Masterplan - Resenha e fotos do show em Porto Alegre
Resenha - Masterplan (Bar Opinião, Porto Alegre, 02/11/2025)
Por Guilherme Dias
Postado em 20 de novembro de 2025
O Masterplan voltou a Porto Alegre após mais de 20 anos. A atual turnê antecede o lançamento do próximo álbum, ainda sem data definida. Depois do cancelamento de um show agendado na capital gaúcha em 2015, o tão aguardado retorno finalmente aconteceu, com uma ótima performance em um domingo à noite no Bar Opinião - o mesmo palco da primeira visita da banda em solo gaúcho, durante a turnê de estreia em 2003.
Fotos por: Deise Silva Vanska
O Tierramystica iniciou as apresentações da noite às 19h30, com um público ainda modesto, que aos poucos chegava ao Bar Opinião. Gui Antonioli (vocais), Alexandre Tellini (guitarras), Douglas Behenck (baixo), Ricardo "Chileno" Duran (vocais, flautas, charango e violão) e William Schuck (bateria) apresentaram músicas novas e também de fases mais antigas do grupo, que possui dois discos lançados: "Heirs of the Sun" (2013) e "Trinity" (2025). O repertório destacou faixas como "Chaski Way", "Vision of the Condor" e "Fly as One". O encerramento do show ficou por conta do cover de "Run to the Hills", do Iron Maiden. Gui foi bastante comunicativo, pedindo que o público seguisse a banda nas redes sociais e visitasse a banca de merchandising, mencionando que estaria lá após o show.

A segunda atração foi o Phornax, que subiu ao palco às 20h30. Os músicos Cristiano Poschi (vocais), Eduardo Martinez (guitarra), Deivid Moraes (guitarra), Sfinge Lima (baixo) e Mauricio Dariva (bateria) conduziram um show breve, porém pesado e cativante, contando ainda com a participação da dançarina Aline Mesquita. O setlist incluiu músicas do EP "Silent War" (2011) e os singles "Between Fear and Hope" e "A Matter of Time". No encerramento, Cristiano anunciou o "Phornax Fest", que acontecerá em dezembro e contará com a participação especial de Aquiles Priester, Renato Osório, Thiago Bianchi e Edu Falaschi.

Com mais público na casa, foi a vez do Masterplan iniciar o show. A formação atual conta com Roland Grapow (guitarra) e Axel Mackenrott (teclados), presentes desde a criação da banda; Rick Altzi (vocais) e Jari Kainulainen (baixo), integrantes desde 2012; e o brasileiro Marcus Dotta (bateria), que substitui Kevin Kott durante a turnê pela América Latina. Logo após a introdução "Per Aspera Ad Astra", a primeira do set foi "Rise Again", single lançado em 2024 e que estará presente no disco "Metal Morphosis" (ainda sem previsão de lançamento). O público explodiu logo em seguida com as clássicas "Enlighten Me" e "Spirit Never Die", faixas que abrem o primeiro álbum do Masterplan, lançado em 2003.

As primeiras palavras de Rick ao público foram para anunciar que a próxima música do repertório seria mais calma, e ele pediu que todos cantassem junto com ele. Ele se referia a "Lost and Gone", do terceiro álbum, "MKII" - nome que marca a primeira mudança na formação do Masterplan, quando Mike DiMeo substituiu Jorn Lande nos vocais e Mike Terrana assumiu o lugar de Uli Kusch na bateria.

O vocalista entregou uma taça de vinho a Jari e, sem pressa, perguntou aos fãs se eles queriam uma canção mais rápida e pesada. O anúncio veio com a introdução de "Crimson Rider", executada com maestria. Em seguida, o frontman pediu para a plateia ligar as lanternas dos celulares para "Back For My Life", single lançado em 2004 e presente no disco "Aeronautics", de 2005, assim como a música apresentada anteriormente. "Prontos para a próxima?", perguntou o vocalista, que logo anunciou a melódica "Kind Hearted Light".

Os fãs foram à loucura quando Roland foi ao microfone anunciar que a próxima música seria uma composição sua para o Helloween, banda na qual teve uma passagem marcante entre 1989 e 2001, deixando sua assinatura em diversas faixas. Ao imitar o ritmo da canção com a voz, ficou evidente que se tratava de "The Time of the Oath", do álbum homônimo lançado em 1996 e também lançada como single no mesmo ano. Do disco "Novum Initium", de 2013, Rick introduziu: "Temos nossos sonhos e vocês?", referindo-se a "Keep Your Dream Alive".

Para a próxima, Rick comentou que a letra se refere a uma história de violência ocorrida na Alemanha e apresentou "Crystal Night", cuja letra traz uma crítica ao regime nazista, usando a "Noite dos Cristais" como reflexão para que eventos como esse nunca mais aconteçam. Antes de "Soulburn", Rick anunciou que eles gostam muito de tocá-la ao vivo e que é sua música favorita do Masterplan. Mantendo o foco no primeiro disco da banda, Rick convidou Gui Antonioli, da Tierramystica, para cantar os versos gravados por Michael Kiske em "Heroes".

A apresentação se aproximava do fim quando Roland mencionou que era muito jovem ao compor sua primeira música para o Helloween, e a emocionante "The Chance" do disco "Pink Bubbles Go Ape" (1991) encerrou a parte principal da noite. Após uma breve pausa, o show terminou com a pesada "Crawling From Hell" e a longa "The Dark Ride", também do Helloween.

O Masterplan trouxe a Porto Alegre o melhor de sua discografia, com destaque para o primeiro álbum e para as versões do Helloween regravadas no disco "PumpKings" (2017). Jari e Axel foram discretos, mas desempenharam muito bem suas funções. Marcus Dotta, chamado às pressas, tocou todas as músicas com perfeição e ainda apresentou um breve solo de bateria. Rick Altzi cantou muito bem do início ao fim e interagiu intensamente com Roland Grapow, que exibiu seus solos com muito sentimento e fidelidade às gravações originais - contando ainda com a colaboração de Rick, que em vários momentos pedia para o público cantar os coros dos solos de Grapow. Foi uma noite excelente para os fãs da banda, que deixaram o Bar Opinião extremamente satisfeitos com o que viram no palco.

Fotos Tierramystica:




Fotos Phornax:





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