Edu Falaschi: porque o evento em Recife foi quase muito foda

Resenha - Edu Falaschi (Baile Perfumado, Recife, 05/04/2019)

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Por Felipe Soares de Souza
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O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.

Sexta-feira (5) teve o show da nova turnê do Edu Falaschi e banda aqui em Recife, no Baile Perfumado. Eu não ia por estar sem dinheiro, mas minha namorada e um parceiro meu se compadeceram e conseguiram um ingresso surpresa para mim, que soube que iria ao show algumas horas antes dele acontecer. Fiquei absolutamente entusiasmado. Poxa, iria ver as músicas que ouvi tanto quando era apenas uma criança e estava descobrindo o poder do metal. E realmente foi foda, mas acho que poderia ter sido MUITO foda e algumas coisas devem ser ditas para tornar o pós-evento mais divertido e a discussão aquecida. Aí vão meus cinco pontos!

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Vamos lá.

1) As bandas de abertura mereciam mais destaque na divulgação.

JAH me livre de reclamar da produção ou da banda. Toco em bandas do underground há muito tempo e uma coisa é certa: é muito trabalho de todos os lados pra fazer um lance desses dar certo. Mas é claro que a turma poderia ter investido um pouquinho mais na divulgação do show. E do evento em si, das duas bandas de abertura que tocaram e praticamente não foram mencionadas na divulgação. Sabemos que a maioria das pessoas foram para exclusivamente ver o show do Edu e cantar de cabo a rabo o "Temple of Shadows", assim como eu. Mas se houvesse uma divulgação tipo "Conheça o som da Avaken, uma banda massa de Recife que toca clássicos do Power Metal!", eu com certeza teria chegado mais cedo para sacar o show dos caras. Sabemos que às vezes parece estranho botar fé no que ninguém bota fé, ouvir uma banda que ninguém ouve. Mas roqueiros normalmente são estranhos, não é? Então não deixemos de confiar no trabalho duro e bem feito de bandas como Avaken e a outra que não consigo encontrar o nome no Google. Porque nem no evento do show do Facebook, nem em Instagram, nem em matéria do Diário de Pernambuco tem sequer a menção de bandas de abertura. Mas é claro: JAH me livre de culpar uma produção que muitas vezes trabalha de graça, e trabalha muito, para conseguir trazer um show desse porte. Foi apenas uma ressalva que eu tinha que fazer por perceber uma situação que poderia ter sido resolvida com mais atenção para o que está mais próximo da gente e de fato merece mais atenção.

2) Foi um grande show pra quase pouca gente.

Eu chutaria que deu entre 300 e 400 pessoas nesse show. Talvez eu esteja errado porque estou literalmente chutando com base no que eu vi enquanto estava bêbado cantando e dançando durante horas. Mas não deu muito mais ou muito menos do que isso. E poderia ter mais. Mas de quem é a culpa? Da produção? Da banda? Da economia do país? Eu diria que a culpa é do público.

É muito simples: estamos em Recife. E como falamos lá em cima, é muito difícil acreditar no que ninguém acredita. E acho que muita gente acredita no metal, mas pouca gente do metal acredita em coisas diferentes e que não sejam metal. Mas peraí, isso não tem nada a ver, né? Tem, porque a maioria (mais conservadora e que gosta das coisas mais antigas) compareceu em peso no show do Edu. Então foi muita gente se pensarmos que poderia ter dado menos, já que o público do metal não é tão grande em Recife? Sim. Ainda assim foi pouca gente, se pensarmos menos em nicho. Pelo menos, segundo um brother meu que trabalhou no evento, o rolê se pagou.

Mas então, qual o problema de ter dado QUASE pouca gente? O show merecia mais gente, ué. E, sei lá, achei interessante levantar isso para pensarmos as circunstâncias de um evento de metal nacional em Recife em pleno 2019. Uma festa com discotecagem pop daria muito mais gente do que isso. Mas não podemos comparar, são coisas totalmente diferentes. Apenas um pensamento. E agora uma crítica que você não deve levar pro lado pessoal.

3) O show foi tecnicamente perfeito, mas faltou atitude e novidades.

Eu também amei, como vocês, cantar de "Spread Your Fire" até "Late Redemption" numa tacada só com um som alto sendo feito na nossa frente. Mas será que isso faz de um show algo muito foda hoje em dia? Tudo bem, são músicas que fizeram parte da nossa construção de caráter, que nos fizeram pegar um instrumento e trilhar nosso próprio caminho, e isso é lindo. E é por isso que amamos as músicas do Angra e de várias outras bandas. Mas eu sinto dizer que a gente se apega a ideias fáceis para nos sentirmos mais confortáveis. Mesmo nós, metaleiros, empunhando "thy sword" e desbravando a aventura que é a vida com nossa atitude destemida e medieval. E não estamos errados em ficarmos satisfeitos com cantarmos o que nos tocou no passado. Mas pensemos fora da caixinha: o que faz um show muito foda são novidades, surpresas e atitudes fora da caixinha. Não foi isso que o Edu apresentou na sexta-feira. Sinto dizer. Mas foi o que o Angra apresentou com seu novo disco e seu show em Recife ano passado, por exemplo. Saca? Tô falando de novos solos de guitarra, novas passagens nas músicas, de mudanças de tom, viradas diferentes, sei lá... de um show vibrante e não apenas nostálgico. Mesmo sendo o show de 15 anos do disco. É incrível ver como todo mundo da banda é extremamente técnico, mas é só isso que vocês querem? Cês vão pra a turnê do "Temple of Shadows" de 30 anos fazer a mesma coisa e pra vocês tá de boa a vida? Pelamor de Jah, eu quero muito mais. Quero um disco novo da banda, não um DVD desse mesmo show num teatro chique. Acho assustador essa vibe de insistir no sentimento nostálgico e blá, blá, blá. Talvez eu pense isso porque tenho 23 anos, sim, mas eu só posso falar na minha perspectiva, não é? E eu prefiro atitudes mais instigantes a nos tirar da zona de conforto do que mais do mesmo.

4) Boa parte do público estava morgado e quase sem energia.

Gente, vocês querem ficar igual a inglês vendo show quebradeira? Igual a público de Lollapaloza? Todo mundo longe um do outro balançando a cabeça bem de leve e balbuciando um refrão baixinho? Porque eu acho isso a visão do inferno. E muitas vezes é essa a visão que tenho quando vou pra shows de metal. Muito diferente do que vemos em shows de funk, de brega, de rap. Ah, você odeia esses estilos? Sugiro que você feche os olhos da culpa cristã-roquista e dê uma pesquisada real, porque você tá muitos anos no passado. E mais uma vez voltamos a um problema de realidade-temporal no show do Edu Falaschi em Recife... Vamos nos divertir, galera! Show é pra pular, dançar, pogar, curtir ao máximo e não cruzar os braços e achar ruim quando esbarram em você. Tudo dá pra fazer sem machucar ninguém. A galera que tava na frente do palco, na única rodinha minúscula que tinha, sabe disso. Cada um tem seu jeito de curtir o momento, e claro que cê pode botar uma cadeira, levar um travesseiro e um protetor auricular. Mas eu não quero. E boto fé que tem uma galera que também não quer. Então não vamos incentivar esse hábito esquisito de não se expressar, gente. Se libertem, é um show de música, de músicas que você ama e fazem parte da sua vida.

5) Tá todo mundo de parabéns! Obrigado pela noite.

Mas isso não tem nada a ver com os outros tópicos, não é? Mas não faz nem sentido a gente existir, porra. Para de tocar a trilha tensa e começa uma música de final de anime. Ou de abertura de anime... Coloca "Saint Seiya" pra tocar logo aí. O último tópico é só good vibes e off-topic do resto do texto.

5.1) As bandas estão de parabéns!

Mesmo. Parabéns pelo trabalho duro das duas bandas de abertura e da banda do Edu.

5.2) O som está de parabéns!

É muito difícil fazer som grande. Todo mundo que já foi em festival e prestou atenção sabe disso. O som para a banda mais o quarteto de cordas estava legal, não estava ótimo, mas não tinha como fazer melhor.

5.3) A produção está de parabéns!

Boto fé que muita gente não queria produzir esse show aqui exatamente pelos problemas que existem na cena cultural em Recife (o público não comparece sempre ao show, muitas vezes não quer pagar R$60,00 num ingresso, as casas de show nem sempre ajudam, etc.), mas os caras tiveram a manha e conseguiram fazer acontecer pra todo mundo. Bandas e público saíram satisfeitos, o evento deu certo. Valeu Empire.

5.4) O público está de parabéns!

Vejam só, estou até elogiando vocês que encheram meu saco ficando parados no show! Mas é verdade, temos que nos unir para que eventos como esse continuem acontecendo. Para que os shows consigam ser pagos, precisamos pagar. Para que a banda saia sentindo que fez um belo show, o público precisa vibrar. E fizemos nossa função, apesar dos apesares. E foi ótimo ver tanta gente reunida que nunca vi na vida, mas que é mais parecida comigo do que eu penso.

5.5) O Edu Falaschi está de parabéns!

Sem síndromes do underground aqui. Pelo menos não as do underground. Será que o Edu é tão mainstream assim? Será que ele é focado e realmente lutou para fazer essa turnê, assim como em sua carreira inteira, dar certo? Será que esses roqueiros ricos e famosos estão só zoando e ganhando grana com o que fizeram no passado ou estão se dando de corpo e alma para fazer o melhor trabalho possível? Certamente, os internacionais e alguns nacionais, sim. Mas não acho que seja o caso do Edu e sua banda. Na verdade, de forma alguma.

Era engraçado ver o Edu filmando a gente com o celular dele que ficava estourado no bolso da calça jeans apertadíssima. Era engraçado ver ele imitando o Kiko Loureiro no vídeo "Kiko Loureiro imitando Edu Falaschi", disponível no Youtube. Era engraçado analisar o look dele de cima pra baixo, terminando num Adidas cano-alto super nada a ver que é a imagem desse texto. Na verdade, o mais legal era ver ele feliz, dando o melhor de si em seu trabalho, assim como o resto da banda. Então parabéns, Edu.

Ah, e sim, só mais uma bad-vibe sobre o show: pessoalmente achei muito paia aquela apresentação da banda estilo rock de arena. Podre, sinceramente. Mas vocês gostam, né? Então ele fez o que deveria para agradar a maioria.

Acho que é isso. Eu poderia escrever mais, mas tô de ressaca, acordei agora há pouco e só tinha que tirar da mente esses pensamentos. Vou tomar um cafézinho e voltar a minha vida normal, infelizmente. Acabou a fantasia épica, gente. Mas é só dar o play no "Holy Land" jajá que ela volta.



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