Nightwish: Proporcionando um belíssimo show em Porto Alegre
Resenha - Nightwish (Opinião, Porto Alegre, 09/10/2012)
Por Paulo Finatto Jr.
Postado em 11 de dezembro de 2012
Os cinco anos que separaram o último show do NIGHTWISH na capital gaúcha da sua mais recente performance foram estimados ao máximo. A ansiedade do público era evidente para conferir mais uma vez o expoente do metal sinfônico finlandês ao vivo. Com uma nova vocalista de renome internacional, a holandesa Floor Jansen (ex-AFTER FOREVER), a banda veio ao Brasil longe das incertezas da época de Anette Olzon e sem medo de arriscar em sua nova fase. Em um show extenso e muito pesado, Tuomas Holopainen & Cia. evidenciaram os recentes hits do conjunto e colocaram o Opinião literalmente para ferver. O encerramento da temporada de shows internacionais em Porto Alegre foi de mais alto nível.
Fotos por: Liny Oliveira (http://www.facebook.com/photoslinyrocks); veja a galeria completa no link abaixo:
O calor insuportável de dezembro não foi capaz de reduzir a enorme fila que era formada – desde o início da tarde – do lado de fora do Opinião. O kit salva-vidas constituído por guarda-sol e água mineral foi fundamental para que nenhum fanático desistisse de um local privilegiado em frente ao palco horas depois. Com a abertura da casa no início da noite, cerca de mil pessoas já estavam no local para assistir o show de abertura, proporcionado pela banda SAVE OUR SOULS. Com um metal sinfônico forte e de muitas quebradas na bateria, os caras mostraram um pouco do seu trabalho próprio em quarenta minutos de show. Os destaques ficaram por conta das faixas "Inside" e "Find the Way". Em 2013, a SAVE OUR SOULS entrará em estúdio para finalmente registrar o seu primeiro álbum. O que nos resta é esperar.

Com cerca de trinta minutos de atraso, Floor Jansen (vocal), Emppu Vuorinen (guitarra), Marco Hietala (vocal e baixo), Tuomas Holopainen (teclado) e Jukka Nevalainen (bateria) entraram em cena para realizar o primeiro show da Imaginaerum World Tour no Brasil. O palco da banda – que não possuía nenhum apetrecho high-tech dos tempos de "End of an Era" (2006) – dava o indício de que o show seria direto e com poucas frescuras. O público já estava em delírio coletivo durante a introdutória e orquestral "Crimson Tide". O calor da plateia só aumentou com dobradinha "Storytime" e "Dark Chest of Wonders". A receptividade da plateia era tanta que Empu Vourinen e Tuomas Marco Hietala deixavam evidentes em seus rostos a surpresa. A performance impecável de "Wish I Had an Angel" apenas confirmou a relevância do NIGHTWISH para o dream team mundial. O show era perfeito e Floor Jansen assumia com naturalidade e competência o posto abandonado por Anette Olzon meses atrás.

Embora se comunicando pouco com a plateia, Marco Hietala e Floor Jansen esbanjavam carisma e sorrisos para todos os quatro cantos do Opinião. O calor quase que extremo dentro do local parecia não interferir em nada o andamento do espetáculo. Em "Amaranth", por exemplo, Floor Jansen deixou o público cantar sozinho as duas primeiras estrofes da música, em um momento de enorme destaque para o show. Entretanto, apenas uma falha vem contornando os espetáculos do NIGHTWISH na sua mais recente turnê: a preferência massiva por músicas de "Imaginaerum" (2012) e "Once" (2004). Embora "Scaretale" seja uma ótima faixa, a ausência de hits dos discos "Wishmaster" (1997) e "Century Child" (2002) deixaram a nítida impressão que o repertório dos finlandeses poderia contemplar melhor toda a sua carreira. Porém, nada que tenha comprometido o resultado final da noite. As músicas "I Want My Tears Back" e "The Crow, the Owl and the Dove" trouxeram o músico convidado Troy Donockley na gaita de fole e mantiveram o mesmo pique enérgico do seu início.
Com toques da música folk e celta, o show intercalou o hit "Nemo" – extremamente ovacionado pelos presentes – com a instrumental "Last of the Wilds". No entanto, foi "Wishmaster" – executada na sequência – que delimitou outro momento à parte do show. A competência de Floor Jansen ao interpretar um dos hinos forjados com a voz de TARJA TURUNEN simplesmente a credenciaram para continuar no NIGHTWISH no futuro. Embora a possibilidade não seja comentada publicamente por Tuomas Holopainen, é impressionante como a cantora holandesa se encaixou como uma luva na proposta sinfônica do quarteto finlandês. Na sequência, "Ever Dream" e o cover "Over the Hills and Far Away" novamente impressionaram por sua potência a partir da nova vocalista. O show não teve pausa para bis e foi emendado com uma das músicas mais bonitas do NIGHTWISH de todos os tempos: "Ghost Love Score". A noite já estava ganha para boa parte da plateia.

Na reta final, "Song of Myself" e "Last Ride of the Day" bem que poderiam ter sido substituídas por "The Kinslayer" e "Bless the Child" – apena para citar dois exemplos de clássicos imprescindíveis que acabaram ficando de fora do set-list. No entanto, o NIGHTWISH proporcionou um belíssimo show – de aproximadamente 1h45 – para todos que compareceram ao Opinião. As escolhas equivocadas do set-list certamente não irão representar o que ficará marcado na trajetória da banda mais uma vez em Porto Alegre. Os caras realmente colocaram o Opinião abaixo em seu terceiro show por aqui. O fato é indiscutível para os autos da história do metal na capital gaúcha.
Set-list:
01. Storytime
02. Dark Chest of Wonders
03. Wish I Had an Angel
04. Amaranth
05. Scaretale
06. I Want My Tears Back
07. The Crow, The Owl and the Dove
08. Nemo
09. Last of the Wilds
10. Wishmaster
11. Ever Dream
12. Over the Hills and Far Away
13. Ghost Love Score
14. Song of Myself
15. Last Ride of the Day

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