Masterplan: Resenha e fotos do show no Uruguai

Resenha - Masterplan (Bluzz Live Montevideo, Uruguai, 20/10/2015)

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Por Guilherme Dias
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O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.

O que contarei aqui será mais um relato do que propriamente uma resenha de show. Tudo começou quando surgiram rumores sobre o cancelamento do show do Masterplan em Porto Alegre. Dessa vez não seria apenas mais um show para trabalhar, seria muito mais do que isso, seria a oportunidade de ver uma das minhas bandas favoritas ao vivo, depois de ter perdido o show que aconteceu aqui em Porto Alegre no ano de 2003, devido às circunstâncias da vida.

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Fotos do show: Martin Pereira (Cooltivarte, 2015)
Fotos “meet and greet” em Porto Alegre: Diogo Nunes

Quando apareceram os rumores no evento oficial do show no facebook eu comecei a me preocupar. Procurei saber de onde vinham as informações. Realizei contato com um funcionário do El Toro pub (local onde ocorreria o show) que me disse não saber o motivo de a produtora não ter anunciado o cancelamento do show até aquele momento, mas que ocorreria um “meet and greet” no mesmo bar e no mesmo horário que ocorreria o show. Ainda inconformado, realizei contato com Rick Altzi (vocalista do Masterplan) via facebook, que me informou não saber da situação do show, mas que sabia que voaria para Porto Alegre e pediu para eu realizar o contato com o seu empresário da IDL Entertainment. O contato da IDL confirmou o cancelamento do show e o “meet and greet” no lugar do mesmo.

O primeiro momento foi terrível. Tantos shows acontecendo durante o ano, todos com muito sucesso e logo o de uma das minhas bandas favoritas, o que eu mais estava esperando é cancelado? Então comecei a pesquisar passagens de ônibus e avião para Rio, São Paulo, Montevideo, Buenos Aires e todos os outros locais que a banda tocaria na América Latina. Tudo muito caro, sem condições de eu realizar essa viagem de última hora. Eis que em contato com pessoas próximas com a mesma vontade de assistir a um show do Masterplan ao vivo, resolvemos que iríamos de carro para o Uruguai. Viagem longa, necessidade de conseguir liberação do trabalho, porém a forma mais viável e barata para realizarmos um de nossos sonhos. O que era uma frustração passou a se tornar algo inacreditável e único em nossas vidas.

Em conversa com o empresário da banda ele me perguntou o que eu achava da ideia de um meet and greet em Porto Alegre, afinal eles estavam com as passagens compradas. A produtora não realizou procedimentos básicos como pagar hospedagem, alimentação e transporte para a banda, ignorando os contatos de negociação inclusive. A banda e a casa de shows foram as trouxas da história. Mesmo sem essa garantia, o Masterplan mostrou vontade de tocar na cidade, realizando contato com outras produtoras locais para apenas disponibilizarem os equipamentos para a banda tocar, mesmo sem cachê. Mas infelizmente isso não foi possível devido ao curto período de tempo.

O meet and greet aconteceu. Os ingressos já adquiridos anteriormente não tinham mais valor, visto que o novo evento não possuía nenhuma relação com a produtora que faria o show da banda (ao menos a produtora devolveu o dinheiro de quem havia feito a compra dos ingressos). O ingresso seria um valor destinado diretamente para a banda, para que pudessem se manter na cidade. O ingresso incluiu o novo DVD ao vivo e uma camiseta de turnê do grupo. O público pagou pelos itens e teve o meet and greet como presente praticamente. O evento funcionou como uma festa de lançamento do novo DVD ao vivo da banda chamado “Keep Your Dream ALive”. Poucas pessoas estavam presentes no El Toro Pub, o que não foi problema algum para a banda que tomava cerveja, jantava, assistia o DVD pela primeira vez e conversava com os fãs. Quem estava lá com certeza era para ver o mestre Roland Grapow, porém sem a sua poderosa guitarra nas mãos. Para muitos o melhor guitarrista que já passou pela maior banda de power metal do mundo, o Helloween. Roland conversou com muita tranquilidade, passou informações sobre o cancelamento do show, como estava a turnê, histórias do passado e futuros projetos, assinou todos os encartes que os fãs levaram e disse do fundo do coração que a vontade era estar em cima do palco, mas que infelizmente não foi possível. O vocalista Rick Altzi também foi muito comunicativo e conversou bastante com o pessoal.





Contamos para a banda que iríamos para Montevideo, pois gostaríamos muito de vê-los ao vivo. Para o show do Uruguai havia uma competição para quem enviasse um vídeo tocando a música “Back For My Life”. O vencedor simplesmente subiria no palco para tocar com a banda. Eu não sou profissional, mas me viro na bateria, então enviei um vídeo para a promoção. Contei isso para eles, que acharam legal e praticamente me deram certeza que eu participaria do show em Montevideo.

Passados alguns dias eu não fui anunciado como vencedor da promoção, mas nada mudou a vontade de ver o show. Botamos os pés da estrada e depois de algumas horas chegamos ao destino. Antes de entrarmos no Bluzz Live (casa de shows de Montevideo) conversei com o produtor Gabriel Brikman (da Pentagram Uy, produtora local), e ao dizer que era de Porto Alegre ele se surpreendeu e disse que não me anunciou como vencedor da competição porque achava que eu não iria para o show, por morar muito longe. O produtor ficou tão surpreso que nos deu os ingressos e disse que faria de tudo para eu subir no palco com a banda, pois sabe da dificuldade de encarar uma viagem para ver um show.

Entramos no Bluzz Live e a cerveja Pilsen estava ótima, assim como as bandas de abertura “Crystal Gates” (Uruguay) e “Over My Grave” (Argentina). Finalmente havia chegado a hora. Durante a intro “Per Aspera Ad Astra” (Novum Initium, 2013), Roland Grapow (guitarra), Rick Altzi (vocais), Jari Kainulainen (baixo, ex-Stratovarius), Axel Mackenrott (teclados) e Kevin Kott (bateria, At Vance, substituto de Martin Skaroupka que está ocupado com sua outra banda, o Cradle of Filth), subiram no palco para o grande show.

A primeira do set foi “Enlighten Me”, seguida de “Spirit Never Die”, faixas que abrem o primeiro álbum da banda e que possuem uma ótima energia ao vivo. Estávamos na grade e logo fomos reconhecidos pelo grupo, que mostrou satisfação em nos ver presentes no Uruguai, provavelmente não acreditaram que pegaríamos a estrada para ver o show deles.


Para a turnê latino-americana três músicas que não eram tocadas há muito tempo foram acrescentadas no set. Por coincidência elas são minhas músicas favoritas. “Wounds” e ”I’m Not Afraid”, ambas do disco Aeronautics (2005), tiveram uma ótima recepção do público.
Fora de alguns shows, “Betrayal” e “Black Night of Magic” estiveram presentes no show do Uruguai, representando o último trabalho da banda.


Até que estava chegando um dos momentos mais esperados por mim, em “Back For My Life” Rick Altzi apontou para mim para que eu subisse ao palco, junto com o outro ganhador da competição, o guitarrista uruguaio Fede Galo. Aí não posso falar muita coisa, aconteceu o que eu jamais havia sonhado na vida, dividir o palco com uma das minhas bandas favoritas e com um dos meus maiores ídolos na música, o mestre Roland Grapow. A sensação foi indescritível, afinal todo o nervosismo já havia passado, então logo que me posicionei na bateria tentei manter muita calma para não errar. Fiz o feijão com arroz e consegui acompanhar a banda. Aconteceu que Rick se confundiu muito na letra, não apenas de Back For My Life, como em diversas outras músicas também. Rick ainda prometeu que da próxima vez eu subirei no palco novamente, então só me resta aguardar!


Voltando à realidade (pois se não fossem os vídeos eu não acreditaria no que havia acontecido), eu voltei para a grade para acompanhar “Time to be King” e uma das músicas mais motivadoras do show, “Keep Your Dream Alive”. Aliás, o próprio Grapow disse que todos na banda são pessoas muito positivas, e que tentam passar isso nas músicas sempre que possível. Eu me encontro em um momento suspeito para dizer que todos devem acreditar nos seus sonhos, afinal um dos meus recém foi realizado.


Depois disso tudo mais um sonho, assistir a minha música favorita do Helloween ao vivo. Nessa turnê o Masterplan voltou a tocar “The Chance”, do meu disco favorito “Pink Bubbles Go Ape”. A voz de Rick é muito diferente da de Michael Kiske, porém isso não foi problema, a versão ficou maravilhosa e Grapow matou a pau na sua guitarra. Em seguida “Heroes”, que na versão de estúdio possui a participação de Michael Kiske, ao vivo quem faz as vozes de Kiske é Roland Grapow que canta muito bem também.

No bis mais duas do primeiro álbum da banda. “Kind Hearted Light” e “Crawling From Hell” em uma versão estendida, contando com a apresentação de todos os músicos realizando solos individuais.

O clima da banda no palco é ótimo, muitas brincadeiras e interações com o público o tempo inteiro são um destaque. A qualidade técnica também é impressionante. O público em Montevideo foi pequeno, um pouco mais de 100 pessoas estiveram no aconchegante Bluzz Live. Em compensação, as 100 pessoas fizeram um barulho incrível, parecendo que eram mais de mil. Não é difícil ir a um show com 5 mil pessoas onde só 100 pessoas participam do show. O público do Masterplan pode ser pequeno, mas está de parabéns.

A fase do Masterplan não é das melhores por essas terras, visto que o público dos shows tem sido baixo e o show de Porto Alegre foi cancelado muito pela baixa procura de ingressos (que na verdade foi uma má divulgação do evento, por parte da produtora responsável). Em contrapartida na Europa o novo DVD é sucesso absoluto nas paradas de alguns países. Quem sabe essa nova formação não caia nas graças do público para que a próxima turnê tenha muito sucesso, afinal eles estão dizendo a todo o momento para “manter o seu sonho vivo” e que irão voltar na próxima turnê.

Agradecimentos ao Masterplan pelo fantástico show, pelo amistoso encontro no meet and greet e por confiar em mim e oportunizar que tocasse com a banda, afinal todos sabem que se o baterista erra tudo vira um desastre.

Gostaria de agradecer também a IDL Entertainment pelas informações prestadas sobre os eventos, a Pentagram UY, por ter apoiado os mochileiros do sul, provando que a música vai além das fronteiras e a você, leitor que me acompanhou até aqui.

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Sobre Guilherme Dias

Sou Guilherme Figueiró Dias, de Porto Alegre, estudante de educação física, tenho 23 anos e sou fanático por música e futebol, especialmente hard rock e heavy metal. Preferências entre Helloween, Gamma Ray, Pink Cream 69, Bon Jovi, Hellacopters, Michael Kiske, entre outros. O que gosto realmente de fazer (além de torcer, cantar e pular pelo Grêmio na Geral) é curtir um bom show das bandas que eu adoro e tomar umas cervejas pra celebrar a vida.¨

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