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Deicide: transformando Fortaleza na capital do Death Metal do N/NE

Resenha - Deicide (Let's Go Rock Bar, Fortaleza, 11/08/2017)

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Por Leonardo Daniel Tavares da Silva
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Já faz 17 anos que Glen Benton deveria ter se matado, segundo sua própria promessa, feita nos tempos inconsequentes da juventude. Felizmente, isso não aconteceu, nem vai acontecer - e brasileiros de diversas partes do Norte e do Nordeste puderam ver em Fortaleza um espetáculo direto, sério e devastador do mais puro Death Metal, trazido pelo agora já senhor Benton, ao lado do também veterano Steve Ashein e dos guitarristas Kevin Quirion e Mark English. Confira como foi o show do DEICIDE, antecedido pela ENCÉFALO e SOH, em um lotadíssimo Let's Go Rock Bar, em 11 de agosto, na capital cearense.

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ENCÉFALO

Com a missão de esquentar o público naquela noite de sexta, a ENCÉFALO acabou fazendo muito mais que isso. Em vias de lançar seu terceiro álbum, "Deathrone", o trio cearense fez uma apresentação com muita técnica e brutalidade que começou com "All The Hate in My Soul" e, já aí, impressionou os presentes, com Lailton Souza mostrando suas habilidades de shredder na guitarra, Henrique Monteiro, no baixo e vocais, com seus guturais e Rodrigo Falconieri dando seu show à parte na bateria. Do álbum que sai no fim do mês, a primeira foi "Echoes From The Past". A música tem a pegada da banda, com viradas complexas, quebras de andamento que só um animal como Rodrigo Falconieri é capaz de fazer. Henrique fez questão de agradecer não só ao público de Fortaleza, mas também a quem veio de Belém, Mossoró, Recife, entre outras cidades até nem tão vizinhas assim.

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Depois de "Endless Suffering", o show passou a ser todo dedicado à canções inéditas, do já citado "Deathrone", com "Annihilation Contempt to the Majesty", "Blessed By the Wrong Choice" e "These Final Rotten Days". O destaque fica para Falconieri, que só pode ter alguma anormalidade no cérebro para ser capaz de coordenar tão bem movimentos mais rápidos com a mão esquerda enquanto investe em uma pegada mais lenta e violenta com a direita. A ENCÉFALO já abriu para vários grandes nomes, mas a ela estavam devendo a oportunidade de fazer um show com calma, sem pressa, sem canções cortadas no set para que ela própria não ficasse devendo ao público o que sabe fazer melhor: impressionar. É verdade que a casa ainda não estava cheia (e, sim, ainda sofremos com isso - ainda há quem escolha não prestigiar as bandas de abertura, mas foi tudo bem melhor que em eventos anteriores, quando as mesmas ENCÉFALO e SOH abriram para CANNIBAL CORPSE e OBITUARY, respectivamente). Azar de quem pagou pra ver três bandas foda e ainda não estava ali. Com esse show de sexta passada, todas as dívidas foram pagas. E que venha o "Deathrone".

Como consegui viver de Rock e Heavy Metal

SOH

Na velocidade da luz, a SIEGE OF HATE, trio formado por Bruno Gabai (guitarra e vocal), George Frizzo (baixo) e Saulo Oliveira (bateria) já enfiou "The Thruth Behind", "Grinding Ages", "Brave New Civil War" e "Save Your Prayers" uma atrás da outra. Aqui é só velociade, com Bruno Gabai fazendo tanto guturais quanto gritados e Frizzo adicionando um peso descomunal no baixo. Com um tanto de hardcore, seguem "God Killing God" e a mais porradaria grind, só dando folga por alguns segundos em "Catharsis".

O show também foi oportunidade para um público maior conhecer "Era do Ódio" e saber de uma novidade: a banda está preparando seu primeiro álbum completamente em português.

Antes de terminar com "Self Defense Contradctions" e com a canção que dá nome à banda, Bruno lembrou dos grandes nomes do Death Metal que já passaram por Fortaleza (entre eles OBITUARY, POSSESSED, CANNIBAL CORPSE, BENEDICTION, ENTOMBED, SUFFOCATION - ele não citou tantos assim, mas o redator tomou a liberdade de acrescentar). "Só falta o MORBID ANGEL. Fica a dica para a Empire" - desafiou o vocalista.

DEICIDE

As bandas de abertura foram absolutamente pontuais, iniciando seus shows no horário estabelecido (o que é um ponto muito positivo, principalmente numa sexta-feira), mas, os convidados da Florida foram ainda mais "ingleses". Minutos antes da meia-noite, a hora marcada, o homem de cicatriz de cruz já estava no palco com seus companheiros a postos para dar início à devastação. E ela veio com toda força no primeiro minuto do sábado com "Scars of The Crucifix", canção do álbum homônimo e de uma brutalidade sem par já bem conhecida de todos os fãs. Ao fim, "Deicide", "Deicide", gritavam em uníssono os headbangers que encheram a casa, felizes por finalmente ter a oportunidade de ver "a lenda" em ação. E até quem se acostumou a chamar a banda de "DeicÍde" entrou no coro, caso deste redator (afinal, quando vi aquela capa aterrorizante do primeiro álbum pela primeira vez, não falávamos inglês e nem imaginávamos que iríamos ver bandas como aquela em nossas terras). E, pelo menos naqueles primeiros momentos, se ensaiavam alguma roda, logo paravam. Estavam mais interessados em ver, admirar, prestar atenção em cada detalhe da movimentação de Benton, Ashein, Quirion e English.

A resposta do público não foi diferente em "In The Minds of Evil", afinal, a canção é do álbum mais recente da banda, mas já ganhou os fãs (afinal, o disco é de 2011). Os gritos com o nome da banda recomeçaram. Em entrevista ao Fanzine Mosh, Ashein prometera um novo álbum para breve, mas, infelizmente (ou felizmente para quem só quer saber de clássicos), nenhuma canção nova faria parte do setlist.

Benton jamais pôde ser chamado de "excelente frontman". Ele nunca fez questão de ser simpático ou se adequar a qualquer padrão. E isso também ajuda a manter a sua aura malévola. E sua cicatriz, feita à brasa na testa, agora já se mistura às rugas que a idade lhe trouxe. Suas poucas palavras para o público foram apenas após "They Are The Children Of The Underworld". Coisa simples, como "Obrigado por nos receber" é o suficiente. Não precisa de muito mais. O que todos estavam ali para ver era aquele ícone do Death Metal despejando suas blasfêmias com seus guturais brutos e seus gritos demoníacos (e maníacos).

E também fora dos padrões são as métricas de suas canções, acabando onde outras bandas costumariam encaixar mais um refrão, mais alguns acordes. O DEICIDE vem, dá o recado e já passa para a próxima.

No entanto, Benton até mostrou um humor incomum ao brincar com quem disputava suas palhetas, à beira do palco, em "Blame It On God". "Elas valem 50 centavos", disse ele, mas, claro, para os bangers, valiam muito mais.

Já mais acostumados com a presença de Benton no Let's Go, as rodas até ficaram mais insistentes em "Dead But Dreaming", mas foi quando começou "Once Upon The Cross" que muito marmanjo barbado até sentiu vontade de chorar. E o comando "Kill The Christians" foi recebida com coro eufórico e cantada a plenos pulmões e com punhos para o ar". "Deicide", a música, e a dobradinha "Sacrificial Suicide/Homage For Satan" não poderiam faltar. E "Dead By Down", no entanto, pôs fim aquela celebração de extermínio de deuses. Vale apontar que o som esteve perfeito durante todo o show, com muita nitidez em todos os instrumentos, mas, no caso específico de "Dead By Down", aquela sujeira da gravação original até que faz falta.

A Empire está de parabéns por, mais uma vez, fazer a alegria dos headbangers com mais um grande (e clássico) nome do metal (e na mesma semana em que anunciou outro nome de peso, o ACCEPT). Além disso, outro reconhecimento especial à produtora vale pela quantidade de colegas da imprensa credenciados para a cobertura do evento. Todas as produtoras deveriam saber que muitas fotos e matérias ampliam a cena, são uma retroalimentação que é necessária para manter a cena viva, produzindo e consumindo Rock e Heavy Metal em todos os seus estilos. É uma questão de "awareness". Entender a imprensa como parceira é essencial para o sucesso não só de um evento, mas de todos os que o sucedem. E é obvio também que o papel da imprensa é levantar os pontos fortes e onde os eventos podem ser melhorados. O show, além de ser oportunidade única para ver um nome tão influente no Death Metal, teve pontualidade e som perfeito, mas, talvez como resultado de um sucesso acima do esperado, também foi uma provação para quem não comprou fichas de bebida antecipadamente, devido à longa fila nos caixas. Entre mortos e feridos, o Metal da Morte foi o maior vitorioso. E os headbangers puderam sair do Let's Go de alma lavada. E que a cobrança de Bruno Gabai tenha resultado, que venha o MORBID ANGEL, assim como o próprio DEICIDE, com o disco novo prometido por Ashein debaixo do braço, para outra noite de Death Metal.

Agradecimentos:

Empire, especialmente Caíque Falcão e Maurílio Fernandes, pela atenção e credenciamento.
Victor "Rasga" Araújo Lima, pelas fotos que ilustram esta matéria.

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Setlists

ENCÉFALO

All The Hate in My Soul
Despair
Echoes From the Past
Endless Suffering
Annihilation Contempt to the Majesty
Blessed By the Wrong Choice
These Final Rotten Days

SIEGE OF HATE (S.O.H.)

The Truth Behind
Grinding Ages
Brave New Civil War
Say Your Prayers
God Killing God
Obscene Truth
Forthcoming Holocaust
Hypochrist
Catharsis
The World I Never Knew
Era do Ódio (Nova)
The Walls Built Inside Us
Self-defense Contradictions
Judas Sanctified
Siege of Hate

DEICIDE

Scars Of The Crucifix
When Satan Rules His World
In The Minds Of Evil
They Are The Children Of The Underworld
Death To Jesus
Oblivious To Evil
Trifixion
End The Wrath Of God
Serpents Of The Ligth
Blame It On God
Dead But Dreaming
Once Upon The Cross
Kill The Christian
Deicide
Sacrificial Suicide
Homage For Satan
Dead By Dawn


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Sobre Leonardo Daniel Tavares da Silva

Daniel Tavares nasceu quando as melhores bandas estavam sobre a Terra (os anos 70), não sabe tocar nenhum instrumento (com exceção de batucar os dedos na mesa do computador ou os pés no chão) e nem sabe que a próxima nota depois do Dó é o Ré, mas é consumidor voraz de música desde quando o cão era menino. Quando adolescente, voltava a pé da escola, economizando o dinheiro para comprar fitas e gravar nelas os seus discos favoritos de metal. Aprendeu a falar inglês pra saber o que o Axl Rose dizia quando sua banda era boa. Gosta de falar dos discos que escuta e procura em seus textos apoiar a cena musical de Fortaleza, cidade onde mora. É apaixonado pela Sílvia Amora (com quem casou após levar fora dela por 13 anos) e pai do João Daniel, de 1 ano (que gosta de dormir ouvindo Iron Maiden).

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