Offspring: Golpe de mestre com Dead Kennedys e Anti Flag em SP

Resenha - Offspring, Dead Kennedys (Espaço das Américas, São Paulo, 01/09/2016)

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Por Durr Campos
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Texto: Durr Campos e Fernando Yokota
Fotos: Fernando Yokota

Setembro será, provavelmente, o mês com mais eventos internacionais de impacto se levarmos em conta o gosto de boa parte dos leitores de Whiplash.Net. Também pode vir a ser o mais turbulento, tendo em vista os recentes acontecimentos na capital federal. Pensando bem, o 'cast' das atrações do Rock Station não poderia ter sido mais apropriado. As gringas já conhecem nosso solo, possuem experiência com suas plateias e são bem informadas. Conseguiram à sua maneira, cada, fazer deste, um momento importante para São Paulo. Estivemos no Espaço das Américas e conferimos aquilo tudo de perto. Acompanhe.

Dona Cislene

Para um público ainda diminuto, os brasilienses do Dona Cislene tiveram a dura missão de dar início aos trabalhos numa noite de lendas do punk rock e não se intimidaram. O nome vem da antiga vizinha do local de ensaio da banda, conhecida por ter incentivado os rapazes no duro caminho de tentar a sorte em composições próprias. Conseguiram manter a atenção do público em pouco mais de meia hora. Eles estavam por ali também para promover o single 'Multipersona'. Confira na sua plataforma digital favorita. Bem legal.

Anti Flag

O extrato da desobediência civil. Direto de Pittsburgo, Pensilvânia, a facção formada por Justin Sane (vocais e guitarra), Chris#2 (ou Chris Barker, baixo, vocais), Chris Head (guitarras) e Pat Thetic (bateria) queria aplicar seu discurso humanista e muitos acordes dos bons. Os caras são ainda famosos por temas antiguerra, anti-imperialista e antiviolência, focando o trabalhador do dia a dia como protagonista de uma melhora social. Uma de suas principais canções, 'Fuck Police Brutality', pode ser tocada por décadas (infelizmente, talvez, por séculos) e continuará a ser relevante. Se não conhece, leia a letra, o quarteto é ligado nas coisas. Showzaço! Houve quem dissesse ter sido o mais interessante da noite. O repertório trouxe coringas: 'The Press Corpse', 'Turncoat', 'This Is the End (For You My Friend)', o cover lindo do Clash para 'Should I Stay or Should I Go' e o hino 'Power to the Peaceful' foram alguns deles. Menção ao adesivo na guitarra de Sane, contendo a máxima 'sem deuses, sem mestres'. Tem foto disto em algum lugar por aqui, confira.

Dead Kennedys

Sim, Jello Biafra não veio. Sim, Ron "Skip" Greer é um vocalista talentoso e com presença de palco acumulada pelo trampo desde 2008 ao lado de East Bay Ray (guitarra), Klaus Flouride (baixo) e o fenomenal baterista D.H. Peligro, MAS ele não conseguiu manter a massa nas mãos. Quer dizer, os fãs irão discordas ali nos comentários, mas a constatação versa acerca da geral. Vamos trocar em miúdos: Foi bem chatinha a apresentação da lenda de São Francisco, Califórnia. Justiça seja feita aos problemas enfrentados com o som no início, algo que 'matou' o impacto de sua entrada em cena, mas havia algo ali faltando. Vontade? Gana? Tesão? Olha, pode ser tudo isso ou nada disso, mas que poderia ter sido melhor, poderia não é? Ron contava umas piadas das quais ria praticamente sozinho, enquanto East lutava para acertar o volume de sua guitarra no retorno de palco. Ele parecia mesmo irritado em alguns pontos do concerto. Sorte haver no meio daquilo itens como 'Insight', 'Police Truck', 'Jock-O-Rama', 'Kill The Poor', a obrigatória e necessária 'Nazi Punks Fuck Off' (nota: Peligro mencionou o crescimento de atitudes rascistas nos EUA e pareceu sacar o mesmo no Brasil) e a onipresente 'California Über Alles', ponto alto da performance. Respeito sempre ao DK, mas tomara que voltem em uma noite mais, digamos, motivada.

The Offspring

Pouco depois das vinte para meia-noite, a atração principal tomou o local e colocou em fogo alto a sauna na qual o Espaço das Américas há muito se tornara. O tenso equilíbrio entre a manutenção da energia e a consistência do set é uma arte que o Offpsring domina com excelência. A arma não tão secreta assim de Dexter Holland, Noodles, Greg K. e seus associados gira em torno das composições, obras da fina alfaiataria de 'singalong' que a discografia da banda constitui.

As filas dos banheiros, homéricas durante toda a noite, foram milagrosamente transformadas em rodas por toda parte da casa. O chão, àquela altura molhado por toda sorte de bebidas e fluidos corporais, e o ar quente que circulava se misturavam à empolgação dos fãs, que não deram trégua ao silêncio por um segundo. Holland, com a voz em dia, dá o tom à cantoria coletiva e prova que se os Beatles foram um dia os reis do iê iê iê, a realeza do ôôô comprovadamente tem origem no sul da Califórnia.

Dos fãs mais casuais, resultantes da explosão de "Americana" (1998) - em 'Why Don't You Get a Job' ou 'Pretty Fly (For a Nice Guy)' - aos adeptos mais devotos ('Bad Habit' estava lá, oras!), cada um dos temas executados teve a efusiva e merecida recepão da abarrotada pista. Mesmo o recente single, 'Coming For You', conseguiu escapar da "maldição da música nova", não dando a mínima chance de tornar-se naquele momento em que metade do público aproveita para correr até o bar.

O clímax, no entanto, ficou para a seminal 'The Kids Aren't Alright': Olhos marejados acompanhando gargantas roucas e punhos em riste eram percebidos em abundância. Com muita competência e a aceitação de diversos perfis, o The Offspring provou mais uma vez ao vivo que transcendeu o perímetro de um gênero musical no qual supostamente estaria delimitado para virar parte da cultura pop.

Setlist The Offspring

You're Gonna Go Far, Kid
The Noose
Come Out and Play
All I Want
Coming for You
Original Prankster
What Happened to You
Staring at the Sun
The Meaning of Life
Bad Habit
Hit That
Kristy, Are You Doing Okay?
Why Don't You Get a Job?
Want You Bad
(Can't Get My) Head Around You
Pretty Fly (For a White Guy)
The Kids Aren't Alright
Americana
Self Esteem

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Sobre Durr Campos

Graduado em Jornalismo, o autor já atuou em diversos segmentos de sua área, mas a paixão pela música que tanto ama sempre falou mais alto e lá foi ele se aventurar pela Europa, onde reside atualmente e possui família. Lendo seus diversos artigos, reviews e traduções publicados aqui no site, pode-se ter uma ideia do leque de estilos que fazem sua cabeça. Como costuma dizer, não vê problema algum em colocar para tocar Napalm Death, seguido de algo do New Order ou Depeche Mode, daí viajar com Deep Purple, bailar com Journey, dar um tapa na Bay Area e finalizar o dia com alguma coisa do ABBA ou Impetigo.

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