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Kinetic Faith - Bride

Por Maurício Gomes Angelo | Em 10/09/03
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Nota: 9

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Ano: 1991

O Bride foi mudando aos poucos. O insano heavy metal oitentista da primeira fase (1987-1990) deu lugar a um cativante, pesado e original hard rock. “Kinetic Faith” é o primeiro exemplar deste novo rumo.

Tudo está mudado. Timbre e pegadas diferentes da guitarra, bateria e baixo mais encaixados no estilo e Dale Thompson muito mais contido. É um estilo de música que agrada a todos os rockeiros, é impossível ficar indiferente as canções criadas pelo grupo.

Valendo-se de um belíssimo trabalho vocal, alternando momentos mais agressivos e agudos com passagens mais graves e climáticas, o que se vê é um disco homogêneo em sua qualidade do início ao fim. Mesmo com todas as músicas tendo diferenças bem interessantes entre si, o nível nunca cai e jamais soa repetitivo e maçante.

Todas, sem exceção, são agradáveis e contagiantes, e os clássicos são muitos. “Troubled Times”, absolutamente magnífica, conquista imediatamente. “Hired Gun”, com um interessantíssimo e diferente trabalho instrumental continua a empolgar. “Everybody Knows My Name”, uma mescla da fase antiga com a nova, heavy metal com hard rock. Provavelmente o maior clássico deste álbum, inesquecível. “Kiss The Train”, com seu grudento refrão, não sai da cabeça. A festa termina com a única balada do cd, “Sweet Louise”, feita em homenagem à avó de Dale. É açúcar puro, mas açúcar da melhor qualidade.

Um tipo totalmente diferente de hard rock, algo único e empolgante, difícil de se encontrar hoje em dia. Procure e ouça, tenho certeza que nunca ouviu nada igual. Saudosos tempos em que o Bride fazia discos com tamanha qualidade.

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Sobre Maurício Gomes Angelo

Maurício G. Angelo odeia definições. Acha que não entende nada de música, mas o suficiente. Pseudo-jornalista, pseudo-crítico e pseudo-escritor. Não gosta de explicar ironia. Escreve no Whiplash! desde 2003. Colaborou para uma série de veículos, como a revista Roadie Crew e os sites Rock Press, Duplipensar e Simplicíssimo. Ouve tudo aquilo que lhe interesse: do blues ao metal extremo, passando pelo pop, progressivo, clássico, jazz, eletrônico e MPB. Peca pelo tesão, nunca pela inércia. Alfabetizado, chato, detalhista e exigente: está continuamente tentando aprender a ler, e tem orgulho disso. Passou bons momentos ao lado de Rubem Braga, George Orwell, Pink Floyd e tantos outros. É apaixonado por palavras, pelo som e pelo silêncio. Erra muito. Muda mais ainda. E se permite ser hiperbólico, às vezes.

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