser considerado um trabalho injustamente subestimado, já que estamos falando de um excelente álbum de rock que é menosprezado por uma quantidade considerável de fãs.
A faixa de abertura, que leva o mesmo nome do álbum, é totalmente Blackmore, com seu riff poderoso e um vocal agressivo e voltado para o hard rock clássico, o mesmo hard que podemos observar também em outras faixas como “Lady Double Dealer” e “High Ball Shooter”, destacando ainda que a levada de Hughes no baixo e os duetos vocais entre ele e Coverdale não fazem feio e se encaixam perfeitamente bem com o clima dessas canções. Entretanto, a mão de Glenn Hughes se faz presente e de forma escancarada em músicas como “Holy Man”, simples mas cheia de sentimento, além de “You Can´t Do It Right”, provavelmente a que mais carrega influências suas, e “The Gypsy”. O álbum termina com a belíssima “Soldier Of Fortune”, uma balada extremamente tocante, onde a voz de Coverdale transmite um clima de tristeza que realmente comove. O som de Blackmore, conforme já pudera ser visto antes em “Burn”, parecia um pouco mais veloz. Jon Lord curiosamente não compareceu nesse álbum com o mesmo destaque de outras ocasiões, o que de forma alguma significa que seu trabalho não tenha sido bom. Já Ian Paice, bem, este é um cara que parece nunca ter passado por maus momentos, musicalmente falando.
“Stormbringer” é um álbum diferente, que carrega influências diversas e, por isso mesmo, atinge um resultado final eficaz e satisfatório. Conforme foi dito antes, provavelmente não é o melhor trabalho da carreira do Purple, mas isso está muito longe de não reconhecer todas as qualidades que tem ou querer classificá-lo apenas como um trabalho mediano e menor na discografia da banda. É possível que o desapontamento de Ritchie Blackmore com a obra e sua posterior saída da banda possam ter influência sobre a avaliação de algumas pessoas. Apesar disso, já à época de seu lançamento, este foi um disco que dividiu opiniões e que não deixou muito espaço para o meio-termo. É claro que existiam exceções mas, geralmente, ou era adorado ou era execrado. Estes são os motivos que o fazem figurar nessa lista sobre álbuns historicamente injustiçados.
E você? Também acha “Stormbringer” um álbum injustiçado ou acredita que isso tudo não passa de balela pra tentar justificar um ponto baixo na carreira do Deep Purple? Seja qual for a sua opinião, o importante é que você possa registrá-la, se possível após mais algumas audições desse disco.
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Nascido na capital paulista em meados dos anos 70, teve a sorte de, ainda bem jovem, descobrir por meio de um primo o debut do Iron Maiden. Quando ouviu “Prowler” pela primeira vez, logo entendeu que aquilo passaria a fazer parte de sua vida. Gosta sobretudo dos clássicos, como Maiden, Judas, Sabbath, Purple, Zeppelin, Metallica, AC/DC, Slayer, mas ouve desde um hard bem leve até um bom death metal. Além da paixão pelo metal e pelo rock em geral, também adora cinema e um bom futebol.
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