O Mortaes é mais uma amostra do atual e elevado nível em que muitos dos conjuntos de nosso país se encontram. Vindo de Brasília e na ativa desde 2007, o Mortaes tem como mentor Fabrício Moraes (voz e guitarra), Mariana Ponte (teclados), Eduardo Stefano (baixo) e Daniel Moscardini (bateria), que estrearam com o independente “Obsessive Visions”, um trabalho onde muitos encontrarão o que há de melhor em se tratando de Heavy Metal.
Outro ponto importantíssimo que contribuiu para o resultado final deste álbum foi a participação de convidados ilustres de nosso cenário musical, como Hecate (Miasthenia), Caio Duarte (Dynahead), Edu Ardanuy (Dr Sin), Alírio Neto (Khalice), entre vários outros. Um disco deste porte não poderia ficar nas sombras de nosso underground, e o Whiplash! foi conversar com o Fabrício para saber mais detalhes sobre a banda.
Whiplash!: Olá pessoal. Primeiramente gostaria de felicitá-los pela estréia do Mortaes. “Obsessive Visions” é um trabalho impressionante! Fabrício, você já é um veterano no underground, tendo atuado em bandas e projetos que atravessaram as fronteiras de Brasília. Que trabalhos pré-Mortaes você considera como sendo os mais relevantes em sua carreira?
Fabrício: Em quase todas as bandas que participei fui o compositor da maioria das músicas e gravações, mas considero as duas demo-tapes do CROSSBONES (MG), no início da década de 90; o EP gravado e lançado recentemente com o ABHORRENT (DF); e os registros com o Harllequin (DVD ao vivo e álbum debut a ser lançado) como os trabalhos de maior relevância.

Whiplash!: O Mortaes possui uma sonoridade bastante contemporânea. Como seu embrião começou a tomar forma?
Fabrício: Talvez o som do MORTAES soe assim devido à abertura que sempre me permiti em relação à audição e conhecimento de bandas dos mais variados estilos. Como estou na cena compondo e trabalhando há cerca de 20 anos, sou fã fervoroso de bandas das mais variadas vertentes. E isso interfere positiva e diretamente no resultado final das composições do MORTAES.
Whiplash!: Algo marcante em “Obsessive Visions” é o contraste entre suas guitarras repletas de influência da música clássica e as estruturas do metal extremo. Como você definiria sua música?
Fabrício: Olha, isso não é uma tarefa muito fácil (rs...). Mas o que posso lhe dizer é que sou basicamente um guitarrista de Thrash Metal, pois vivi intensamente todo aquele movimento da Bay Area e da Alemanha durante a década de 80. Mais especificamente a fase Forbidden/Testament, que sempre teve na estrutura musical de suas composições o Thrash como alicerce e um excepcional trabalho de guitarras (solo e base). Além disso, sou muito envolvido com a técnica do Death Metal e os vocais e climas sombrios do Black. Aí, dá o resultado dessa equação: MORTAES.
Whiplash!: Confesso que vendo tantos vocalistas participando do álbum, fiquei em dúvida se o Mortaes é um projeto ou conjunto real... E nas apresentações ao vivo, como tudo funciona?

Whiplash!: Heh! Assim tudo fica em família, não? Considerando a presença de tantos participantes especiais, achei notável a homogeneidade conseguida no resultado final. Quais foram os critérios para a seleção de todo este pessoal?
Fabrício: Fica em família sim! A Cláudia tem sido uma grande surpresa no que envolve a sua determinação e performance ao vivo. Em relação à escolha do pessoal, não foi difícil, pois cada um deles realiza um trabalho muito marcante nas suas respectivas bandas. Com isso, eu analisava o instrumental de uma determinada música e via se a mesma se encaixava com as características de um determinado vocalista ou guitarrista. No final, gravar um CD dessa maneira foi um grande prazer e um verdadeiro sonho realizado.
Whiplash!: Edu Ardanuy é um nome importante entre os convidados. Considerando a diferença gritante entre o estilo do Mortaes e do Dr Sin, como aconteceu sua participação em “Evangelize”?
Fabrício: A participação do Edu foi tranqüila no sentido de não ter ocorrido problemas que inviabilizassem sua performance. E ao mesmo tempo impressionante devido ao solo ter ficado tão acima da média em partes extremamente pesadas, bem diferentes do que estamos acostumados a vê-lo tocar. Ele colocou intenções bem empenadas na maior parte do solo e no meio quando ocorre um duelo comigo, ele mostrou um Ardanuy que encontramos em álbuns como "Dr.Sin I" e "Brutal". Foi sem dúvida uma das participações mais marcantes e surpreendentes de todo o CD.
Whiplash!: Minha canção preferida é "Struggling Endlessly", com a voz de Hecate (Miasthenia). Durante as apresentações, que faixas vêm causando maior impacto entre o público?
Todas tem tido uma boa receptividade, mas “Struggling Endlessly”, “Evangelize”, “Love???” e “Warm Season” são as que mais se destacam.

Fabrício: Se tem uma atitude acertada que tomei na produção desse álbum foi optar em trabalhar com o Gustavo Sazes. Ele realizou um grande trabalho e estou muito satisfeito com tudo, até porque ele continua a trabalhar com a banda.
Fabrício: A receptividade entre mídia/público tem sido a melhor possível, com ótimas resenhas e grande resposta por parte do público. Aquele tipo de coisa que dá gosto e força pra gente continuar batalhando pelo que realmente acreditamos.
Fabrício: Em relação ao interesse de gravadoras, o MORTAES ainda é uma banda 100% independente. Algumas conversas já aconteceram, mas nada efetivo. E estamos abertos a negociações para prensagem e distribuição do álbum.
Whiplash!: Muito se fala que o público brasileiro ama o Heavy Metal. Isso é fato, mas analisando a tradicional lista dos “Melhores do Ano” do Whiplash!, onde os usuários votam em seus nomes preferidos, percebe-se que os vencedores são sempre os mesmos... Isso mostra claramente que o público médio não dá muitas chances aos novos nomes que estão por aí. Que saída o Mortaes, com um trabalho incrível em mãos, vê para este triste cenário?
Fabrício: Creio que o processo de projetar uma banda no mercado envolve uma série de coisas. Trabalho, determinação e uma visão focada são aspectos fundamentais. Investimento financeiro é outra coisa que acaba fazendo a diferença também. Se a banda tem disponível uma verba razoável, é possível dar um ótimo acabamento num álbum a se lançar. Aspectos como o processo de gravação, mixagem e masterização; assim como a parte gráfica da capa do CD tem que ser dado muita atenção. Além de investimentos em mídia, que sempre dão muito certo se aplicados de maneira correta e sensata. No mais, o que fica é o talento realmente, para poder sobreviver numa cena tão concorrida e disputada.
Whiplash!: Ok, Fabrício. Agradeço pela entrevista e desejo toda a sorte ao pessoal do Mortaes. Fique a vontade para deixar a tradicional mensagem final ao leitor.
Fabrício: Bom, obrigado a vocês pela oportunidade dessa entrevista num portal de tanta importância pra cena como é o Whiplash!. E para o público em geral, vou fazer diferente e deixar um pequeno trecho de um gênio que passou por esse mundo e que resume um pouco a minha história e a do MORTAES:
Aproveite cada minuto...
Conquiste seu espaço...
Lute pelos seus objetivos...
Sonhe com seus ideais,
pois como já dizia Chaplin:
“Enquanto você sonha,
você está fazendo
o rascunho do seu futuro"
Contato:
http://www.mortaes.com.br
http://www.myspace.com/mortaes
http://www.myspace.com/fabriciomoraes
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Ben Ami é paulistano, porém reside em Florianópolis (SC) desde o início dos anos 1990, onde passou a trabalhar como técnico gráfico e ilustrador. Desde a década anterior, adolescente ainda, já vinha acompanhando o desenvolvimento do Heavy Metal e Hard Rock, e sua paixão pelos discos permitiu que passasse a colaborar com o Whiplash! a partir de 2004 com resenhas, entrevistas e na coluna "Hard Rock - Aqueles que ficaram para trás".
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