Camisa de Vênus: resenha do show no Teatro J. Safra em SP

Resenha - Camisa de Vênus (Teatro J. Safra, São Paulo, 24/03/2018)

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Por Alexandre Capitão Campos
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O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.

O Camisa de Vênus tem percorrido o país com o show Toca Raul, se apresentando em teatros, dividindo o set numa parte acústica, que reverencia Raul Seixas, e uma parte elétrica, que reverencia a obra do próprio Camisa. É, meu amigo, quem é seguro do que faz, reverencia à si mesmo sim.

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Assisti o Camisa com Toca Raul no Teatro Bradesco, em São Paulo, e foi inesquecível. Dessa vez a apresentação na capital paulista seria no Teatro J. Safra. Espera aí, Bradesco... Safra... Seria Marcelo Nova o presidente do Banco Central?

Fui recebido por Marcelo antes do show em seu escritório, desculpe, quero dizer, no seu camarim. Ele falava sobe cinema, e como tem revisto alguns filmes. Falou sobre cinema noir, sobre a continuação de Blade Runner, e principalmente sobre a Versátil, uma empresa que vem lançando clássicos do cinema em edições primorosas, com informações, cards, reproduções do cartaz. A Versátil mantém um padrão no seu catálogo que faz lembrar os importados. Hitchcok, Luis Buñuel, Fellini, não à toa o autor de Sessão Sem Fim é um grande fã e consumidor, se empolgando ao falar dela.

Também falei com Drake, que está se lançando como produtor, e já vem utilizando o conhecimento adquirido ao trabalhar com o pai, e também dos cursos que fez, para produzir outros artistas. Bem, se depender do que o vimos fazer em Doze Fêmeas e Dançando na Lua, está mais do que credenciado para ter sucesso nessa atividade também. Como é bom estar perto desse cara...

Antes de subir ao palco, Robério Santana, Celio Glouster, Leandro Dalle, Drake e Marcelo Nova se enfileiraram para uma foto que ficaria na galeria dos artistas que ali se apresentaram.
De repente, tudo ficou preto e branco em alto contraste. Lauren Bacall, no papel de Inêz Nova se dirigiu elegantemente para um lugar de visão privilegiada. Humphrey Bogart, no papel do detetive Marcelo Nova, reuniu seus asseclas e pediu que guardassem suas posições, para garantir cobertura total. Era hora do show.

O set acústico teve início com Rock'n Roll, que também é a faixa de abertura do A Panela do Diabo, seguida por Al Capone, Rock do Diabo e Rock das Aranhas. Note você que três das quatro primeiras canções tem a palavra rock no título. Então você já deve saber do que se trata essa noite. Marceleza falou que o show Toca Raul é uma forma de homenagear Raulzito, e também celebrar o álbum que gravaram juntos.

O teatro é um ambiente interessante para o rock, e que acolhe bem um artista que tem conteúdo, e que prende a sua atenção sem lasers, ou bonecos infláveis. Mas num concerto de rock, em alguns momentos é difícil para a plateia se conter, e manter-se apenas em uma cadeira. E foi o que aconteceu, o público levantou e invadiu os correios e o espaço à frente do palco, rasgando o roteiro por um momento. Mas Marcelo Nova chamou para si a direção da cena, pedindo que compreendessem o respeito que o espaço pedia, que voltassem para seus lugares, e foi prontamente atendido. Orson Welles teria orgulho.

Em Não Fosse o Cabral, parte da letra recitada, reforçou o quanto atual é. Carpinteiro do Universo teve uma bela introdução de bateria, com Celio atirando com grosso calibre. E quando a trama parecia resolvida, eis que encontro o Falcão Maltês num dos mais belos solos que já vi Drake executar ao vivo. Como é bom estar perto desse cara...

Leandro Dalle utilizou uma viola de 10 cordas, algo inusitado para o padrão de trabalho do Camisa ou do Marcelo Nova. A viola possui um timbre rico, e usa afinações que remetem ao delta blues. Raul Seixas teria orgulho.

Aluga-se, Muita Estrela Pra Pouca Constelação e Pastor João E A Igreja Invisível, encerraram a primeira parte do show.
Poucos minutos depois estavam de volta para a parte electricladylandica do show, executando Bete Morreu, mais um crime investigado por Sam Spade. Em Hoje, Rick Deckard no papel de Robério Santana, foi apresentado.

Na sequência duas canções que não foram tão executadas ao vivo no decorrer da história do Camisa, mas sempre muito boas de ver ao vivo. Tudo Ou Nada e Crime Perfeito, que trouxe um "duelo" de guitarras dos flying brothers Drake e Leandro. Ava Gardner decidiria o vencedor.

Lembra quando eu falei sobre músicas com conteúdo, apropriadas para teatro? Pois então, A Ferro E Fogo encenou aquilo o que quis dizer. A Raça Mansa do Dançando Na Lua, nos fez lembrar o quanto o disco recente é bom.

Só O Fim e My Way precederam Simca Chambord, em formato de medley, passando por Be Bop A Lula, Jenny Jenny e O Ponteiro Tá Subindo.
Os créditos começaram à subir em A Paixão de Joana D'arc. Marcelo Nova olhou para a câmera mais uma vez, a luz em seu rosto permitiu ver a expressão de dever cumprido, seguindo então para um canto escuro do palco. A sessão chegava ao fim.

O Camisa de Vênus foi a única banda que Raul Seixas participou de um disco (Duplo Sentido). E Marcelo Nova foi o único artista com o qual Raul dividiu um álbum (A Panela do Diabo). Por isso, Toca Raul é um show absolutamente legítimo. E como o Camisa vive uma grande fase, tudo fica ainda mais grandioso.
Estava na hora de ir embora, mas antes eu teria de reviver uma missão, levar comigo o carona, Ari Mendes, no papel de Ari Mendes.
Toca Raul! Bota pra fudê!

Setlist
1-Rock and Roll
2-Cowboy Fora da Lei
3-Al Capone
4-Rock do Diabo
5-Rock das Aranha
6-Não Fosse o Cabral
7-Carpinteiro do Universo
8-Metamorfose Ambulante
9-Aluga-se
10-Muita Estrela,Pouca Constelação
11-Pastor João e a Igreja Invisível
12-Bete Morreu
13-Hoje
14-Tudo ou Nada
15-Crime Perfeito
16-A Ferro e Fogo
17-A Raça Mansa
18-Só o Fim
19-My Way
20-Simca Chambord
21-Eu Não Matei Joana Dar'c




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