Massacration: como foi o primeiro show da nova turnê mundial

Resenha - Massacration (Sana/Centro de Eventos do Ceará, Fortaleza, 15/07/2017)

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Por Leonardo Daniel Tavares da Silva
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O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.

O SANA é um dos maiores eventos brasileiros dedicados à cultura oriental do Brasil. O evento que, durante três dias lotou o Centro de Eventos do Ceará, é uma realização da Fundação Cultural Nipônica Brasileira (FCNB) e já há algum tempo deixou de ser uma celebração exclusivamente da cultura japonesa para abraçar também a cultura coreana, os gamers, as mais cultuadas séries de livros, filmes e seriados de TV (como Game of Thrones e Harry Potter), competições de cosplayers e, como todo headbanger é também um nerd na forma mais essencial da palavra, o Heavy Metal. Já passaram pelo SANA, edições anteriores, EDU FALASCHI, com e sem o ALMAH, EIZO SAKAMOTO e DETONATOR (que inclusive escolheu o festival para gravar seu primeiro DVD, o "Live In Sana").

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Dessa vez DETONATOR voltou ao festival, que aconteceu de 14 a 16 de julho, voltou aos palcos do SANA, mas acompanhado da MASSACRATION, uma das bandas mais controversas do Heavy Metal nacional. A banda voltou à ativa após um longo hiato e após sofrer o baque da perda de Blondie Hammet, Fausto Fanti. Agora, Detonator, Metal Avenger, El Muro, El Perro Loco e Red Head Hammet. E o primeiro show da "Metal Milf World Tour", sua turnê mundial com datas apenas no Brasil, foi justamente esse, em Fortaleza. Eu e o Rubens Rodrigues fomos ao SANA e vimos este primeiro show. Se você não quiser ter spoilers dos próximos shows, recomendo que feche logo essa matéria. Vá ler alguma coisa sobre METALLICA ou IRON MAIDEN, aquelas bandas que imitam o MASSACRATION.

Esta e todas as outras fotos desta matéria são de Rubens Rodrigues

Ok, você ainda está aí? Então saiba logo abaixo como é um show da maior banda dos últimos tempos da última semana. Opa, essa não era os TITAS?

Fechando as atividades do sábado, às 18:40, poucos minutos depois do horário marcado para o show, o "tour manager" avisou que iriam demorar um pouco mais a entrar no palco. O motivo: estariam fazendo uma orgia nos camarins. (!). O sujeito ainda afirmou que entreteria o público um pouco empunhando um sax enquanto isso (até chegar outro cara por trás e baixar-lhe as calças). Sim, pra quem ainda não sabia, este é um show do MASSACRATION e começa com "Metal Is The Law", com seu refrão de coro de torcida de futebol, "Ai / Ai Ai Ai / Ai Ai Ai Ai Ai Ai / Em cima, em baixo e puxa e vai", seguida de outra epítome do metal, "Evil Papagali", e de "Metal Milk Shake", quando DETONATOR, o mais carismático dos frontmen incentiva que todos aprendam a falar inglês corretamente. E tem até Michael Jackson no palco. "Ele já morreu, mas ele está aqui no SANA".

"É uma grande honra para vocês poder assistir o primeiro show do retorno do MASSACRATION", conta o humilde vocalista antes de apresentar os novos integrantes: El Muro (no baixo) e El Perro Loco (na bateria), ambos mascarados como luchadores mexicanos. DETONATOR ainda disse que tinham vindo do México, expulsos por Donald Trump, mas há quem diga que o mascarado das baquetas também costuma usar uma máscara de polvo (Aquiles Priester, um dos mais conceituados bateristas brasileiros). Completam a banda Metal Avenger (Marco Antônio Alves - o Hermes, entre outros personagens do programa de TV Hermes & Renato, que deu origem à banda) na guitarra solo, que, nas palavras de DETONATOR e para ódio de todos os baixistas, "era baixista e subiu de posição", além de Red Head Hammet (Franco Fanti) que nem estava no palco ainda. DETONATOR não deixou de lembrar de Blondie Hammet (Fausto Fanti) falecido em 2014. "Ele está nos assistindo junto ao Deus Metal". A homenagem a Fausto foi recebida com muitas palmas. "Este show é em homenagem a ele", declarou DETONATOR.

O show continua com "The Mummy", que consegue juntar um bom solo mas manter a sátira e galhofa incluindo, por exemplo, o "tumbalakatumbatumbatá", do programa do palhaço Bozo. A canção teve participação de Egípcio, da banda TIHUANA. E só aí apareceu o outro guitarrista, Red Head Hammet. Falaremos mais sobre ele daqui a pouco. Como um quinteto a banda toca "Cereal Metal" (Vocês se alimentaram corretamente hoje? Festival de Anime é sempre assim) e "Metal Glu Glu". Sobre esta última, ao falar de Sérgio Malandro, vimos DETONATOR fazer algo que ele normalmente não faz. "Ele fez muito sucesso nos anos 80 e nós somos fãs dele" Estranho porque normalmente os outros é que são fãs do MASSACRATION (ou não falam na banda por medo de processo) - leia minha entrevista com o vocalista no link abaixo.

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Obviamente todo o público sabe que tudo não passa de uma grande brincadeira. Os personagens elevam as características até comuns no estereótipo metaleiro à enésima potência. Mas tudo vem embalado em um som de primeira, com vocais que abusam dos falsetes mas sem desafinar, com solos de baixo (como "Cereal Metal") e melodias que bem que poderiam fazer parte de belas canções sérias, além de boas rodas em meio ao público. "The Bull" é um exemplo. Se a canção tivesse sido feita com outro destino em mente poderia ser um grande sucesso sério. Mas do MASSACRATION o que se pode esperar é, no mínimo, uma canção cômica falando do chifre que o personagem teria levado.

É aí que o público entra de vez na brincadeira e também protagoniza o show. Os gritos de "Nyvi gostosa" (endereçados a Nyvi Stephan, namorada de Bruno Sutter, um carinha que trabalha para o DETONATOR) ecoam pelo Centro de Eventos. O vocalista responde com uma maldição: "todo mundo que bater punheta pra Nyvy vai ter uma cárie e o dente vai cair". Não sei se ele foi espirituoso ou se teve um bom timing para fazer a piada, mas a próxima canção foi "Metal Dental Destruction". E o dentista? É o próprio cramunhão em pessoa.

"Fortaleza é a capital mundial do Heavy Metal, vamos levantar as mãos para a oração do Deus Metal", conclama DETONATOR antes de uma oração ao seu "pai" e de fazer todo mundo pular ao som do baixo de El Muro em "Let's Ride To Metal Land", que teve até "Roberto Carlos" entrando na hora do solo para jogar flores e "Metamorfose Ambulante", de RAUL SEIXAS, mas no estilo "metal" da MASSACRATION, atnedendo a um pedido de "Toca Raul". E não poderia faltar a nova canção (a única divulgada até agora), ainda acapella com o público, "Metal Milf", com trechos de "Panela Velha", de Sérgio Reis. Foi a primeira vez que a canção foi tocada para uma grande plateia.

Depois da canção, DETONATOR queixa-se com o público que Red Hammet, irmão de Blondie Hammet, aparece quando quer, fica sem tocar e faz isso porque detém os direitos sobre o nome da banda, o que fez com que o público vaiasse o músico de cabelo vermelho. Ele, por sua vez, ameaçou acabar com a banda de novo. O público não se calou. "Ú, vai morrer", ameaçou.

Não precisa dizer de novo que tudo é uma grande brincadeira, uma grande festa que continuou com "Massacration", a canção e "Metal Massacre Attack (Aruê Aruô)" e alguns gritos de "lindo / tesão / bonito e gostosão" direcionados a DETONATOR. O público ainda pedia "Metal Bucetation", ao que o guitarrista respondeu: "hoje não pode". E, de certa forma ele tinha razão, afinal, pelo show ser em um evento para públicos de todas as idades, não era mesmo muito apropriada a a inclusão da canção no set. No entanto, todos da banda fazem o símbolo da canção (uma espécie de junção entre os chifrinhos de Gene Simmons, ops, de Dio e um gesto obsceno que tenta reproduzir o órgão sexual feminino), anunciando que ela seria mesmo a próxima. "Mostrem esse símbolo para a sua mãe, mostrem esse símbolo para o seu pai, mostrem esse símbolo para todos os seus amigos e familiares", comanda DETONATOR. Durante a canção a roda até se multiplica, e teve Wall of Death espontâneo. Os seguranças, que provavelmente nunca viram isso, ficaram loucos, sem saber o que fazer. Mas tudo estava em paz, era apenas mais uma das manifestações do Heavy Metal, seja galhofa ou não. Ao fim da canção (e do show), Red baixa as calças e mostra, ah, vá num show e veja o que ele mostrou.

Bem, sem querer ser politicamente correto demais, mas falando com voz de pai de um menino de sete anos, esta última brincadeira foi desnecessária. O quinteto poderia realmente abster-se de fazê-la em festivais como o SANA, que tem em seu público um enorme número de crianças, muitas delas menores de dez anos. Para ambientes mais fechados, com controle etário, tudo bem, mas este não era o caso. Você pode retrucar - "mas não era esperado?". Não, não era. Mesmo com aquela letra, não havia nada que indicasse que o final seria assim tão, digamos, gráfico. Ok, recado dado, vamos em frente.

DETONATOR despede-se declarando que "Fortaleza é um dos baluartes do Heavy Metal brasileiro". Podia ser mais uma piada, podia ser coisa de frontman se despedindo, mas, sim, é verdade. Sabemos disso.

No domingo, o SANA trouxe mais conteúdo para os apaixonados por cultura pop, nerd, geek, chame como quiser. E ainda contou com mais uma banda de rock no domingo, a japonesa ASIAN KUNG FU GENERATION, que fechou o festival com sucessos próprios, como "Kouya wo Aruke", seu mais novo single, e "Blue Train", mas principalmente com canções bastante conhecidas pelos fãs de Anime, como "Haruka Kanata", da trilha sonora de Naruto, e "Rewrite", de Fullmetal Alchimist.

Setlist MASSACRATION

1. Metal Is the Law
2. Evil Papagali
3. Metal Milkshake
4. The Mummy
5. Cereal Metal
6. Metal Glu-Glu
7. The Bull
8. Metal Dental Destruction
9. Let's Ride to the Metal Land (The Passage Is R$1,00)
10. Metal Milf
11. Massacration
12. Metal Massacre Attack (Aruê Aruô)
13. Metal Bucetation

Setlist ASIAN KUNG FU GENERATION

1. Kouya wo Aruke
2. Blue Train
3. Rewrite
4. Re:Re:
5. 1.2.3.4.5.6. Baby
6. Omatsuri no Ato
7. Solanin
8. After Dark
9. N.G.S.
10. Inamuragasaki Jane
11. Kakato de Ai wo Uchinarase
12. Wonder Future
13. Ima wo Ikite
14. Blood Circulator
15. Solanin
16. Haruka Kanata
17. Standard
18. Korogaru Iwa, Kimi ni Asa ga Furu

Agradecimentos:
A produção do festival, especialmente a Thamyres Heros, pela atenção e credenciamento.
A Rubens Rodrigues, pelas imagens que ilustram esta matéria.

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Sobre Leonardo Daniel Tavares da Silva

Daniel Tavares nasceu quando as melhores bandas estavam sobre a Terra (os anos 70), não sabe tocar nenhum instrumento (com exceção de batucar os dedos na mesa do computador ou os pés no chão) e nem sabe que a próxima nota depois do Dó é o Ré, mas é consumidor voraz de música desde quando o cão era menino. Quando adolescente, voltava a pé da escola, economizando o dinheiro para comprar fitas e gravar nelas os seus discos favoritos de metal. Aprendeu a falar inglês pra saber o que o Axl Rose dizia quando sua banda era boa. Gosta de falar dos discos que escuta e procura em seus textos apoiar a cena musical de Fortaleza, cidade onde mora. É apaixonado pela Sílvia Amora (com quem casou após levar fora dela por 13 anos) e pai do João Daniel, de 1 ano (que gosta de dormir ouvindo Iron Maiden).

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