Com orquestra e metralhadora de hits das antigas, Pitty agradou aos fãs no The Town
Resenha - Pitty (The Town, São Paulo, 09/09/2023)
Por André Garcia
Postado em 14 de setembro de 2023
Começou pontualmente às 16h05. Levei uns 10 minutos andando da sala de imprensa até lá, e já estava cheio (mais do que Garbage e e Yeah Yeah Yeahs, creio eu). Aliás, foi muito bacana ver que três das quatro bandas que tocaram no palco Skyline naquele dia eram lideradas por vocalistas mulheres.
Mas, voltando ao assunto, o público já estava bem compactado, bem próximo. E, como preciso de espaço para carregar uma mochila, uma bolsa e manusear um bloco de anotações, tive que ficar de longe. Para mim (e para todos que estavam tão distantes quanto eu do palco, ou mais), ver Pitty foi só nos telões mesmo. Azar de quem estava do lado de trás de uma daquelas altas torres de iluminação, que nem os telões conseguiu ver.
Me chamou atenção a qualidade do som do evento, que deixou a desejar em comparação a outros festivais realizados este ano em São Paulo, como o ensurdecedor Summer Breeze e o moderado Best of Blues and Rock. Para ser justo, o som do The Town dava para ser ouvido bem mais longe do palco do que nos eventos citados.
Pitty, que já há algum tempo se tornou uma veterana do rock nacional, estava comemorando os 20 anos do lançamento de seu álbum de estreia, "Admirável Chip Novo". Os diversos hits daquele disco foram enfileirados pela cantora (sempre cantados em coro pela plateia) com o auxílio de uma orquestra. Orquestra que deu um toque adult contemporary que contrastou (no bom sentido) com o rock garagista característico de seu debut. A banda atual dela é, assim com a própria, mais madura e menos roqueira.
Eu já tinha 18 anos quando a Pitty tomou conta das rádios e da MTV com "Admirável Chip Novo", lembro como se fosse ontem a época em que ela era apenas uma revelação, uma promessa do rock nacional. Para ser sincero, eu era um dos que torcia o nariz, um dos que diziam que ela era uma Avril Lavigne brasileira, e que logo perderia a graça e cairia no esquecimento. Eu estava errado e a mera presença dela ali era prova.
A Pitty entrou na moda, saiu dela, sobreviveu, se estabeleceu no rock e fora dele… Eu creio não ser exagero dizer que, dos anos 2000 para cá ninguém chegou mais perto do que ela de ser a Rita Lee da minha geração.
Até 16h40 foi só música do "Admirável Mundo Novo", nos 20 minutos restantes, ela tocou outros hits das antigas como, "Na Sua Estante", do "Anacrônico" (2005). O show terminou às 17h, tão pontualmente quanto começou. Pitty entendeu bem a pegada do festival e o público que lá estaria, e agradou com tudo aquilo que a galera queria ouvir. E o tempo todo mantendo o fluxo e o ritmo da apresentação constante. Durante todo o show, o público engajou bastante com os hits e refrões — dependendo da popularidade da música, até os versos foram cantados.
O The Town foi enorme! Creio que para cruzar todo o evento você teria que andar mais do que para cruzar certas cidades do interior. Até por isso durante o show havia um fluxo constante de gente chegando e saindo (como uma trilha de formigas). Provavelmente era o pessoal mais disposto a andar aquilo tudo. Mas se alguém me perguntar como foi o The Town, eu não saberia responder: com fascite plantar e dores crônicas nas costas, me limitei ao trajeto da área de imprensa para o palco Skyline. Ainda mais depois de andar por uma hora do metrô até o portão 8.
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