Scorpions: apesar dos problemas, um show insano em BH

Resenha - Scorpions (Chevrolet Hall, Belo Horizonte, 11/09/2012)

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Por Luiz Figueiredo
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Na segunda tentativa, aconteceu o show do Scorpions em Belo Horizonte. Durante a terça-feira, dia 11, pairava na mente dos rockeiros de BH a dúvida se desta vez rolaria mesmo o show dos Scorpions. Esta dúvida ainda persistia até por volta das 19h, quando o acesso às dependências do Chevrolet Hall foi aberto e o público pôde ver a estrutura do palco montada. Para quem não sabe, o show estava marcado para a segunda-feira, dia 10, mas foi adiado para o dia seguinte. O motivo alegado pela produção foi o atraso da chegada dos equipamentos do grupo a Belo Horizonte. O atraso dos instrumentos foi confirmado pelo próprio Klaus Meine durante o show, quando pediu desculpas pelo adiamento e explicou rapidamente a situação.

Durante todo o dia 11, pessoas sem ingresso procuravam nos pontos de venda, sem sucesso, pelos bilhetes que podiam ter sido devolvidos. Estes bilhetes eram a única esperança, pois as vendas estavam encerradas desde o dia anterior. Mas a única forma era comprar com cambistas, infelizmente. A atividade ilegal, mas que é “permitida” nos arredores do Chevrolet Hall em dias de show, era muito facilmente identificada. No caminho da saída do Pátio Savassi até a entrada do Ginásio, ao menos dez pessoas diferentes oferecem ingressos superfaturados. O problema é que os fãs, que não querem perder o show por nada, compram. Ou seja, é um erro coletivo envolvendo quem pratica a venda ilegal, as autoridades que não fiscalizam e os que compram e financiam a prática.

Muitos motivos os fãs tinham para ficarem irritados: a falta de informação prévia sobre a situação do show na segunda-feira, o adiamento, a extorsão dos cambistas na terça... Mas nada disso afetou os ânimos, pelo menos dos que conseguiram ver o show. O Chevrolet Hall estava completamente lotado para receber o ícone do rock alemão. O Scorpions veio, pela última vez, em 2008 à capital mineira. Mas agora há um atrativo maior aos shows da banda, pois pode ser a última passagem. A turnê de Sting In The Tail é conhecida como turnê de despedida e vem pela segunda vez ao Brasil. Esta é a chamada da turnê, mas em palco eles não parecem uma banda se despedindo.

Quase duas horas de apresentação eletrizante do Scorpions. Foi isso, resumidamente, o que os fãs de Belo Horizonte assistiram naquela noite. Com 30 minutos além do horário previsto para o início do show, ao fundo do palco, um imenso telão mostrava imagens de um show antigo da banda, datado de 1983, em um festival norte-americano. Ao final das imagens, o baterista James Kottak já estava em seu posto e acenava para o público enquanto Klaus Meine, Rudolf Schenker, Matthias Jabs e o baxista polonês Pawel apareciam em meio aos grandes efeitos de luzes para começar com a agitada Sting In The Tail para eletrizar os fãs que faziam muito barulho. O repertório para o show foi escolhido de forma que contemplasse toda a carreira dos alemães e, a cada música, o telão mostrava cenas de clipes e capas dos discos. O show foi uma viagem por toda a carreira dos Scorpions.

Após a sexta música da noite, a Loving You Sunday Morning, do disco clássico Love Driver (1979), Klaus Meine pediu desculpas pelo adiamento e, de certa forma, confirmou os boatos de que teria sido hospitalizado no dia anterior em Belo Horizonte. Meine recebeu de uma fã um cartaz que dizia “Klaus, espero que se sinta melhor”. Ler isso fez o cantor abrir um grande sorriso e agradecer muito. Em seguida anunciou outra clássica do Love Driver, Holiday que foi cantada por todos, um momento marcante do show.

O baterista James Kottak foi ovacionado pelo público durante sua performance solo. Ele, que tem tatuagens idênticas à estampa da blusa que usava, brincou com o público antes da música Kottak Attack. Blackout, teve Rudolf usando guitarra com cano de descarga e máscara. Rudolf abusou de trocar de guitarras durante todo o show. As duas que chamaram mais atenção, além da guitarra exótica usada em Blackout, foram as da Mercedes-Benz e da Ferrari, esta última tinha até mesmo entradas de ar, como as que têm nos carros da marca esportiva italiana.

Mas quem atacou com suas seis cordas foi Matthias Jabs no solo Six String Sting. Big City Nights encerrou a primeira parte do show com seu refrão animado e imagens da cidade de Nova Iorque no telão. O visual do palco do Scorpions era maravilhoso e tinha uma extensão ao centro fazendo os músicos ficarem mais próximos do público. Os fãs gritaram pela banda e ela voltou para o bis com Still Loving You, Wind of Change e Rock You Like A Hurricane. Não é necessário falar sobre o clima do Chevrolet Hall quando o show acabou. Os fãs mineiros e de outras partes do Brasil que viram o Scorpions a essa altura estavam em êxtase.

Em um dos dias mais quentes do ano em Belo Horizonte, o Scorpions fez um show insano do início ao fim. Estamos em 2012, o Scorpions tem quase cinquenta anos de estrada, mas seus músicos, quando estão sobre o palco, mostram a pegada do início dos anos 1980. Agora, o que ninguém pode entender é: como esta banda pode acabar? Uma pergunta que não tem resposta lógica. Confira abaixo o setlist da apresentação do Scorpions em Belo Horizonte:

1. Sting In The Tail
2. Make It Real
3. Is There Anybody There?
4. The Zoo
5. Coast To Coast
6. Loving You Sunday Morning
7. Send Me An Angel
8. Holiday
9. Raised On Rock
10. Tease Me Please Me
11. Hit Between The Eyes
12. Kottak Attack
13. Blackout
14. Six String Sting
15. Big City Nights

Encore
16. Still Loving You
17. Wind Of Change
18. Rock You Like A Hurricane

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