Saxon: São Paulo recebeu um dos melhores shows do ano

Resenha - Saxon (HSBC Brasil, São Paulo, 22/10/2011)

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Por Durr Campos
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Enquanto algumas bandas parecem entrar no palco já querendo sair, outras seguem na direção contrária e, às vezes, precisam ser tiradas dele por conta do entusiasmo em tocar frente ao seu público. Com o grupo britânico SAXON é exatamente assim. Quem não se lembra das hilárias histórias envolvendo a banda em festivais, quando tinham o som desligado por ultrapassar o tempo limite? No Brasil nunca foi diferente e, mesmo não precisando ter os instrumentos desplugados em nosso país, sempre realizaram concertos longos e cheios de clássicos irretocáveis. O HSBC Brasil recebeu no último sábado o quinteto e, com todo respeito, creio que a casa levará um tempinho para superar um show bom assim.

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Texto: Durr Campos/ Fotos: Pierre Cortes

São 19 álbuns de estúdio lançados e a tarefa ingrata de montar um repertório que agrade, pelo menos, a maioria. Desta vez escolheram 24 canções de 10 discos. Como bons britânicos, entraram pontualíssimos às 22h mandando “Hammer of the Gods”, uma das seis (!)tocadas do mais recente Call to Arms (2011). As duas seguintes foram até covardia, ou seria possível ficar imune aos hinos “Heavy Metal Thunder” e “Never Surrender”, dos essenciais Strong Arm of the Law (1980) e Denim and Leather (1981), respectivamente? Retornaram discretamente ao novo com as interessantes “Chasing the Bullet” e a balada "Back in ’79" com seu refrão grudento, intercalaram com duas outras das antigas, “Motorcycle Man” e a fenomenal “And the Bands Played On”, para então retomarem ao Call to Arms com minha favorita dele, a belíssima “Mists of Avalon”. Esta música nos remete à fase mais hard rock da banda, felizmente lembrada no set como observaremos mais adiante. Pessoalmente acho muito legal a disposição da letra com as melodias vocais criadas por Byff Byford, quando canta “(…) In the mists of Avalon/ She's waiting there for you/ The Lady of the Lake/ You must be brave and true (…)”.

O Saxon modificou um pouco a disposição das canções com relação às duas apresentações anteriores. Um exemplo disso deve-se à inclusão de “Demon Sweeney Todd”, do Into the Labyrinth (2009), perfeita escolha àquela altura por conta da estrutura old-school com que compuseram boa parte do track-listing daquele registro. Quem se ligou na letra certamente transportou-se a Londres e sentiu o clima sombrio gerado pela narrativa. A ótima faixa-título do derradeiro disco não só manteve a plateia empolgada como conectou-se perfeitamente com “Dallas 1 PM”, uma das favoritas de 10 entre 10 fãs dos ingleses. Impressionante como algo composto há mais 30 anos soa tão moderno!

“Rock ‘n’ Roll Gypsy” talvez tenha sido a grande (e agradabilíssima) surpresa, carregada da já citada atmosfera hard rock com que flertaram em meados da década de 80. Tenho os álbuns Innocence Is No Excuse (1985), Rock the Nations (1986) e Destiny (1988) como alguns dos meus favoritos e, mesmo sabendo que diversos fãs irão discordar, sempre achei uma injustiça não incluírem mais faixas deles nas turnês. Se leram meus pensamentos não sei, mas a sequencia deliciosa com “Rock the Nations” – a música – e “Battle Cry” (emocionante!) certamente me fizeram calar a boca, fechar os olhos e imaginar aqueles concertos em arenas gigantescas tão concorridos nos anos oitenta. Byff inclusive chegou a relembrar a data histórica de 16 de agosto de 1980, quando tocaram ao lado de Scorpions, Rainbow, Riot, Judas Priest, dentre outros, naquele que foi por anos o mais importante festival do mundo: o Monsters of Rock, em Castle Donnington, Inglaterra.

De volta ao novo com a mediana “When Doomsday Comes (Hybrid Theory)”, a partir dali seriam apenas um clássico após o outro, em uma coleção primorosa que trouxe, nesta exata ordem – e intercalada por dois encores – as atemporais “Denim and Leather” e “20,000 Ft.”; as quebra-pescoços “Wheels of Steel”, “Crusader” e “747 (Strangers in the Night)”; além dos hits irremediavelmente inesquecíveis “Power and the Glory”, do homônimo lançado em 1983 e “Ride Like the Wind”, versão melhorada da original pertencente ao compositor norte-americano Christopher Cross.

Como se já não fossem suficientes, após um solo de baixo bacana do impagável Nibbs Carter, ainda nos brindaram com “Strong Arm of the Law” e aquela que para quem vos escreve define a banda se precisarmos escolher apenas uma de suas criações: “Princess of the Night”. Se naquele momento ainda restavam dúvidas de que estávamos ali diante de um dos melhores shows do ano, era hora de ajoelhar e reverenciar um dos mais importantes nomes do que se convencionou denominar NWOBHM. Em tempo, além de Byff e Carter, completam o Saxon o excepcional baterista Nigel Glockler e os guitarristas Paul Quinn e Doug Scarratt.

Set-list do Saxon

1. Hammer of the Gods
2. Heavy Metal Thunder
3. Never Surrender
4. Chasing the Bullet
5. Motorcycle Man
6. Back in '79
7. And the Bands Played On
8. Mists of Avalon
9. Demon Sweeney Todd
10. Call to Arms
11. Dallas 1 PM
12. Rock 'n' Roll Gypsy
13. Rock the Nations
14. Battle Cry
15. When Doomsday Comes (Hybrid Theory)
16. Denim and Leather
17. 20,000 Ft
18. Wheels of Steel

Encore 1:
19. Crusader
20. 747 (Strangers in the Night) intercalado com o solo de guitarra do Doug Scarratt
21. Power and the Glory
22. Ride Like the Wind (Christopher Cross cover)

Encore 2:
(Bass solo)
23. Strong Arm of the Law
24. Princess of the Night

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Sobre Durr Campos

Graduado em Jornalismo, o autor já atuou em diversos segmentos de sua área, mas a paixão pela música que tanto ama sempre falou mais alto e lá foi ele se aventurar pela Europa, onde reside atualmente e possui família. Lendo seus diversos artigos, reviews e traduções publicados aqui no site, pode-se ter uma ideia do leque de estilos que fazem sua cabeça. Como costuma dizer, não vê problema algum em colocar para tocar Napalm Death, seguido de algo do New Order ou Depeche Mode, daí viajar com Deep Purple, bailar com Journey, dar um tapa na Bay Area e finalizar o dia com alguma coisa do ABBA ou Impetigo.

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