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Cavalar: sob o impacto do segundo coice

Por Ben Ami Scopinho | Em 13/09/10
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A necessidade de verba é importante, mas nunca fundamental quando se cria a Arte em sua forma mais pura. O que conta mesmo é a marca que um artista deixa para ser apreciada pela posteridade... Essa afirmação sempre será considerada como romântica, mas tenha a certeza de que não cairá em desuso.

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E assim é o Cavalar, que tem como fundador o baterista paulistano Arnaldo Rogano e base a cidade de Londres, Inglaterra. Seu nome vem se tornando respeitado no underground brasileiro desde o furioso "As A Metal Of Fact" (07), consideração que se estenderá com “Recoil”, seu mais novo álbum que está chegando agora ao mercado via Voice Music.

Contando ainda com o vocalista Twitch e o baixista Max, o pessoal novamente está procurando por um guitarrista – alguém se prontifica? – para dar seqüência às atividades. Aproveitando a ocasião, o Whiplash! conversou com o ponderado Arn para saber das novidades.

Whiplash!: Olá, Arn, como vão as coisas aí pela Inglaterra? Já está fazendo três anos desde que o Cavalar liberou a segunda edição de "As A Metal Of Fact". Que tipo de balanço vocês fazem, tanto em relação às vendas, quanto ao reconhecimento e os shows realizados desde então?

Arn: Por aqui está tudo bem!!! Olha, não quero falar mentira, temos o nosso disco lançado pela Voice aí no Brasil e acredito que, por sermos uma banda sem divulgação, gravadora ou produtora, o resultado é pequeno!!

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Whiplash!: Ô sinceridade...! "Recoil" também está chegando por aqui via Voice Music. Um discão que está igual, mas está diferente! O Cavalar procurou, de alguma forma, aperfeiçoar seu estilo em relação ao trabalho anterior?

Arn: Procuramos sempre fazer músicas boas e consistentes, algo que temos como tocá-las sem sentir que apenas entraram para preencher espaço no álbum.

Whiplash!: O desempenho de Twitch foi bastante comparado ao de Ozzy em "As A Metal Of Fact". Ok, timbre é timbre, mas em "Recoil" ficou evidente que Twitch expandiu suas linhas vocais. A que se deve essa mudança, e como vem sendo sua recepção, afinal?

Arn: É aquela tal história, ninguém fala que o Bruce Dickinson cantava igual o Gillan ainda no Samson, pois ele conseguiu provar que era mais do que isso e assim calou a boca dos críticos. Acho que o tempo está mostrando o mesmo para nós!

Whiplash!: Por que a decisão em sair de Londres para gravar a bateria em São Paulo? E, considerando que o próprio Cavalar assumiu a produção de "Recoil", o resultado final do áudio correspondeu às expectativas?

Arn: Eu gosto de gravar com o Atila Ardanuy, pois além do conforto de um estúdio super legal, ainda gravo as bateras com um grande amigo que tenho. Aproveito, nas vezes que vou ao Brasil, e tento fazer algo para o Cavalar também. O áudio está bem legal, bem natural, nada de som de mentira, bumbo de teclado Casio e guitarra Makita!!!

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Whiplash!: A instabilidade de sua formação é um problema insistente. O guitarrista Panza me pareceu entender o fundamental da música do Cavalar, havia uma boa química. Qual o motivo de sua saída e qual a parte mais difícil dessa realidade?

Arn: O problema é que hoje em dia ninguém quer entrar numa banda para fazer vingar... Todo mundo quer a comida já pronta na mesa. No caso do Panza, ele começou a tocar com a namorada dele, que é vocalista fazendo um metal progressivo/gótico, e aí não rolou de ter alguém que estava mais pra lá do que pra cá.

Whiplash!: Arn, você já vem participando de gravações de discos desde 1993, com os punks do Vertigo, e segue firme até os dias de hoje... Você acredita que, particularmente, seja difícil envelhecer como um músico de Heavy Metal?

Arn: Eu faço isso por amor à música, grana mesmo eu nunca fiz. Sempre vi a música como criação, sendo assim, sempre toquei música própria. Não vejo a música como algo comercial a primeiro plano, o que eu faço é uma grande loteria, e ainda mais nos dias de hoje, é como ganhar sem sequer jogar!!

Whiplash!: Falando em 'velhos tempos', muitos ainda se lembram de sua passagem pelo Anjos da Noite... Que lembranças teem dessa época? Muita coisa mudou para as bandas e mercado fonográfico...

Arn: Eu não fiz parte da banda quando o Anjos estava na BMG. Eu entrei quando a banda já tinha se dissolvido, em 1991. O Edu tinha ido para Dr. Sin e, dos demais, só sobrou o Atila na guitarra e o Marco Sérgio na voz! Fábio Zaganin entrou pro baixo e eu na batera!

Arn: Agora é cada um por si!!! Monte a sua própria firma de entretenimento chamado (SUA BANDA) e tente vingar por conta própria!

Whiplash!: Atualmente, como anda a cena underground da Inglaterra, há novos grupos que estão chamando a atenção, existe espaço para se tocar por aí?

Arn: Aqui, acredito que esteja como em qualquer lugar, uma meia dúzia de lugares para se tocar e convidar os amigos para beber, enquanto se quebram as cordas e os pratos no palco. O underground é igual em qualquer lugar. Todo mundo quer sair do submarino!!!!

Whiplash!: Além do lançamento de "Recoil", quais os planos para este ano? É claro que seria ótimo vê-los tocando pelo Brasil, mas creio que isso seja um pouco difícil de concretizar...

Arn: Primeiro de tudo, os planos são de encontrar um guitarrista que goste de nossa música e que queira crescer junto com banda, o resto acontece na sequencia.

Whiplash!: Ok, Arn, o Whiplash! agradece pela entrevista, desejando sucesso e prosperidade na jornada do Cavalar! A palavra final é tua, bicho!

Arn: A única coisa que eu tenho a falar é que o meu prato de 28” e o meu bumbo de 40” polegadas já estão a caminho!!!! Se cuidem...

Contato:
http://www.myspace.com/cavalarrock

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Sobre Ben Ami Scopinho

Ben Ami é paulistano, porém reside em Florianópolis (SC) desde o início dos anos 1990, onde passou a trabalhar como técnico gráfico e ilustrador. Desde a década anterior, adolescente ainda, já vinha acompanhando o desenvolvimento do Heavy Metal e Hard Rock, e sua paixão pelos discos permitiu que passasse a colaborar com o Whiplash! a partir de 2004 com resenhas, entrevistas e na coluna "Hard Rock - Aqueles que ficaram para trás".

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