The Who e Def Leppard: duas bandas inglesas em Porto Alegre
Resenha - Who e Def Leppard (Anfiteatro Beira-Rio, Porto Alegre, 26/09/2017)
Por Liny Oliveira
Postado em 28 de setembro de 2017
A banda inglesa formada em 1964, considerada uma das maiores de todos os tempos finalmente pisou em solo gaúcho, após terem passado pelo Rock in Rio e pelo São Paulo Trip. Depois de mais de cinco décadas o The Who se apresentou no Anfiteatro Beira-Rio com um show histórico e seus setentões originais, Roger Daltrey (vocal) e Pete Townshend (guitarra) e suas performances características, e os não menos importantes Jon Button (baixo) e Zak Starkey (bateria), este último apenas filho do Beatle Ringo Starr. Já dava pra ter uma ideia do espetáculo que seria marcado naquela última terça-feira do mês de Setembro, e não era somente uma, mas sim duas bandas inglesas, pois a abertura dos trabalhos ficou por conta de Def Leppard que teve sua formação em 1977, viveu altos e baixos e muita superação nos seus 40 anos de carreira.
Com quinze minutos de antecedência do horário marcado, às 19h25min o Def Leppard sobe ao palco e manda "Let’s Go", primeira faixa do seu décimo primeiro álbum de 2015, na sequência para animar vem "Animal" e "Let it Go". No palco, além do que há no fundo, também haviam dois telões onde passavam imagens que representavam grandes amplificadores pra dar mais preenchimento.
A clássica "Love Bites" teve grande impacto, com o setlist recheado de sucessos Joe Elliott (vocal) apresenta Vivian Campbell (guitarra) que não fica na sombra de Phill Collen (guitarra) e inicia "Armageddon It". Com muitos backing vocals e bastante interação com o público Phill, Vivian, Rick e Elliot fazem um belo trabalho para os poucos fãs presentes.
Joe Elliot agradece em português ao término de cada canção, em "Man Enough" outra faixa do último trabalho de 2015 ele pede para que todos coloquem as mãos pra cima, seguido de "Rocket", Rick Savage toca seu baixo clássico com a bandeira da Inglaterra e anima a todos. Agora Elliott anuncia uma volta no tempo com a linda balada "Bringin' on the Heartbreak", e já acrescenta com "Switch 625" e muitas palmas da plateia, especialmente para Rick Allen que tem seu momento reconhecido, afinal não é qualquer um, Rick tem apenas um braço e demonstra muita habilidade em solos que contagiam o público.
Joe retorna e inicia "Hysteria" que é finalizada com um trechinho de "We Can Be Heroes" do também britânico David Bowie, agora a pergunta: "Let’s get rock"? e todos recebem "Let’s Get Rocked" do quinto álbum "Adrenalize" de 1992. Dando continuidade sem enrolação vem "Pour Some Sugar On Me" que é bradada por todos, logo após temos "Rock of Ages" que dispensa apresentações. Com os telões ilustrando fotos em preto e branco em formato de negativo finalizam com "Photograph".
Joe Elliott agradece e joga muitos beijos para a plateia e ao final no telão a bandeira do Brasil, eles se reúnem na frente do palco e pedem para todos sorrirem, pois é hora da foto, e também em breve seria a hora mais esperada por todos que estavam ali, a hora de ver o The Who.
Pontualmente às 21h30min tudo fica escuro e o telão se acende com a mensagem: "Mantenha a calma, aí vem o The Who". Pete Townshend (guitarra) entra no palco saltitando, Roger Daultrey (vocal) surge com seu microfone giratório e de abertura temos "I Can’t Explain", com muita explosão de todo o público e algumas lágrimas no rosto dos senhores de mais idade que estavam mais próximos ao palco. Sim, vocês podem acreditar, é o The Who!
Emendando prontamente com "The Seeker" e em seguida "Who Are You" esta última cantada em alto e bom som, e muito conhecida como tema de abertura pelos telespectadores do seriado americano CSI. Pete avisa que não fala português e vai falar em inglês mesmo, "Estamos muito felizes em estar aqui em Porto Alegre e essa canção se chama "The Kids Are Alright", no intervalo entre uma e outra todos gritam "Who, Who, Who, Who", antes de iniciar "I Can See For Miles" Pete comenta que ninguém ali era nascido quando essa música fez sucesso, em 1967, e um senhor levantou as mãos e Pete concordou que ele tinha nascido sim, arrancando gargalhadas de todos.
Para continuar o clima chega "My Generation", Pete com sua performance característica de girar o braço ao tocar a guitarra conquista os fãs. A próxima é "Bargain" de 1971 do clássico Who’s Next, na sequência o palco é tomado por luzes azuis e Pete diz: "Essa não é do Limp Bizkit, apesar de terem feito uma ótima canção" e começa "Behind Blue Eyes" com todos em coro e seus celulares em punho. Partem direto para "Join Together" e em seguida "You Better You Bet" e ao final Pete degustando seu chá inglês faz uma brincadeira em conjunto com seu nome "Pete, tea", arruma seu violão e anuncia "I’m One".
Na instrumental "The Rock" o telão apresenta imagens históricas como a queda do muro de Berlim, os atentados de Paris, o 11 de Setembro, homenagens a Keith Moon, e para completar de fundo todos gritam "Fora Temer". O momento marcante veio em "Love, Reign O’er Me" em que tomou por completo a emoção dos presentes, e Roger pôde provar que ainda tem potência, finalizando lindamente ele é ovacionado pela multidão.
Com imagens psicodélicas no telão eles mandam "Eminence Front" e após "Amazing Journey" com Roger girando loucamente seu microfone no ar e em volta do corpo, e finalizando com seus pandeiros. Para arrebatar, Pete introduz "Pinball Wizard" e juntamente "See Me, Fell Me", e para delírio geral chega "Baba O’Riley" e ao final Starkey já inicia com suas batidas entregando "Won’t Get Fooled Again" para finalizar com chave de ouro o que na verdade não havia terminado.
Townshend apresenta a banda, Zak sobe na bateria e é muito aplaudido, todos se despedem e saem, menos Roger Daltrey que diz: Isso é besteira! A banda retorna sem descanso e para o bis toca "5:15" e "Substitute" para completar com todos pulando, Roger deseja uma boa noite, e esta se torna histórica para os gaúchos, duas horas do mais puro Rock N’ Roll e a certeza de que este dia jamais será esquecido.
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