Resenha - Destroyer - Kiss

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Resenha - Destroyer - Kiss


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Bem, falar em discos clássicos nunca é muito fácil, especialmente se for um daqueles que se diz ‘item obrigatório de qualquer coleção’, já que quando um álbum chega a ser citado desta forma, é porque ele é sucesso de crítica e público, ou referência ao estilo da banda. Imaginem isso quando se trata de um dos gigantes do Rock, uma banda tão lendária cujo nome se perpetua por anos e anos, sem cansar e sem cair nunca no ostracismo.

Nota: 10

O texto representa a opinião do autor, não do Whiplash.Net ou de seus editores.

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É, nunca é muito fácil, torno a dizer...

Falar no KISS é chover no molhado, pois quem, em sua sã consciência, pode negar sua influência e alcance, em quantas gerações de músicos, das mais variadas vertentes do Metal não são influenciados por estes quatro distintos senhores que criaram toda uma estilística sonora e visual em torno de si?

O ano é 1976, quando o quarteto já começava a sair do anonimato e ganhar nome forte, graças ao sucesso de ‘Alive!’ e ‘Dressed to Kill’ (ambos por conta da faixa ‘Rock and Roll All Nite’), mas a banda ainda carecia de firmar os pés no topo, para manter-se por lá. E nisso, a Casablanca Records, selo da banda (que inclusive foi salvo da falência graças às vendagens do ‘Alive!’), resolveu bancar na produção o homem do toque de Midas em termos de Rock na época, Bob Ezrin (que já havia trabalhado com Tia ALICE COOPER), e o resultado foi ‘Destroyer’, lançado em 15 de Março de 1976, após gravações feitas no Electric Lady (entre 3 e 6 de Setembro de 1975) e nos Record Plant Studios (Janeiro e Fevereiro de 1976). Mas poucos sabem o sufoco que a banda passou nas mãos de Bob até a finalização do processo de gravação...

Como ninguém na banda sabia teoria musical, Bob parou o processo e ensinou-lhes um pouco. Durante as gravações, Bob usava um apito em seu pescoço (como os treinadores que vemos nos filmes), e o tocava, dizendo ‘Homens, vamos trabalhar!’, e teve uma vez que Gene Simmons parou de tocar seu baixo ante a gravação de um outro, e Bob gritou com ele ‘Você nunca deve parar a menos que eu lhe diga para parar!’, sem falar que como Ace Frehley vivia às turras com Bob, se negando a gravar vários takes de seus solos, logo Bob levou ao estúdio Dick Wagner (na época guitarrista da banda de ALICE COOPER), e ameaçou de pô-lo no lugar de Ace, e assim, nosso querido guitar hero resolveu colaborar. Isso sem contar em suas contribuições nas músicas. Mas não pensem que a banda passou a odiar Bob, mas pelo contrário, pois Paul Stanley e Gene Simmons falaram abertamente várias vezes muito bem dele, que ele foi um dos grandes responsáveis pelo sucesso do disco, bem como ensinou muita coisa à banda.

Mas ao mesmo tempo em que fez a banda trabalhar como nunca antes tinha feito, Bob lhes trouxe um amadurecimento musical forte, inserindo vários elementos novos na música da banda, vários efeitos de som como vozes de crianças (em ‘God of Thunder’), coros (vistos em ‘Great Expectations’), orquestras (‘Beth’), cujo trabalho ficou a cargo da Orquestra Sinfônica-Filarmônica de Nova Iorque.

Uma curiosidade interessante sobre ‘Destroyer’ é que o disco, assim que chegou às lojas, não ia muito bem das pernas, já que as vendas só começaram a crescer quando a faixa ‘Beth’, que vinha no lado B do Single ‘Detroit Rock City’, começou a tocar nas rádios e virou um sucesso, ao ponto da banda lançar a faixa novamente como um novo Single (o quarto, pois os outros três são para ‘Shout It Out Loud’, ‘Flaming Youth’, e para ‘Detroit Rock City’), e este alavancou as vendagens de ‘Destroyer’ até a banda ser certificada como Disco de Platina em Novembro de 1976.

A produção visual, feita por Ken Kelly (conhecido artista que já havia trabalhado em quadrinhos de Conan e Tarzan), que só concordou em trabalhar na arte após ver a banda tocando ao vivo (uma exigência de Ken), e bastante satisfeito, fez a capa que conhecemos e amamos, depois de ter a primeira arte rejeitada.

Musicalmente, ‘Destroyer’ difere um pouco dos discos anteriores por ter músicas bem mais fortes e elaboradas, e cada elemento musical do KISS estava bem mais maduro, levado às últimas conseqüências, e vemos surgirem no disco alguns de seus maiores clássicos, como a rocker ‘Detroit Rock City’, cujo refrão não sai da cabeça de quem a ouve uma vez, e que marca graças ao trovão que Paul Stanley tem em seu peito; ‘King of Night Time World’, uma faixa bem empolgante, com seu refrão cantado em coro por todos; a mais que clássica ‘God of Thunder’, com grandes vocais por parte de Gene Simmons e seu baixo vibrante, em uma faixa mais cadenciada; ‘Shou It Out Loud’, um Hard/Rock extremamente simples, mas cheio de energia e que foi tema de abertura da banda por anos, com um bom solo de Ace Frehley; ‘Beth’, uma balada muito bonita cantada por Peter Criss (que se mostra melhor cantando que tocando bateria, sejamos francos), um dos maiores sucessos da banda, e que nos anos 80 causou polêmica entre a banda e Criss, que já estava fora da banda a anos, mas ficou fulo da vida ao ouvir a versão da compilação ‘Smashers, Thrashers and Hits’, onde sua voz foi trocada pela de Eric Carr (RIP), então batera da banda; e ‘Do You Love Me?’, outro dos grandes sucessos da banda em seus shows.

Após este disco, o KISS ainda teve dois discos de peso como sucessores (‘Rock and Roll Over’ e ‘Love Gun’), um segundo disco ao vivo (‘Alive II’) e uma sucessão de discos ruins, graças à obsessão de Peter Criss com o produtor Vini Poncia, que pasteurizou o som da banda, tornando quase pop (vide o hit ‘I Was Made for Loving You’), e a banda entrou em decadência, se erguendo após a saída de Peter Criss (que por anos falou mal do KISS, até a reunião mascarada de 1999).
Realmente, falar do KISS pode não ser simples, mas sempre é um grande prazer...

Tracklist:

01. Detroit Rock City
02. King of the Night Time World
03. God of Thunder
04. Great Expectations
05. Flaming Youth
06. Sweet Pain
07. Shout It Out Loud
08. Beth
09. Do You Love Me?
10. Rock And Roll Party (outro)

Formação:

Paul Stanley – Guitarra base, vocais
Ace Frehley – Guitarra solo, backing vocals
Gene Simmons – Baixo, vocais
Peter Criss – Bateria, vocais

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Sobre Marcos Garcia

Marcos Garcia é Mestrando em Geofísica na área de Clima Espacial, Bacharel e Licenciado em Física, professor, escritor e apreciador de todas as subdivisões de Metal, tendo sempre carinho pelas bandas mais jovens e desconhecidas do público, e acredita no Underground como forma de cultura e educação alternativas. Ainda possui seu próprio blog, o Metal Samsara, e encara a vida pela máxima de Buda "esqueça o passado, não pense no futuro, concentre-se apenas no presente".

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