Cannibal Corpse: como foi a apresentação em São Paulo

Resenha - Cannibal Corpse (Carioca Club, São Paulo, 03/12/2011)

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Por Durr Campos
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Uma das maiores reclamações que percebo durante as coberturas de shows que realizo diz respeito ao elevado número de eventos trazendo sempre – ou na maioria das vezes – apenas um único nome internacional, o que, segundo os pagantes, acaba forçando-os a realizar uma seleção criteriosa (para não dizer ingrata) sobre em quais irem e os que ficarão de fora devido o orçamento apertado. Por conta disso é louvável quando surgem bandas dispostas a realizar turnês conjuntas, a exemplo da pareceria entre The Black Dahlia Murder, Suicide Silence e Cannibal Corpse, três dos maiores nomes do metal extremo norte-americano da atualidade. O resultado não poderia ser outro a não ser casa cheia e sorrisos nos quatro cantos do Carioca Club, local responsável por abrigar este que foi um dos melhores acontecimentos de 2011 na capital paulista. Acompanhe conosco os detalhes.

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Texto: Durr Campos/ Fotos: Pierre Cortes

As portas da casa abriram cedo, às 16h e, cerca de meia hora depois, já tínhamos os brasileiros do HUTT detonando um repertório nervoso e cheio de personalidade. O quarteto paulistano executa um grindcore/crust bastante peculiar que, por vezes, nos remete ao Brutal Truth e ao grandioso Disrupt, para ficarmos apenas nestes dois exemplos. Dentre pancadarias velocíssimas e extremo bom humor emanado principalmente pela postura do vocalista Marcelo “Capiau”, tocaram um dos seus grandes hinos, “Smells Like Teen Shit”, levantando o pouco público que chegara mais cedo para conferir o som dos caras. Menção honrosa ao exímio baterista D. Klink com seu kit super reduzido, mas de inigualável funcionalidade.

Os horários divulgados dias antes sobre as entradas e saídas de cada uma das atrações foram seguidos à risca, portanto, pontualmente às 17h30, o THE BLACK DAHLIA MURDER iniciava seu tão aguardado set. Quando me refiro à expectativa vale também lembrar sobre o polêmico episódio envolvendo o guitarrista Brian Eschbach durante a última passagem do grupo por aqui há dois anos. À época muito se falou sobre a duvidosa postura de palco do músico, que chegou a chutar um fã na plateia e foi às vias de fato com o mesmo ao ter sua agressão revidada. Alguns ainda comentaram sobre Brian ficar imitando um macaco no palco em alusão à péssima imagem que alguns gringos possuem dos brasileiros ainda viverem de forma primitiva. Eu não estava naquele show de dezembro de 2009, mas posso assegurar que Eschbach estava um doce de pessoa nesta terceira visita ao país. Foram diversas caras e bocas, pulos e atitudes que demonstraram a imensa alegria em estar ali (nota do redator: Com direito a stage diving durante a apresentação do Cannibal Corpse, acreditem se quiser). Aliás, todos os membros emanavam satisfação, em especial o simpaticíssimo vocalista Trevor Strnad, dono de uma versatilidade vocal impressionante. Algumas das canções tocadas merecem destaque, a exemplos de “A Vulgar Picture”, “Moonlight Equilibrium”, “Malenchantments of the Necrosphere”, “Necropolis”, “Death Mask Divine” e uma das mais festejadas, o hino “Miasma”, do álbum homônimo lançado em 2005.

Em dias “normais”, após 60 minutos de bordoada atrás de porrada, espera-se por algo, digamos, mais ameno. Pois quem pensou assim quebrou a cara ao perceber, já nas primeiras notas, que o SUICIDE SILENCE não estava ali para dar mole. Oriundos do chamado New Wave Of American Metal, este quinteto californiano vem arrebatando multidões por onde passa devido ao seu repertório variado, que vai dos momentos menos histéricos até os mais cadenciados, cheios de variações rítmicas e aquelas chamadas “paradinhas mortais” características dos maiores nomes do thrash metal mundial. Liderada pelo insano vocalista Mitch Lucker, o que vimos foi um set baseado em canções de toda a sua carreira, com ênfase no mais recente registro de estúdio, The Black Crown, lançado em meados deste ano. Você pode estar se perguntando se esta atitude foi a mais acertada já que os fãs costumam querer ouvir as músicas mais antigas. Pois digo que eles deram um tiro certeiro: o público conhecia as novas letras de cor e salteado. Quer exemplos? “Slaves to Substance”, “O.C.D” (durante a qual uma garota ameaçou mostrar os seios a pedido de Mitch, mas desistiu ao observar melhor ao seu redor e perceber o “perigo” que corria) e “Fuck Everything”, um dos grandes momentos da noite. Do aclamado No Time to Bleed (2009) tocaram algumas das mais legais, dentre elas “Wake Up” e “Lifted”, que até roda de capoeira no mosh pit gerou. Enfim, esta banda faz parte da velha categoria “ame ou odeie”, em especial pelo timbre vocal meio, digamos, “danifilthiano” de ser, se entendem o que quero dizer. De todo modo, tiveram a plateia nas mãos o tempo inteiro.

Foi só um tempinho para ir ao banheiro, tomar alguma coisa e trocar uma ideia com os amigos porque, pontualmente às 20h, as cortinas se abriram e lá estava ele, pleno em sua magnitude, o inigualável CANNIBAL CORPSE. Partindo do princípio de que o leitor que chegou até aqui já conheça o grupo, não vou me ater a detalhes sobre sua origem e concentrar-me-ei exclusivamente no que presenciei naquele sábado inesquecível. Por aproximadamente 90 minutos o Carioca Club tornou-se a filial do inferno na Terra. Se não pela perversidade emanada nas letras e riffs de cada hino ali tocado, que seja pelo calor extremo causado pela casa em sua lotação praticamente esgotada (nota do redator: Fica a dica aqui para que os donos do local providenciem um sistema de ar condicionado mais eficiente). O quinteto hoje é formado pelo mítico George “Corpsegrinder” Fischer (vocal), Alex Webster (baixo), Paul Mazurkiewicz (baterista) e a dupla de guitarristas Pat O’Brien e Rob Barrett.

O repertório incluiu 20 ritos gore de primeira categoria, tocados com tamanha propriedade que, mesmo os avessos ao death metal brutal que praticam, renderam-se. Iniciaram a celebração à imundice com “Evisceration Plague”, do disco homônimo de 2009, passaram pelas essenciais “I Cum Blood”, “Sentenced to Burn”, “Fucked With a Knife”, além das sensacionais “Pit of Zombies” (praticamente uma declaração de amor aos mortos-vivos) e “The Wretched Spawn”. Dentre um berro e outro, “Corpsegrinder” elogiava a participação dos fãs e comentava sobre a felicidade em voltarem ao nosso país (nota do redator: Tocaram na capital paulista no dia 21 de fevereiro de 2010, no Santana Hall). A parte final reservou algumas das mais importantes: “Devoured By Vermin”, do Vile (1996), cantada em uníssono, “A Skull Full of Maggots”, do debut – e meu predileto – Eaten Back to Life (1990) e a obrigatória “Hammer Smashed Face”, bastante conhecida também devido à participação do Cannibal na primeira parte do filme Ace Ventura. Em seguida, George diz: “Sempre que eu falo que tocaremos a última estou mentido!”. Sorte a nossa, pois nos brindaram ainda com a fabulosa “Stripped, Raped and Strangled”, do mega ultra clássico álbum The Bleeding (1994).

Set-list Cannibal Corpse

Evisceration Plague
The Time to Kill is Now
Disfigured
Death Walking Terror
I Cum Blood
Sentenced to Burn
Gutted
Fucked With a Knife
Covered With Sores
Born in a Casket
Pit of Zombies
The Wretched Spawn
I Will Kill You
Priests of Sodom
Unleashing the Bloodthirsty
Make Them Suffer
Devoured By Vermin
A Skull Full of Maggots
Hammer Smashed Face
Stripped, Raped and Strangled

Links relacionados:

Hutt
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The Black Dahlia Murder
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Suicide Silence
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Cannibal Corpse
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Sobre Durr Campos

Graduado em Jornalismo, o autor já atuou em diversos segmentos de sua área, mas a paixão pela música que tanto ama sempre falou mais alto e lá foi ele se aventurar pela Europa, onde reside atualmente e possui família. Lendo seus diversos artigos, reviews e traduções publicados aqui no site, pode-se ter uma ideia do leque de estilos que fazem sua cabeça. Como costuma dizer, não vê problema algum em colocar para tocar Napalm Death, seguido de algo do New Order ou Depeche Mode, daí viajar com Deep Purple, bailar com Journey, dar um tapa na Bay Area e finalizar o dia com alguma coisa do ABBA ou Impetigo.

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