Anthrax & Misfits: resenha do show em SP no Minuto HM

Resenha - Anthrax & Misfits (HSBC Brasil, São Paulo, 27/04/2012)

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Por Suellen Carvalho e Eduardo Bianchi Rolim, Fonte: Minuto Heavy Metal
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O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.

Nos últimos 2 anos tivemos a oportunidade de conferir aqui no Brasil 3 das bandas do chamado Big Four: MetallicA, Megadeth e Slayer. Algumas até mais de uma vez, caso do Megadeth - na tour de aniversário do Rust in Peace e no SWU, além de ter sido a única grande banda a se apresentar no Metal Open Air – e do Metallica – em Porto Alegre, nas duas oportunidades em SP e como headliner na noite metal do Rock in Rio 4. Finalmente, após rumores e rumores, na sexta-feira fria e chuvosa de 27 de abril de 2012, o Big Four que faltava se apresentaria em São Paulo: o Anthrax.

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Contando com a participação do Torture Squad e Misfits como bandas de abertura, o show marcado para as 22h00, de acordo com informação no ingresso, fez com que muita gente não assistisse estas bandas uma vez que na hora que entramos no HSBC, pouco antes das 22h00, o Misfits já estava no palco. Lamentável que estes tipos de problemas com horários esteja acontecendo cada vez mais frequentemente em shows por aqui, como aconteceu com Grave Digger/Blind Guardian uma semana antes. Aliás, os fãs com camisas do Misfits “rivalizavam” com os do Anthrax.

Por volta de 22h30, o Misfits encerrou sua apresentação com bastante participação da plateia, com ‘Die, Die My Darling’, popular entre os headbangers devido a regravação feita pelo MetallicA no álbum ‘Garage Inc.’.

Alguns minutos (hm) de intervalo para preparar o palco para a atração principal, os diversos clássicos rolando nos alto-falantes – Iron Maiden, Metallica, Alice in Chains, Black Sabbath – já mostravam que esta não era uma noite qualquer. Não havia espaço ali para “perdidos” e curiosos. Quem estava no HSBC naquela noite era realmente fã de heavy/thrash metal.

Pouco depois das 23h00, as luzes se apagaram e o Anthrax começou a tomar o palco com ‘Worship’, faixa de introdução do excelente último álbum ‘Worship Music’, contando como produção de palco somente um pano no fundo com a capa do disco.

E assim que Charlie Benante desceu a mão em sua bateria nos primeiros segundos de ‘Earth on Hell’, já veio a primeira surpresa da noite: o som ensurdecedoramente alto!!! Mas, pelo menos ali naquele momento, parecia que ninguém da plateia importava-se muito com isso. Pelo contrário! Segundo a assessoria de imprensa do HSBC, o som chegou em alguns momentos a 127 decibéis, equivalente ao volume alcançado por uma turbina de avião. Certamente todos os presentes tiveram algum tipo de dano na audição naquele dia…

A próxima música seria mais uma do último disco e primeiro single a ser divulgado na época do lançamento, ‘Fight’em ’til You Can’t', muito bem recebida por todos, mostrando a ótima aceitação de ‘Worship Music’. Mas seria mesmo na terceira música que as rodas de mosh teriam início e seriam uma constante deste momento até o fim do show. E nada mais apropriado que uma música que celebra o mosh pit como ‘Caught in a Mosh’, levando o público à loucura e cantando em uníssono o empolgante refrão!

Neste momento toda a linha de frente da banda, em especial o guitarrista Rob Caggiano, incitava os fãs, apontando para o centro e fazendo movimentos circulares em referência aos moshes. O vídeo abaixo mostra um pouco desse grande momento:

Com uma breve pausa para recuperar o fôlego, Joey Belladona recebeu uma bandeira do Brasil com o logo da banda, que a partir deste momento passaria a fazer parte do cenário e puxou o primeiro cover da noite ‘Antisocial’, do disco de 1988 State of Euphoria. Essa bandeira, a título de curiosidade, foi dada pelo Gabriel, que esteve presente no encontro que o Minuto HM teve com Rudy Sarzo no Manifesto Bar e também na tentativa de conhecer o Anthrax na noite anterior do show.

A próxima seria mais uma de ‘Worship Music’, ‘I’m Alive’, um diferencial dos sets apresentandos no Rio de Janeiro e em Porto Alegre onde nestes locais foi substituída por ‘The Devil You Know’. E sinceramente não sabemos dizer se foi uma boa troca ou não pois ambas as canções são excelentes. Porém, algo curioso aconteceu. Não sabemos se por conta do alto volume do som, Belladona se atrapalhou ao começar a cantar a música, indo somente se “encontrar” no “pré-refrão”. Ou pode ser também que ele tenha esquecido a letra já que esta é uma música recente e não estava presente nas últimas apresentações do Anthrax.

Aqui o vídeo para vocês nos ajudarem a desvendar o que aconteceu:

A sequência seria com o clássico Indians, talvez o ponto alto em um show em que é até difícil escolher um destaque. No meio da música, no “war dance”, a banda interrompe o solo e Scott Ian, num discurso inflamado, diz que a plateia não está se divertindo como deveria e incita todos os presentes no HSBC a pularem, balançarem as cabeças, erguerem os punhos e fazerem os famosos devil horns com as mãos. Pedido atendido imediatamente e, naquele momento, a pista VIP virou um grande mosh pit onde não existia a opção de não participar da roda.

O som de violinos e sino marcam o início da última música de “Worship Music” que seria tocada naquela noite: a belíssima ‘In the End’ que homenageia os saudosos músicos Ronnie James Dio e Dimebag Darrell. Mais uma do último álbum que teve ótima resposta dos fãs, reforçando a qualidade deste trabalho.

O show seguiria com o empolgante cover de Joe Jackson, ‘Got the Time’ seguido pela porrada ‘Deathrider’ do primeiro disco da banda ‘Fistful of Metal’ e que segundo Scott Ian é a canção que define o thrash metal. E não há como discordar de Scott. Todos os elementos estão ali: as guitarres velozes, a bateria pesada e, neste caso, o elemento que diferencia o Anthrax das demais bandas thrash, o vocal melódico de Belladona. Este, aliás, mostrou estar em grande forma, não se poupando de nenhum agudo. A música onde isto foi realmente provado veio na sequência, ‘Medusa’, que exige bastante dos vocais de Belladona e foi cantada de forma brilhante.

Scott Ian, no centro do palco, com uma luz somente sobre ele criando uma atmosfera mais sombria, toca os primeiros acordes de ‘Among the Living’. Mas é quando a música finalmente engrena que a insanidade toma conta da plateia novamente. Insanidade que continuaria em ‘Be All, End All’, fechando esta primeira parte do show de maneira espetacular.

A banda retorna ao palco com ‘Madhouse’, nome bem apropriado para o que o HSBC tornara-se naquela noite, e ainda nos primeiros riffs, Belladona canta o primeiro verso de ‘The Ripper’ do Judas Priest, para a surpresa de todos. O que veio depois foi mais uma de ‘Fistful of Metal’, ‘Metal Thrashing Mad’, um ótimo nome para uma música thrash, aliás, abrindo uma gigante roda na pista VIP.

O show encaminha-se para o seu fim com ‘I’m the Man’, canção que mistura rap com thrash metal (o Anthrax é uma das pioneiras neste tipo de estilo) com o baixista Frank Bello e Scott Ian nos vocais enquanto Joey Belladona dá uma força a Charlie Benante na bateria. Scott permanece no vocal para mais um cover, desta vez do Sepultura, para o orgulho de nós brasileiros, com “Refuse/Resist”. Uma bela homenagem e demonstração de respeito ao Brasil, ao Sepultura e, em especial, a Andreas Kisser, que por um breve período substituiu Scott em alguns shows do Anthrax e fez até uma tatuagem celebrando a amizade entre as bandas.

E para encerrar em grande estilo, ‘I Am The Law’, canção que fala sobre o personagem dos quadrinhos Judge Dredd e muito celebrada pelos fãs.

A banda encerra jogando baquetas, chuva de palhetas, que tivemos a sorte de pegar uma do Scott Ian (\o/) e encantados com a recepção calorosa da plateia paulistana. Joey Belladona se despediu cantando o refrão de ‘Long Live Rock N’ Roll’ do Rainbow que começou a tocar imediatamente nos alto-falantes.

O show, que durou pouco mais de 1h30, não decepcionou em nenhum momento. O Anthrax encontra-se em ótima forma e esse entrosamento é nítido no palco. Scott Ian, com seu carisma e guitarra base poderosa é a identidade da banda, sempre interagindo de forma muito calorosa com os fãs. Charlie Benante mostrou que está no time dos melhores bateristas de metal da atualidade, não deixando nada a dever a Dave Lombardo, sempre uma referência neste estilo. O baixista Frank Bello, sobrinho de Benante e que começou como roadie do Anthrax, tem uma das performances mais empolgantes e insanas já vistas num palco. Rob Caggiano, um pouco mais “discreto” que Frank, além de sua precisão com a guitarra, exerceu um papel muito importante nesta volta do Anthrax ao co-produzir o aclamado ‘Worship Music’. E Belladona está cantando como nunca, não fugindo de nenhuma parte mais complexa das músicas que exijam mais de suas cordas vocais.

Entre os 4 grandes do thrash, após ter conferido todas as bandas ao vivo, fica muito difícil e é até arriscado dizer qual a melhor mas nesta noite o Anthrax provou que está em pé de igualdade com qualquer uma delas. A sensação entre todos que deixavam o HSBC Brasil naquela noite, mesmo com os ouvidos abafados pelo alto volume do som, a rouquidão e o pescoço moído de tanto bangear, era de alma lavada e a certeza de ter curtido um dos shows mais divertidos do thrash metal mundial.

Acesso o Minuto HM para ver mais vídeos deste show, os setlists de ambas bandas e itens exclusivos: tweets dos integrantes a respeito do show de São Paulo, fotos - inclusive do encarte de ‘Worship Music’ autografado - os ingressos números 1 e 3 e a palheta de Scott Ian.

http://minutohm.com/2012/05/01/cobertura-minuto-hm-anthrax-m...

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