Rockfest: A velha guarda mostrando como se faz Rock N' Roll

Resenha - Rockfest (Allianz Parque, São Paulo, 21/09/2019)

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Por Alexandre Veronesi
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Fotos: Fernando Yokota

E finalmente chegou um dos dias mais aguardados do ano pelos fãs paulistas de Rock / Metal. O estádio Allianz Parque recebeu, em 21 de Setembro, a primeira edição do ROCKFEST, grande evento que teve em seu line-up os gigantes SCORPIONS, WHITESNAKE, HELLOWEEN e EUROPE (sendo que as 3 primeiras se apresentam também no Rock In Rio), além da brasileira ARMORED DAWN na abertura.

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Já com um público numeroso na arena, o ARMORED DAWN iniciou os trabalhos do dia por volta das 16h20. Com apenas 5 anos de existência, o grupo de 'Viking/Power Metal' formado por Eduardo Parras (vocal), Tiago de Moura (guitarra), Timo Kaarkoski (guitarra), Heros Trench (baixo), Rafael Agostino (teclado/guitarra) e Rodrigo Oliveira (bateria) já acumula em seu currículo turnês na Europa e apresentações ao lado de grandes nomes como Saxon, HammerFall, Sabaton e Symphony X. Em 40 minutos de palco, o sexteto mostrou porque é considerado um dos grandes nomes da cena nacional nos dias de hoje, com um time de instrumentistas de primeira linha, além do enorme carisma e simpatia de seu frontman. Além de canções do aclamado "Barbarians In Black" (2018), como "Beware Of The Dragon", "Chance To Live Again" e "Gods Of Metal", foram executadas algumas novas composições, que estarão presentes no vindouro "Viking Zombie" (previsto para Outubro deste ano), como "Ragnarok", primeiro single e videoclipe do novo trabalho. O ponto alto ficou por conta de "Sail Away", com direito a uma bela homenagem ao cantor Andre Matos (falecido no último dia 08 de Junho), que teve sua foto preenchendo o telão durante toda a música. Um excelente show, que serviu como uma amostra do que estava por vir.

Ícone do Hard Rock europeu dos anos 80, o EUROPE veio na sequência. Joey Tempest (vocal), John Norum (guitarra), John Levén (baixo), Mic Michaeli (teclado) e Ian Haugland (bateria) subiram ao palco ao som da dobradinha "Walk The Earth" e "The Siege", ambas do mais recente disco, "Walk The Earth", de 2017. Ao longo do diversificado repertório apresentado, que abrangeu boa parte de seus 40 anos de carreira, foi inevitável notar as drásticas mudanças ocorridas na sonoridade da banda, passeando pelo Heavy Metal tradicional de "Scream Of Anger", o 'glam' de "Rock The Night" e "Ready Or Not", o Hard 'blueseiro' de "Superstitious" (momento em que Tempest desce do palco para interagir com os fãs das primeiras fileiras), até o Rock mais moderno, pesado e denso de "War Of Kings" e "Hole In My Pocket". O quinteto sueco, ao vivo, soa ainda mais massivo do que em estúdio, resultando em uma performance enérgica e poderosa, sem contar a inacreditável presença de palco de Joey Tempest, um verdadeiro 'showman', que apesar de não mais alcançar as notas agudas de outrora (ele nem tenta, o que considero uma decisão mais do que acertada), mantém sua voz em alto nível. Tivemos também a linda balada "Carrie" (momento 'sing along'), "Cherokee", e a eterna, pegajosa e deliciosa "The Final Countdown", encerrando o espetáculo no mais alto astral possível.

A terceira atração do dia, e a mais aguardada por uma parcela da audiência, foi o HELLOWEEN. O grupo alemão atravessa um momento fantástico em sua carreira, desde o anúncio da reunião com os antigos membros Michael Kiske (vocal) e Kai Hansen (guitarra e vocal), o que rendeu uma turnê mundial muito bem-sucedida, incluindo 2 noites 'sold out' no Espaço das Américas (São Paulo), em 2017. Não estava nos planos do grupo retornar ao Brasil tão logo, e a oportunidade surgiu, infelizmente, por uma triste razão: o recém-descoberto câncer de Dave Mustaine, e subsequente cancelamento dos shows do Megadeth por aqui. Além dos já citados Kiske e Hansen, completam o line-up: Andi Deris (vocal), Michael Weikath (guitarra), Sascha Gerstner (guitarra), Markus Grosskopf (baixo) e Dani Löble (bateria). Ao contrário da última passagem dos caras por terras tupiniquins, na qual os shows tinham quase 3h de duração, o setlist aqui foi enxuto e reduzido a 60 minutos, o que tornou a performance mais dinâmica e implacável. Porradas como "I'm Alive", "Dr. Stein", "Eagle Fly Free", "Power" e "How Many Tears" incendiaram a pista do Allianz, e a atuação da banda como um todo foi simplesmente irretocável. Mesmo com 7 músicos no palco, tudo foi muito bem distribuído para que cada um tivesse os seus momentos de destaque individuais, especialmente os vocalistas: Kiske em "A Tale That Wasn't Right"; Deris em "Perfect Gentleman"; e Hansen em "Ride The Sky". A dobradinha "Future World" e "I Want Out" deu o tom final à apresentação, com direito à chuva de papel picado laranja e muita animação.

Era chegada então a hora do co-headliner da noite. O cronograma do evento foi seguido à risca, portanto, às 20h15, David Coverdale trouxe o seu WHITESNAKE ao palco do Rockfest. Ovacionada, a banda chegou quebrando tudo com "Bad Boys", seguida de "Slide It In" e "Love Ain't No Stranger", 3 super clássicos de sua fase oitentista. Composto atualmente por, além de Coverdale, Reb Beach (guitarra), Joel Hoekstra (guitarra), Michael Devin (baixo), Michele Luppi (teclado) e Tommy Aldridge (bateria), o grupo encontra-se na turnê de divulgação de seu novo trabalho, o mediano/bom "Flesh & Blood", lançado há alguns meses, do qual foram apresentadas "Hey You (Make Me Rock)", "Shut Up & Kiss Me" e a ótima "Trouble Is Your Middle Name". Sim, a voz de David Coverdale está bastante desgastada, e sim, o auge do cara se foi já há algumas décadas, mas temos que tirar o chapéu para esta lenda, que no alto de seus 68 anos (completos no dia seguinte ao festival) esbanja um vigor invejável, além do alto carisma que lhe é peculiar, mostrando o verdadeiro amor que sente por aquilo que faz. Mas, quem roubou mesmo a cena foi Tommy Aldridge. O veterano baterista de 69 anos, que já tocou ao lado de Ozzy Osbourne, Motörhead, Thin Lizzy, Gary Moore, Yngwie Malmsteen e outros, espanca seu kit de bateria como fosse um garoto, unindo técnica, precisão e 'punch' como poucos. Seu solo foi um show à parte, especialmente o conhecido momento em que ele dispensa as baquetas e continua tocando com as mãos. Os demais instrumentistas que integram o WHITESNAKE também são excepcionais, e o duelo de guitarra protagonizado por Beach e Hoekstra foi muito interessante de se ver e ouvir. No mais, rolaram vários daqueles hinos 'Hard Rockianos' que todos os fãs tem na ponta da língua, como "Is This Love", "Give Me All Your Love", "Here I Go Again", "Still Of The Night" e "Burn", do Deep Purple, que finalizou este ótimo show de 75 minutos de duração.

Com o relógio se aproximando das 22h, a ansiedade para ver o SCORPIONS já era grande. O imenso pano que cobria o palco finalmente caiu, e uma animação foi exibida nos telões, mostrando um helicóptero sobrevoando a cidade, e logo após, 'lançando' os músicos ao palco, que iniciaram o show com "Going Out With A Bang", do mais recente álbum "Return To Forever" (2015). Klaus Meine (vocal), Rudolf Schenker (guitarra), Matthias Jabs (guitarra), Pawel Maciwoda (baixo) e Mikkey Dee (bateria) entregaram um espetáculo audiovisual completamente admirável, com um enorme telão inferior complementando o principal, com animações personalizadas para cada música (assim como também fez o HELLOWEEN). A voz de Klaus, embora tenha soado levemente destoante no início, envelheceu muitíssimo bem, permanecendo praticamente impecável, e falar da qualidade dos instrumentistas seria como chover no molhado. O repertório, apesar de um tanto curto, foi um deleite aos fãs do grupo alemão, tendo canções do calibre de "Make It Real", "The Zoo", o maravilhoso medley de "Top Of The Bill" / "Steamrock Fever" / "Speedy's Coming" / "Catch Your Train", "Send Me An Angel" (em versão acústica, com Rudolf Schenker empunhando seu lindo violão Flying V), a belíssima "Wind Of Change" (cantada em uníssono pelo público) e "Tease Me Please Me". Não faltou também o tradicional momento solo do inigualável Mikkey Dee, com direito à bateria suspensa do palco, muita interação com a platéia e sincronia entre som e imagem, com destaque para o momento em que as capas de todos os álbuns do conjunto iam aparecendo nos telões conforme o baterista tocava. A reta final da apresentação, é claro, foi composta por alguns dos maiores sucessos comerciais da banda: "Blackout", "Big City Nights", e o sempre presente 'bis' com "Still Loving You" e "Rock You Like A Hurricane", fechando o espetáculo com chave de ouro, como é de praxe em se tratando de SCORPIONS. Uma apresentação memorável, colocando o ponto final a um evento que beirou à perfeição, tanto na parte técnica quanto artística.

SETLISTS:

SCORPIONS

01. Going Out With A Bang
02. Make It Real
03. The Zoo
04. Coast To Coast
05. Top Of The Bill / Steamrock Fever / Speedy's Coming / Catch Your Train
06. We Built This House
07. Send Me An Angel
08. Wind Of Change
09. Tease Me Please Me
10. Solo de bateria
11. Blackout
12. Big City Nights
13. Still Loving You
14. Rock You Like A Hurricane

WHITESNAKE

01. Bad Boys
02. Slide It In
03. Love Ain't No Stranger
04. Hey You (Make Me Rock)
05. Slow An' Easy
06. Troube Is Your Middle Name
07. Duelo de guitarra
08. Shut Up & Kiss Me
09. Solo de bateria
10. Is This Love
11. Give Me All Your Love
12. Here I Go Again
13. Still Of The Night
14. Burn (Deep Purple cover)

HELLOWEEN

01. I'm Alive
02. Dr. Stein
03. Eagle Fly Free
04. Perfect Gentleman
05. Ride The Sky
06. A Tale That Wasn't Right
07. Power
08. How Many Tears
09. Future World
10. I Want Out

EUROPE

01. Walk The Earth
02. The Siege
03. Rock The Night
04. Scream Of Anger
05. Last Look At Eden
06. Ready Or Not
07. War Of Kings
08. Carrie
09. Hole In My Pocket
10. Superstitious
11. Cherokee
12. The Final Countdown




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